Série A: confira como será o desfile do Cubango no Carnaval de 2014

 

 

CARNAVALESCO – Como surgiu a ideia de falar do enredo?

Márcio Puluker: Surgiu depois que fui contratado. Anteriormente teríamos uma reedição do "Peguei um Ita no norte" do Salgueiro, mas logo depois foi abortado devido a pouca aceitação por grande parte dos internautas. E isso nos deu uma prévia que reeditar um enredo antológico e com tamanha identidade com nossa coirmã, não seria propício nesse momento. Depois ainda pensamos em reeditar o nosso enredo de 2002 "África, exuberante paraíso negro", só que logo após ler a sinopse, pude ver que os caminhos abordados não me atraíram e portando de um enredo autoral em minha pasta, saquei e propus a escola a desenvolvê-lo. Em quatro dias, meu enredo foi aceito, e está aí o resultado.

CARNAVALESCO – Como você vai fazer para passar para a prática o lado teórico do enredo?

Márcio Puluker: É muito fácil desenvolvermos um enredo autoral, aquele que você monta em sua cabeça, sendo orientado por muita pesquisa e munido de tantos detalhes. Esse trabalho é feito juntamente com um historiador, que ajuda a compor esse grande retrato do continente africano, emoldurando com riquezas em detalhes e conhecimentos.

CARNAVALESCO – O que não pode faltar no desfile na hora de falar do enredo? E o que você preferiu deixar de fora?

Márcio Puluker: Tantas coisas… Falar de África e não falar do líder mundial Nelson Mandela, seria um pecado! Falar desse continente e não ressaltar seu território, suas riquezas naturais e seus contrastes sociais, seria estar fora da realidade. O continente africano te dá muitas vertentes e te proporciona um desenvolvimento rico em cultura e expressões. Acredito que não deixei nada de fora, ao menos o que me propus a falar, apesar de não termos o mesmo tempo de desfile do Grupo Especial, onde teríamos condições de aprofundarmos ainda mais esse enredo.

CARNAVALESCO – Quantas alas e carros a escola levará?

Márcio Puluker: Vamos levar para a avenida o numero máximo de alegorias permitida, que são quatro, sendo que nosso abre-alas é acoplado e será uma extensão da savana africana, uma grande alegoria de impacto e poder visual.

CARNAVALESCO – Como está organizada a setorização da cubango?

Márcio Puluker: Trabalhamos com o mínimo. Dividimos a escola em 4 setores, onde pontuaremos cada um de uma forma bem diferenciada. Fizemos uma brincadeira com o continente na intenção de fazer nossos componentes ficarem atentos no que se propõe cada um dos setores. São eles: 1º setor: A África no mundo, 2º setor: O mundo na áfrica, 3º setor: O mundo da África e o 4º setor: A África no carnaval.

CARNAVALESCO – O que você pensa em desenvolver em termos de materiais para fantasias. Qual o material mais usado e o que está usando menos em 2014? E por que?

Márcio Puluker: Desenvolvi fantasias leves e poucos esplendores, pois estamos com a proposta de um desfile brincante, o que permitirá uma ótima evolução. Em nossas fantasias usamos bastante palha e materiais rústicos, a base de juta, algodãozinho e esteiras, tudo que possa proporcionar uma temática bem próxima da cultura desses povos. Optamos em diminuir a quantidade de plumas que havíamos usado em carnavais passados, e partimos para a adaptação de penas artificiais, onde encontramos os efeitos desejados, e é claro gastamos muito menos.

CARNAVALESCO – A Cubango terá alas coreografas em alegorias e no chão?

Márcio Puluker: Sim, teremos coreografia em partes do carro abre-alas, onde estarão nas composições que representam as guerreiras e guerreiros e ainda nas que representarão os abutres africanos. Nesse caso, dos abutres, serão composições aéreas. Vamos ter também a quarta ala, usando de dramatização (O flagelo da fome), e duas alas coreografadas (Ala 05: Danças rituais tribais e ala 18: Afoxé). Toda coreografia de carro e ala está sob a responsabilidade do Fábio Costa.

CARNAVALESCO – A Cubango vem com alguma curiosidade nesse desfile que você já pode adiantar pra gente?

Márcio Puluker: Teremos muitas, a começar pela nossa comissão de frente. Ela será coreografada pelo Carlinhos Salgueiro e será uma comissão arrebatadora. Depois nosso primeiro casal que representarão a África branca e a África negra. Nossos carros terão a função de cenário para o desenvolvimento desse enredo, bem expressivos e impactantes. Em um deles homenagearemos Nelson Mandela, e no último homenagearemos os negros vivos que contribuem para o que é o carnaval hoje em dia, desde em funções administrativas dentro de suas agremiações, passando pelo quadro de componentes, e os que contribuem a fornecer matéria prima, informação e aprendizado. O desfile da Cubango será um grande misto de emoções.

CARNAVALESCO – O que retratam as fantasias da bateria e das baianas?

Márcio Puluker: A Bateria representará o batuque das senzalas. O samba é um dos maiores legados da cultura afro-brasileira. Ele nasceu da influência de ritmos africanos, adaptados para a realidade dos escravos brasileiros na dor da senzala, e sofreu inúmeras transformações até atingir as características de hoje, em suas diversas vertentes, dentre elas o samba-enredo. Já nossas baianas vêm como as asas da liberdade. As senhoras do samba representam o desejo de liberdade da raça negra. Elas rodopiam no branco da paz com tons dourados e trazem na cabeça uma pomba branca, o símbolo maior que representa a paz e a liberdade entre os povos.

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