Série A: confira como será o desfile do Paraíso do Tuiuti

 

 

Quando a Unidos de Vila Isabel levou para avenida no Carnaval 1988 o enredo "Kizomba, a Festa da Raça" a realidade dos negros no mundo era uma. Hoje, 26 anos depois a Paraíso do Tuiuti reedita o lendário desfile da azul e branco do bairro de Noel, mas com uma temática voltada para as lutas atuais da raça negra. – Em 1988 ainda existia o Apartheid, hoje o negro conquistou muitas coisas e ainda luta para conquistar outras, explicou o carnavalesco Severo Luzardo ao atender o CARNAVALESCO no barracão da escola.

De acordo com o carnavalesco, a realidade vivida pela Vila naquela época, se assemelha à da escola de São Cristóvão atualmente e por isso a diretoria optou pela escolha deste enredo. – Eles estavam sem a quadra de ensaios, tanto que o samba clamava "nossa sede é nossa sede". No momento da escolha do nosso enredo também estávamos, explicou Luzardo.

Quem for assistir ao desfile do Paraíso do Tuiuti vai poder conferir o esmero e o bom trabalho de acabamento de Severo Luzardo, que em 2013 esteve na Cubango. Ao visitar o barracão a reportagem do CARNAVALESCO pode conferir um carnaval praticamente pronto em que muita coisa foi reaproveitada, mas com muito bom gosto. – A minha experiência com cinema e TV me deu esse know-how de reaproveitamento de materiais. Para colocar carnaval na rua no grupo de acesso tem de ser desta forma, salientou Severo Luzardo.

O desfile se inicia com uma leitura da África como berço da humanidade, das mais antigas civilizações, fundamentando o continente africano como o primeiro pilar de sustentação da formação do homem. Em seguida o enredo traz a fauna e a flora africanas, sobretudo enfocando a preservação dessas espécies. – Essa é a primeira diferença na relação com a Kizomba de 1988, explica o carnavalesco. É neste setor que vem a ala das baianas, representando o Reino de Gana, formando um conjunto junto com a alegoria que fecha o setor.

A Kizomba da Tuiuti faz uma releitura daquela da Vila Isabel enfocando questões atuais, como esta ecologicamente correta citada por Luzardo, tudo sob a aprovação de Martinho da Vila, o autor do enredo original. Em seu terceiro setor, a Tuiuti volta a lembrar do desfile da Vila ao trazer os convidados para este congraçamento. – Vamos ter caboclinhos, jongo, maracatu, reizado, caxambu, e outras manifestações que virão para nossa Kizomba, diz Luzardo. O candomblé também virá neste setor, de acordo com Severo Luzardo, assim como a bateria representando os afoxés.

No quarto e último setor do desfile da Tuiuti se verá uma Kizomba bem globalizada, com uma homenagem a Nelson Mandela, morto em 2013, e todo seu legado de luta pela igualdade racial. Também uma louvação aos negros brasileiros que ajudaram na construção dessas conquistas. A última alegoria vai contar com diversos negros importantes da cultura, música e sociedade brasileiras.

Apostando que o samba da Vila Isabel de 1988, um dos maiores de todos os tempos, possa conduzir a escola de volta ao Grupo Especial depois de 13 anos, o Paraíso do Tuiti será a 6ª escola a desfilar na sexta-feira de carnaval. Em 2013 a escola terminou na 13ª colocação no desfile da Série A.

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