Série Barracões: Mangueira busca o bicampeonato com o talento do ‘santo Leandro Vieira’

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Escola de coração de Carlos Cachaça, Cartola, Dona Neuma, Jamelão e tantos outros ícones do samba e do carnaval carioca, grande campeã do Carnaval 2016, a Estação Primeira de Mangueira vai em busca do bicampeonato em 2017 com o enredo “Só com a ajuda do santo”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira. Assinando o carnaval da escola pela segunda vez consecutiva, Leandro abriu o barracão da verde e rosa e contou alguns detalhes do próximo carnaval para o site CARNAVALESCO.

img_4338– O enredo da Mangueira para o Carnaval 2017 é um olhar atento para a religiosidade brasileira, ele tem um olhar cultural a respeito disso. Não é uma tese de mestrado, não é um documento a respeito da religião, mas é um olhar para a religiosidade. É a maneira particular como o brasileiro lida com o divino, como ele se relaciona, porque já é sabido que nós somos um povo feito da mistura, um povo miscigenado. Isso parece batido, parece careta no carnaval, mas nós somos o resultado disso. Então, o brasileiro, por sua formação cultural, a gênese daquilo que a gente é está ligada a adoração de muitas coisas, então o enredo da Mangueira apresenta o brasileiro católico, o brasileiro do Candomblé, o brasileiro da Umbanda e o brasileiro que mistura tudo isso de uma forma muito natural. As pessoas vestem branco no fim do ano sem saber por que vestem branco, as pessoas fazem simpatia, os mais antigos fazem reza, sem saber de onde vem isso. Pessoas assumidamente católicas colocam cerveja para São Jorge, oferecem doce para Cosme e Damião. O próprio vocabulário brasileiro tem muito disso, nos terreiros de Umbanda e Candomblé alguém recebe uma entidade, e talvez dentro dos preceitos dessas religiões o nome seja entidade, no linguajar popular costuma-se dizer que a pessoa recebeu santo, virou no santo, vai dar de comer ao santo – explicou Leandro.

img_4339Ainda sobre o contexto histórico do enredo, Leandro detalha alguns dos santos que serão lembrados durante o desfile e explica o porque do título escolhido para o enredo.

– É um olhar para a fé brasileira. Uma fé que celebra Nossa Senhora, mas uma fé que também celebra Iemanjá. Uma fé que direciona romarias para Nossa Senhora de Nazaré, mas também que podem fazer romaria e peregrinação para Padre Cícero, é uma figura da cultura brasileira que não é canonizada, foi excomungada pela igreja e ainda assim são capazes de promover uma romaria, as pessoas o consideram um milagreiro. Então o enredo da Mangueira é isso, que olha para o Brasil, olha para o brasileiro. O título ‘Só com a ajuda santo’, ri do que passou e brinca com o que virá, é uma maneira que eu encontrei de ser brincalhão com tudo que aconteceu pra mim, porque chegar na Mangueira jovem demais, receber um convite inusitado demais, ser campeão junto com a escola em um momento em que a escola não atravessava uma fase boa, saindo de um 10º lugar para 1º, e toda mística que envolvia o fato de eu ter homenageado Maria Bethânia com a presença de um orixá, ‘Só com a ajuda do santo’ fala um pouco disso. E também fala do que virá, porque a escola continua com dificuldades, estamos falando de um ano de dificuldades financeiras para todos, um ano em que só a Mangueira pode ser bicampeã. Então fazer carnaval diante dessas condições, ‘Só com a ajuda do santo’. É um enredo que ri e brinca com tudo isso. A ideia é que o mangueirense assuma todo o perfil do enredo, é o brasileiro de quem eu falo na sinopse. Ele vai apelar para todos os santos, para todas as simpatias, para todos os orixás e entidades para que a Mangueira alcance a alegria na quarta-feira de cinzas – afirma Leandro.

img_4351O carnavalesco da Mangueira assinou seu primeiro carnaval em 2015, na Caprichosos de Pilares, que na época estava na Série A do Carnaval Carioca. Ele conta das dificuldades financeiras e faz uma comparação com a maneira de trabalhar nos dois grupos.

– As pessoas falam muito a respeito de crise para mim. O carnaval, na verdade, vive um momento de várias crises, de vocações, uma crise que faz repensar a estrutura do carnaval. E assim, eu tenho muito fresco na minha memória toda dificuldade que passei quando fiz a Caprichosos de Pilares no Grupo de Acesso. É muito difícil fazer carnaval da Série A, e por mais difícil que seja fazer carnaval no Grupo Especial é mais fácil do que fazer carnaval no Acesso – afirma.

Ainda sobre a situação financeira da Mangueira, Leandro revela que, ter um pouco das coisas fora de ordem, faz com que não só o presidente, mas ele também como carnavalesco, mantenham o pensamento ‘fora da caixinha’.

img_4349– Tem uma coisa que a crise me favorece. Se tudo estivesse muito bem, se tudo estivesse tudo dentro da ordem, talvez, o presidente Chiquinho não tivesse um pensamento ‘fora da caixinha’, fora da ordem, e se ele não tivesse esse pensamento, eu não seria o carnavalesco da Mangueira hoje. Eu já falei isso uma vez e vou repetir, em dia de chuva, o cara que vende biquíni é prejudicado, mas o vendedor de guarda-chuva sai satisfeito, então acho que eu estou sendo vendedor de guarda-chuva em dia de chuva – finaliza.

Conhecida por ser uma escola tradicional é comum ver sobressaltar nos desfiles da Mangueira o verde e o rosa, cores da escola. Com a chegada do carnavalesco Leandro Vieira já foi possível notar uma sutil mudança na utilização das cores no carnaval passado. Para o próximo carnaval Leandro explica como usará as cores da agremiação.

img_4344– Claro, que estando aqui, sendo carnavalesco da Mangueira, eu penso sempre em fazer o melhor para ela, que ela chegue e entre naquela Avenida com cara de Mangueira. No início eu achei que seria difícil, mas fiz isso sutilmente ano passado e deu certo. As cores vão entrar no desfile quando eu achar que elas colaboram, quando elas não colaborarem não entram – conta Leandro afirmando também não apostar em nenhum material alternativo para compor seu carnaval.

– Estou trabalhando com o que encontramos no mercado. Planejei todo carnaval da Mangueira baseado nisso.

Para manter a surpresa e a expectativa para o desfile da verde e rosa em 2017, o carnavalesco optou em não setorizar a escola.

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