Série A: Rodrigo Coutinho analisa baterias das escolas que desfilaram no sábado

 

 

Tradição

A bateria Explosão de Elite, comandada pelo mestre Léo, mostrou bom desempenho no desfile deste sábado. Não é segredo para os que frequentam os ensaios das agremiações que a Tradição tem problemas de contingente. Seus segmentos são formados por muitos componentes oriundos de outras escolas e com a bateria o cenário não é diferente.

Mesmo com essa adversidade, a ala conseguiu captar não só um bom grupo de ritmistas, mas também desfilar com arranjos e bossas um pouco complexos para quem não ensaia junto com tanta frequência. Esse foi um dos grandes méritos da bateria da Tradição, que também mostrou afinação correta e bem diferenciada em seus surdos, bem como qualidade no naipe de chocalhos e caixas. O mesmo se estende ao desenho rítmico adotado para os surdos de terceira e sua execução. Andamento valente, combinando com a melodia do samba.

O ponto que destoou um pouco foi a execução do toque do ''carreteiro'' feito pela ala de tamborins. Já o desenho rítmico, funcionou bem e foi concebido de forma correta.

Alegria da Zona Sul

Bom rendimento da ala comandada por mestre Esteves. é gratificante ver a evolução de uma bateria. E isso aconteceu com a Alegria da Zona Sul se compararmos com o rendimento do ano passado. O andamento proposto fez com que o samba fluísse bem e a afinação mostrou correção e coesão ao longo de todo o desfile.

Chocalhos bem, assim como a ala de tamborins, que apresentou desenho rítmico mais simples e funcional. Surdos de terceira padronizados e explorando de maneira correta a melodia do samba. Ressalva para a execução da batida de caixa proposta. Um número considerável de ritmistas não a executou de forma correta, o que acabou quebrando um pouco o conjunto rítmico. Nada tão gritante, mas perceptível aos olhares mais atentos.

Agogôs muito bem mais uma vez e pulsação dos marcadores de primeira e segunda ideal para a sustentação do ritmo.

União do Parque Curicica

O carnaval acompanha o surgimento de um grande nome no quesito bateria. Desde que assumiu a bateria da União do Parque Curicica, mestre Lolo vem realizando um ótimo trabalho e o desfile da noite deste sábado serviu para corroborar ainda mais isso.

Apontar o grande número de ritmistas oriundos de outras escolas para diminuir o mérito do rendimento da bateria da Tricolor de Jacarepaguá não pode ser considerado. Muito mais do que isso, Lolo e sua diretoria conseguem produzir uma afinação corretíssima de surdos, além de criarem arranjos que possibilitam que a qualidade desses ritmistas venha à tona. Bossas criativas e cumprindo o propósito de adequação a melodia do samba.

Caixas, cuícas, tamborins, chocalhos e marcações muito bem, produzindo um conjunto rítmico difícil de ser encontrado até mesmo no Grupo Especial. Destaque para as caixas em tamanho maior – cumprimento do instrumento -, tocando ''batida reta'' e dando mais peso a sonoridade do instrumento. Ao lado da bateria da Rocinha, sem sombra de dúvidas, a melhor da Série A em 2014.

Caprichosos de Pilares

Desempenho mediano da bateria Venenosa comandada pelo mestre Alexandre. Destaque para a ala de tamborins e também a ala de chocalhos. Cuícas também produzindo um ''molho'' bem especial na frente da bateria, cumprindo sua função.

Afinação dos surdos de primeira poderia estar mais bem definida. Percebi variações consideráveis de tonalidade entre os instrumentos deste naipe, o que acaba prejudicando o conjunto rítmico. Pulsação dos marcadores de primeira e segunda correta, algo sempre bem aproveitado pela bateria da Caprichosos.

Surdos de terceira bem em sua participação no ritmo e também no arranjo preparado para o samba. Apesar disso, percebi uma certa imprecisão na bossa em que tem participação mais efetiva. Imprecisa também foi a participação dos surdos de primeira e segunda na bossa feita em frente ao módulo 02. Alguns ritmistas do naipe não executaram a ''frase mais longa'' de forma coordenada, o que prejudicou um pouco um momento preparado para ser de ápice.

Execução da batida de caixa também deixou a desejar em alguns momentos, principalmente na segunda metade do desfile.

Unidos do Viradouro

A bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Pablo, teve bom desempenho no desfile favorito para vencer a Série A em 2014. Mesmo não sendo perfeita tecnicamente, teve participação decisiva na execução de uma pequena pausa na parte final do refrão principal, o verso ''canta, Viradouro''. Não que a bossa represente algo muito novo para o segmento, mas a manobra empolgava os componentes da agremiação a cada passada em que era feita.

Afinação de primeira e segunda com diferenciação clara, mas pelo andamento proposto, mais acelerado, poderia funcionar melhor se fosse definida de maneira mais acentuada em sua diferenciação, apenas uma opinião pessoal e não um julgamento de valor. Tamborins e chocalhos funcionaram muito bem, assim como a ala de agogôs.

Surdos de terceira com execução correta de seu desenho rítmico. Senti falta de mais definição na ''levada'' de caixa da bateria. Talvez o andamento tenha impossibilitado que todas as notas da batida ficassem claras. Bossa longa e criativa no final da segunda do samba. Muito bem executada, causou impacto no público.

Estácio de Sá

A tradicional bateria Medalha de Ouro, comandada pelo mestre Chuvisco, teve bom desempenho no desfile desta madrugada. Batida de caixa bem perceptível e executada de forma perfeita pela grande maioria do naipe. Tamborins e chocalhos mais uma vez muito bem. As peças ''leves'' são, sem dúvida, algo que atingiu a perfeição na bateria do Leão.

Pulsação precisa dos marcadores de primeira e segunda e com diferenciação clara no ''ataque'' ao instrumento entre a primeira e a segunda parte do samba. A estratégia valoriza a participação das caixas e chocalhos na segunda parte do samba. Terceiras com desenho rítmico mais ousado e execução correta por parte do naipe.

Quando a bateria se aproximava do segundo e do terceiro módulo de julgadores houve uma pequena aceleração por parte de alguns marcadores de primeira, o que ocasionou breves ''desconfortos rítmicos''. Bossas impactantes, longas e bem produzidas. Mexeram com o público e com o componente da Vermelho e Branco.

Santa Cruz

Desempenho impreciso da bateria da Santa Cruz, que é comandada pelo mestre Rafael. Destaque para os tamborins, instrumento que ocasionava problemas  em outros anos na bateria da Santa Cruz, mas que hoje são o destaque da bateria. Desenho rítmico inteligente e execução bem precisa.

Ala de chocalhos com imprecisão na execução do toque do instrumento. O mesmo vale para os surdos de terceira, que não conseguiram aproveitar as possibilidades dadas pelo desenho rítmico adotado. Pareciam sempre desconexos e causando certo ''embolamento'' no ''miolo'' da bateria, ''desconforto musical''. Caixas com diversas batidas, sem obedecer padrão e impedindo a formação de identidade rítmica na ala.

Afinação dos surdos de primeira e segunda também sem obedecer padrão dentro do naipe. Algo que prejudica bastante a sonoridade da bateria. O andamento, que começou mais acelerado, caiu bastante ao longo do desfile e contribuiu para o mesmo efeito visto no desfile da escola. Bossas bem concebidas, mas executadas com imprecisão em diversos momentos.

Unidos de Padre Miguel

A bateria da Unidos de Padre Miguel, comandada pelo mestre Dinho, teve desempenho mediano na madrugada deste domingo. A performance da ala foi bastante atrapalhada pela fantasia concebida para os ritmistas da Vermelho e Branco da Vila Vintém. O material da indumentária contribuiu para o ''abafamento'' da sonoridade de alguns instrumentos como surdos de terceira e caixa, além de desgastar excessivamente os ritmistas, fazendo com que grande parte da bateria tivesse um rendimento físico abaixo do normal. O ritmista quer e deve desfilar com uma roupa bonita, mas não pode ver prejudicada a sua principal função: tocar!

De positivo, as peças ''leves'' e mais agudas, mais difíceis de serem ''abafadas'' por barreiras físicas. Chocalhos e tamborins se destacaram. A afinação dos surdos de primeira e segunda não obedeceu padrão dentro do naipe, fazendo com que a sonoridade destes instrumentos fosse diversa e indefinida. Surdos de terceira, no que se pôde ouvir, devido a fantasia, funcionaram bem.

Caixas com execução imprecisa da batida definida pela escola. Percebi também um número considerável de ritmistas tocando outras batidas e quebrando a uniformidade do naipe. Andamento bem concebido, mas um pouco prejudicado pelo já citado desgaste dos ritmistas na segunda metade do desfile. O desgaste também influenciou na precisão dos marcadores nas ''frases'' mais longas de determinadas bossas.

Acadêmicos do Cubango

Comandada pelo mestre Jonas, bateria Folgada da Acadêmicos do Cubango teve desempenho mediano no desfile que aconteceu já na manhã deste domingo e encerrou a Série A de 2014. Em comparação com o rendimento do ensaio técnico, a ala apresentou alguns avanços. A afinação dos surdos manteve-se claramente diferenciada ao longo da passagem da escola pelo Sambódromo e foi um avanço.

O arranjo e as bossas preparadas para o lindo samba obedeceram a linha melódica da obra, mas a execução poderia ser melhor em determinados momentos do desfile. Surdos de terceira funcionando bem dentro do desenho rítmico proposto e o andamento, apesar de cair um pouco ao longo do desfile, foi outro ponto a ser valorizado. Timbales (plural de timbal) bem tocados e funcionando bem na bossa em que ''solavam''

Em alguns detalhes técnicos, porém, a bateria do Cubango pecou. Não apresentou execução precisa de uma batida de caixa. Os ritmistas do naipe tocavam várias batidas diferentes e que também não ''casavam'' nas notas acentuadas. Tamborins e chocalhos foram imprecisos durante grande parte do desfile.

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