Série Barracões: Alegria da Zona Sul aposta na força dos malês e na leitura do seu desfile

Por Amanda Rocha

A Alegria da Zona Sul trará o enredo “Bravos Malês! A Saga de Luiza Mahin” para seu carnaval de 2018. O carnavalesco Marco Antônio contou ao site CARNAVALESCO que a ideia inicial do enredo era contar a história da Revolta dos Malês, mas o presidente sugeriu que fizessem uma homenagem a Luiza Mahin, líder da revolta.

alegria_barracao2018-1-copy– Eu estive na escola de 2005 a 2010, depois eu saí, nesse período, se eu não me engano, foi pra 2007 ou 2008, a gente teve a ideia de fazer os Bravos Malês, só que não rolou. Conversando com o presidente, ele deu a ideia de fazer e eu achei interessante. A gente ia falar sobre a Revolta dos Malês mesmo, mas aí o presidente teve a ideia de colocar a história da Luiza Mahin embutida nesse meio, que foi a líder da revolta — contou.

Marco Antônio destacou a importância histórica de Luiza e toda a força que ela carrega até hoje e reflete em muitas mulheres. Falou também que o desfile da Alegria não é uma homenagem só para a líder da Revolta dos Malês, e sim para todas as mulheres guerreiras do país.

– É um enredo bem interessante, mas o que eu acho mais interessante é a própria Luiza pela força que ela tinha, por ser uma mulher negra e liderar um grupo, ter essa liderança perante eles. Se eles ganhassem a guerra, ela ia ser considerada até a rainha da Bahia. Isso eu achei muito interessante e até muito atual pelo momento, de uma mulher negra ter esse poder todo. A gente não está falando somente da Luiza em si, estamos até levantando uma bandeira pra todas as mulheres guerreiras do nosso Brasil — disse.

alegria_barracao2018-3-copyCom a redução e o atraso no pagamento da verba pública, o carnavalesco contou que a escola precisou investir em materiais mais baratos para conseguir colocar seu carnaval na rua, mas garante que a Alegria passará na Sapucaí digna, bonita e iluminada.

– O carnaval passa por um momento muito difícil, uma crise muito acentuada principalmente nas escolas do Grupo de Acesso. Eu acho que quem foi mais prejudicado nisso tudo foram as escolas da Série A, a gente teve um corte de 50%, e recebemos a subvenção faltando 15 dias para o Carnaval. A gente da Alegria trabalha com o dinheiro praticamente da subvenção, a escola não tem quadra para arrecadar dinheiro, dependemos desse dinheiro mesmo. Foi muito difícil de colocar esse carnaval na rua, mas graças a Deus a Alegria conseguiu fazer o carnaval dela e a gente vai passar digna na avenida, bonita, iluminada. Precisamos fazer vários remanejamentos. Não mexemos muito nas estruturas do carro, trabalhamos com material mais barato. Sempre dosando com alguma coisa mais cara, para obter os efeitos que eu preciso e deu certo. Tive muita sorte pra conseguir dosar tudo isso e conseguir fazer o desfile — explicou.

Marco Antônio disse que o grande trunfo é o conjunto das coisas positivas que a escola levará para a avenida, como enredo, samba e leitura fácil da obra.

alegria_barracao2018-2-copy– A gente tem um bom enredo e um bom samba. A escola está bem redonda, com tudo bem amarradinho e as alegorias estão bem didáticas, dentro do enredo e leitura bem fácil — disse.

A Alegria da Zona Sul levará para a Sapucaí, quatro alegorias e 2 mil componentes. Entenda o desfile da escola em setores explicados pelo carnavalesco Marco Antônio:

Primeiro setor

“O nosso abre alas vem representando o Reino de Daomé, e o reino das serpentes que foi a criação da tribo Mahi. A gente tem as duas serpentes que uma é Oxumarê, e a outra é o reflexo dela na água. Elas vão se movimentar, bem interessante”.

Segundo setor

alegria_barracao2018-4-copy“São as águas claras da cidade baixa, que é a chegada dos negros na Bahia. Quando eles chegaram lá, se instalaram na parte baixa, e ali eles montaram a sua realeza, a sua região”.

Terceiro setor

“Fala da Guerra dos Malês. É o carro que vamos retratar a guerra. Em um cenário da Bahia, uma parte da Bahia baixa onde tinham os mercados”.

Quarto setor

“O último carro é uma casa da sabedoria. Na história, a gente não sabe realmente o que aconteceu com a Luiza, ninguém sabe o que aconteceu com ela. Uns dizem que ela montou uma casa, uma mesquita na África, outros falam que ela virou professora de matemática, que ela virou uma estudiosa de astros. Reunimos tudo isso num carro só. Fizemos uma grande mesquita que é uma casa da sabedoria com os livros, com poesias de Luiz Gama, e vamos levar o símbolo maior, que é a coruja, símbolo da sabedoria”.