Série Barracões: Estácio prepara desfile falando do comércio e da sustentabilidade

Por Amanda Rocha

O site CARNAVALESCO ouviu Tarcisio Zanon, responsável pelo desfile da Estácio de Sá no Carnaval 2018, e que levará para Avenida o enredo “No pregão da folia sou comerciante da alegria e com a Estácio boto banca na avenida”. Ele conta como surgiu a ideia do enredo deste ano.

estacio_barracao18_– Na verdade, não seria esse enredo. A gente tinha essa carta na manga, que veio uma proposta do Serginho do Porto, que é o nosso intérprete, de fazer sobre os mercados populares cariocas. A escola é extremamente popular e tem uma identificação direta com o Rio de Janeiro, resolvemos fazer os mercados populares com um viés carioca, contando a história do desenvolvimento do mercado popular no Rio de Janeiro. E a gente foi descobrindo várias coincidências, até mesmo o fato da cidade ter sido fundada através do comércio e pelo próprio Estácio de Sá que também dá o nome a escola. Quando ele chegou aqui para conquistar os indígenas locais, a tribo Tamoio, teve que fazer uma forma de comércio que foi o escambo. Ele trocou espelhos, facas, tesouras, para conseguir esse apoio e também para trocar produtos. A cidade do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá a partir do comércio. Uma coincidência que nos foi muito positiva – disse Tarcisio.

O carnavalesco destacou o que mais chamou sua atenção entre suas pesquisas para realizar o enredo. Segundo ele, a questão do mercado contemporâneo é fundamental.

– A gente pode falar sobre comércio e também de sustentabilidade. Uma das cosias que descobri nas pesquisas foi a utilização das ecobags, que é uma coisa nova, utilizada no mercado, principalmente, em São Paulo. No Rio de Janeiro ainda não aderiram muito, mas é uma bandeira que a Estácio pretende levar. Não só pela questão de o enredo ser o comércio, mas a escola também precisa pensar em sustentabilidade. Nas nossas fantasias a gente não está utilizando nenhuma pena de bichos, todas as penas são artificiais. Nós estamos com esse pensamento de sustentabilidade e acredito que seja um novo olhar, uma nova visão que todos os carnavalescos começam a pensar mais a partir de agora – comentou.

Com a redução de 50% da verba pública que foi entregue às escolas da Série A a 20 dias do carnaval, as agremiações tiveram que procurar soluções para manter um padrão de qualidade dos desfiles. Tarcisio contou quais foram as soluções encontradas pela Estácio para o carnaval de 2018.

– Primeiro é pensar um carnaval lá atrás, de uma forma bem enxuta, que a escola consiga carregar. A minha forma de pensar carnaval é sempre pensando no que eu tenho no meu almoxarifado, no meu barracão, e poder reciclar o máximo que eu tenho para conseguir construir o carnaval. Tudo que a gente compra a mais é muito pouco, perto do que se foi reciclado. É claro que esse ano a gente recebeu ajuda de outras escolas, porque é um ano bem atípico, bem difícil não só para a Estácio, mas para todas as escolas. É um carnaval de crise e repressão. Tivemos que trabalhar muito mais, ter muito mais criatividade para conseguir colocar o carnaval na rua – afirmou.

A Estácio desfilará com quatro alegorias, 22 alas, com uma média de 70 pessoas por ala. Tarcisio contou como serão os setores da escola.

– Nosso primeiro setor é esse paraíso de toma lá, dá cá. O abre-alas representa exatamente esse primeiro encontro do Estácio de Sá com os indígenas locais, e essa troca troca de mercadorias. A gente teve uma coincidência em termos cromáticos, já que se trocou principalmente espelho e Pau Brasil. A gente vai ter uma cobertura bem vermelha e prata. O segundo setor continua contando essa história do comércio, que é comércio colonial. Retratados pelos escravos de ganho, que iam para a rua fazer o comércio, e isso foi retratado muito nas obras de Debret. A gente tem esse mercado colonial, que culmina na alegoria que representa o mercado da Praça XV. No nosso terceiro setor, a gente faz uma homenagem aos imigrantes. O Brasil precisou trazer mais mão de obra pra cá, o Rio de Janeiro sendo a capital do país, a gente conta essa história dos imigrantes, da forma como eles contribuíram, e dos mercados que eles construíram no Rio de Janeiro. Um exemplo deles é o Saara. No último setor a gente faz uma grande homenagem aos novos mercados, que estão super em alta nesse momento, que todo mundo já conhece, que é o Mercadão de Madureira, Feira de São Cristóvão, até chegar no mercado online, que é o boom do momento. Vamos fazer uma grande barca digital, fazendo uma homenagem também aos 90 anos da Estácio, com convidados ilustres e pessoas que já fizeram parte dessa história – explicou.

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