Série Barracões: Inocentes aposta no inusitado e pretende surpreender o público

Por Matheus Emanuel

inocentes_barracao18_-1A Inocentes de Belford Roxo levará a cidade de Magé para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2018. A escola da Baixada Fluminense busca o acesso homenageando a cidade e exaltando a importância de Heitor dos Prazeres, um grande artista que possui uma importância imensa para a cultura brasileira. O site CARNAVALESCO visitou o barracão da Inocentes para conversar com o carnavalesco Wagner Gonçalves. A Inocentes aposta no inusitado e pretende surpreender o público com a grandiosidade de seu carnaval.

– O enredo foi sugerido pela escola, já estava na pauta desde o ano passado, o presidente sugeriu que o enredo fosse desenvolvido esse ano e quando eu renovei o contrato com a escola ele perguntou se seria um bom enredo. Disse que sim e estamos desenvolvendo esse enredo que se tornou uma coisa bem criativa. Estamos investindo em momentos de emoção, tem o Garrincha no final, que é um personagem que todo mundo gosta, uma comissão de frente ousada, e os carros criativos. Vão ter aí uns detalhes pontuais que chamarão a atenção. Queremos surpreender. A escola está bem quietinha, trabalhando, esperando chegar na avenida e surpreender a todos – disse Wagner.

Um dos pontos centrais do desfile da Inocentes será a obra de Heitor dos Prazeres. Wagner explica a relação com o município de Magé. O carnavalesco esconde a sete chaves o modo pelo qual a narrativa vai ser contada, mas revela que a história será baseada na obra artística de Heitor dos Prazeres.

– A coisa mais interessante foi descobrir que o Heitor dos Prazeres teve relação com a Nativa, que é uma moradora de lá. Ele é um artista negro. É bacana você ter um enredo de Magé, um município que quase ninguém conhece. Foi muito bom saber que o Heitor dos Prazeres que foi um grande pintor, sambista e músico teve uma relação com o município. Isso me deixou muito feliz e eu optei pela opção dele nortear esse enredo e montar essa estrutura. Na verdade, um dos impactos que a gente quer causar é justamente a surpresa de como vai ser dada essa narrativa, eu posso começar onde eu quiser e terminar onde eu quiser respeitando uma coerência. Cada setor é um quadro do Heitor dos Prazeres. Ele pode pintar de acordo com a inspiração dele – afirmou.

inocentes_barracao18_-3Wagner contou como tem trabalhado com os recursos financeiros mais escassos devido ao impacto econômico que o carnaval vem sofrendo. Ele também comentou sobre a auxílio que o município vem prestando para a escola no âmbito da pesquisa.

– Eu investi muito em criatividade, agreguei muito a equipe, foi todo mundo fazendo com o crédito que a escola tinha. A gente adiantou o trabalho e só ficou para depois a questão do pagamento. Nós tínhamos consciência do que era pra ser feito, executávamos e na medida que ia saindo o dinheiro, a gente ia administrando essa parte financeira, deu certo graças a Deus, mas é um quadro muito difícil, que eu não quero que se repita. O município ajudou na pesquisa, a gente teve contato com dois historiadores da cidade. Fiz um carnaval que seria feito com ou sem parceria – comentou.

Conhecido por ser um carnavalesco que possui uma identidade diferenciada, Wagner abordou a ascensão de alguns carnavalescos no Grupo Especial, dizendo que o profissionalismo norteia sua carreira, não importando o grupo da escola.

inocentes_barracao18_-2– Eu ia fazer um carnaval mais “careta”, pois era um tema de uma região com alguns elementos que precisam ser pontuados, como a história, as revoltas armadas, mas nessa circunstância atual, eu peguei a rédea e fiz um carnaval 100% Wagner Gonçalves. Ele nasceu comum, mas já se tornou loucão (risos). É ousado, inusitado, com materiais diferentes e me deixou bem feliz. Ninguém vai ter uma ascenção mais rápida que a do Leandro Vieira, ele fez um ano na Caprichosos e logo já foi pra Mangueira, mais rápida do que essa é impossível. Pra mim é indiferente trabalhar na Série A ou no Especial. Eu quero um lugar que me pague, me respeite e me deixe trabalhar – analisou.

Com o enredo ‘Mojú, Magé, Mojúbà – Sinfonias e batuques’, a Inocentes vai para Marquês de Sapucaí com quatro alegorias, 18 alas e aproximadamente 2 mil componentes.