Série Barracões: Com esperança, Santa Cruz apostará em efeito de LED na Sapucaí

Por Diogo Cesar Sampaio

Em meio à devastadora crise que o carnaval carioca vem atravessando, as escolas da Série A são as mais prejudicadas pelo corte de 50% da verba. Tendo recebido o repasse financeiro da prefeitura faltando vinte dias para a festa, as agremiações tiveram de abusar da criatividade para superar os problemas. Entre elas, a Santa Cruz que tem a originalidade como palavra de ordem. Com o enredo “No voo mágico da Esperança, quem acredita, sempre alcança”, assinado pelo experiente Max Lopes, o clima no barracão é de dias melhores.

– A ideia do enredo vem do momento que o Brasil está atravessando, que está muito mal das pernas. A gente fala da esperança, porque apesar de tudo, se você perdê-la, aí já não adianta mais nada, você perde tudo. Como dizem que a esperança é a última que morre, ela ainda existe, ela não morreu. E a gente tem esperança em dias melhores. A partir daí, eu comecei a ver tudo aquilo que o homem procura, o ser humano almeja, para melhorar a sua vida, o mundo – afirmou Max Lopes.

scruz_barracao2018_-1Enfrentando um dos carnavais mais difíceis de sua carreira, Max Lopes demonstra confiança em sua experiência para vencer os problemas e por um grande carnaval na rua. O carnavalesco, campeão em três oportunidades do Grupo Especial, aproveitou para fazer uma comparação do trabalho no acesso e na elite.

– Esse é um dos carnavais mais desafiantes da minha carreira. Um tempo muito mínimo para fazer, os carros são muito grandes, a gente tem uma grande dificuldade. Mas já estou acostumado. Eu sou madeira de dar em doido. Fazer carnaval sem dinheiro é para mim também. Tem gente que é muito boa, mas fazendo com muito dinheiro. Mas eu já subi duas vezes com escola sem dinheiro nenhum. Acho que vai muito da originalidade, da essência. Enquanto o Grupo Especial se preocupa com o luxo, com a beleza estética, a gente se preocupa com a força do tema, a força do samba, a força do chão. São essências que estão se perdendo no Grupo Especial. Porque está todo mundo muito esmerado em tecnologia, e o samba foi para onde? Eu sou bem purista, até porque fui passista, fui presidente de ala, fui destaque, eu fui tudo no Salgueiro. E, além de tudo, aluno de dois grandes baluartes da feitura de carnaval, que formam o Fernando Pamplona e o Arlindo Rodrigues. Eu acho que o sistema de trabalho deles, é o sistema que eu adotei. Para o grupo de acesso, esse sistema até vai. Mas já pro Grupo Especial já não serve mais – desabafou Max.

Apostando no resgate da sua comunidade, a Santa Cruz tem nela seu grande trunfo para o carnaval de 2018. A escola, que investiu na contratação de nomes renomados que estavam de fora da festa, como o próprio Max Lopes e o intérprete Quinho, busca voltar à disputa pelo título da Série A, e afastar de uma vez por todas o fantasma do rebaixamento, que perseguiu a agremiação nos desfiles anteriores.

– Temos vários grandes trunfos. Por exemplo, a comissão de frente é um deles. Acho fantástico o que eles vão fazer. A própria comunidade, eles estão cantando muito. E o samba é muito bonito, é muito melodioso. Nós investimos num puxador, que é um dos melhores do Rio de Janeiro, que é o Quinho. A bateria está excelente. A gente resgatou uma coisa importantíssima que tinha se esvaído da Santa Cruz. Esse resgate da comunidade, do povão de Santa Cruz. E isso está trazendo para escola um nível de alegria e de positividade muito grande. A escola de um modo geral está se preparando. Agora, dentro dos seus limites e da sua capacidade. Com todas as dificuldades que temos passado, eu acho que a resposta vai ser na avenida – declarou o carnavalesco.

scruz_barracao2018_-2Abusando da criatividade, Max Lopes prepara grandes surpresas para o desfile. O carnavalesco, que pretende usar movimentação de escultura logo no abre alas, também promete efeitos de LED na abertura. Além disso, uma alegoria humana encerra o carnaval da escola, onde os componentes irão formar a bandeira do Brasil.

– O primeiro setor são os sonhos, os sonhos infantis. A gente vem com uma esperança puxando uma noite estrelada. É uma esperança gigantesca, e ela vem se mexendo. As estrelas são todas iluminadas com LED, vai ficar muito bonito isso. É um elemento visual fantástico, onde não houve tão grandes investimentos, mas o efeito visual vai ser incrível – relatou Max Lopes.

A Santa Cruz, que desfilará com quatro alegorias e 2500 componentes, vem organizada da seguinte forma, segundo Max Lopes.

– A gente começa com o sonho lúdico das crianças, com Alice no País das Maravilhas, com o Mágico de Oz, que são histórias que remetem a isso. Aquela expectativa de um mundo fantástico, de um mundo melhor. Depois vem os adolescentes com o bem me quer, mal me quer. Partimos para tudo aquilo que o homem procura para melhorar sua vida: é a cigana que vai ler a mão, que vai jogar a carta; é a festa de Iemanjá na passagem de ano, que você vai lá jogar as flores para pedir um novo ano com uma coisa melhor, com uma estrutura melhor, para que a gente viva melhor. E a gente fecha com exatamente isso, a Santa Cruz indicando que o povo não perca esse sentido de brasilidade, de patriotismo que a gente não pode perder. Vamos amar o Brasil, apesar de tudo. Com todas as roubalheiras, com todos os problemas, nós temos que amar esse país, pois foi aqui que nós nascemos, aqui nós vivemos, e aqui que talvez muitos vão morrer. Temos de defender o Brasil, como se o Brasil fosse futuramente o grande esteio para o mundo. As profecias dizem isso. Por enquanto não é não, mas pode ser que seja – disse Max.