Série Barracões: Porto da Pedra segue na linha de enredos de fácil leitura e promete muita emoção na homenagem para as rainhas do rádio

Por Matheus Emanuel

A Porto da Pedra levará o enredo ‘Rainhas do rádio – Nas ondas da emoção, o tigre coroa as divas da canção!’ para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2018. A escola de São Gonçalo seguirá sua linha de enredos populares e de fácil leitura no desfile do dia 9 de fevereiro. O site CARNAVALESCO visitou o barracão e conversou com o carnavalesco Jaime Cezário. Ele explicou como surgiu a ideia de homenagear as rainhas do rádio e também comentou sobre a forma de abordagem que apresentará na Sapucaí.

jaime_cezario– A ideia desse enredo surgiu há muito tempo, em 1987, no desfile da Imperatriz que exaltava Dalva de Oliveira, o carnavalesco era o Arlindo Rodrigues. E a segunda comissão homenageava as rainhas do rádio. Eu estava lá presente nessa comissão e todo mundo ficou muito emocionado com a homenagem e ali eu pensei que isso poderia dar um belíssimo enredo e a partir daí eu comecei a pesquisar. Em 1990 eu já estava com ele pronto e registrado na Biblioteca Nacional e acabei guardando esse enredo. Eu esperei o presidente vir até a mim, tiveram propostas de enredos afros, mas eu pensei que não caberia muito, pois já haviam três escolas da Série A, se viéssemos também iria ser uma sucessão de enredo afro muito grande. O presidente não estava querendo muito esse tipo de enredo e me perguntou se eu tinha alguma coisa em mente. Falei que tinha um guardado há muitos anos e que já estava na hora de ser feito. Ele adorou e eu reestruturei esse enredo para que ele pudesse ser feito na Série A, com um aporte menor e a escola aprovou. Em 2017 foi o centenário de Dalva de Oliveira, que foi a inspiradora do próprio enredo, e também em 2017 foi o centenário de Cesar de Alencar, que foi o maior apresentador de programa de auditório da Rádio Nacional – disse.

A escola abordará de maneira muito intensa o concurso que elegia a rainha do rádio na época. Jaime conta que se surpreendeu em sua pesquisa, no que diz respeito a popularidade do concurso, que chegou a obter uma proporção parecida com as eleições presidenciais da época.

– Na realidade, o que me chamou a atenção foi o quanto esse concurso de rainhas do rádio movimentou o Brasil. Na minha pesquisa eu encontrei que em 1953, ano da eleição de Ângela Maria, em que ela obteve mais de 1 milhão de votos e nessa época a diferença da eleição da Ângela para Rainha do Rádio era apenas de 100 mil votos para a de Getúlio Vargas no pleito presidencial. As duas eleições competiam, tamanha grandiosidade, era criado um alvoroço em torno disso, tomava conta do Brasil – comentou.

Todas as escolas de samba da Série A estão passando por sérios problemas financeiros para a realização do carnaval desse ano. O carnavalesco elogiou os seus companheiros de profissão e ressaltou que a Porto da Pedra busca emocionar o público do Sambódromo, mais uma vez, ressaltando que as escolas precisam se preocupar com o seu verdadeiro público alvo, que é a camada popular da sociedade.

portodapedra_final_01092017dsc_0192-copy– Todos os carnavalescos estão fazendo mágica para colocar esse carnaval na rua. Isso que estão fazendo com a festa é uma maldade, pois é uma festa tão bonita, as escolas são tradicionais, uma festa popular que o povo ama e acaba acontecendo esse descaso das autoridades. A solução é tirar da cabeça, o que o bolso não dá, é onde você tem que exercer a sua criatividade, que é a palavra que sintetiza o carnavalesco. Eu venho pela emoção novamente em uma sequência de três enredos que visam tocar o coração do público presente na Sapucaí. O primeiro foi o do palhaço Carequinha, onde viemos totalmente desacreditados e ao atravessar a avenida todo mundo ficou emocionado. Ano passado viemos com as marchinhas, uma pena foi a colocação da escola, mas o público veio junto com a gente novamente e esse ano a gente vem também com um toque emocional falando das rainhas do rádio. É um resgate muito importante da nossa memória cultural, musical e popular. Esse deveria ser o caminho para todas as escolas de samba, pois o carnaval é feito para o povo e pelo povo, é a maior festa popular audiovisual do planeta, não adianta ficar fazendo enredos tão eruditos que a gente só ache lindo, mas que a gente não entenda nada, a minha caminhada nessa busca de enredos é sempre exaltar a cultura popular do Brasil, buscar enredos que exaltem isso – afirmou.

O rádio sempre foi um veículo de grande impacto e a escola vai elucidar a importância desse veículo para a construção de uma identidade nacional mais sólida. Jaime aproveitou para deixar em aberto a possibilidade do comparecimento das duas rainhas do rádio que ainda estão vivas.

– O rádio criou os primeiros ídolos no Brasil, até o surgimento da rádio nacional nós não tínhamos ídolos, o rádio promoveu os jogadores de futebol e também na música, na radionovela e a gente vai promover uma disputa bem democrática, pois na realidade são dez estrelas a brilhar, como diz o samba. Todas vão brilhar muito. Todas elas foram maravilhosas e merecem essa homenagem.
Duas rainhas estão vivas, Ângela Maria e Doris Monteiro, convidei as duas – informou.

A escola de São Gonçalo fará um passeio por toda a época áurea do estado do Rio, passando pelo centro cultural que era formado na região, terminando seu desfile fazendo uma grande homenagem aos bailes e as rainhas que tanto brindaram o país com seus talentos inesquecíveis.

portodapedra_final_01092017dsc_0051-copy– Começamos pelo glamour do Rio de Janeiro, que é uma coisa bastante saudável e boa de ser mostrada e que nós cariocas e o povo que gosta do Rio de Janeiro e vem para o carnaval tem saudade. O Rio que era capital federal e também da cultura do Brasil, nós vamos mostrar todos esses equipamentos que fizeram com que o Rio fosse o local propício para surgir o reinado do rádio, vamos falar dos cassinos, homenagem pro cassino da Urca, dos grandes hotéis, do Copacabana Palace, do Glória. As grandes casas de dança, das boates famosas, vamos falar tudo isso que o Rio tinha de maravilhoso no primeiro setor. No segundo setor , apresentaremos os veículos de comunicação, que ajudaram na criação dos nossos ídolos e das nossas rainhas, aí entra a Radio Nacional, a revista do Rádio, as gravadoras, os cinemas com as chanchadas. No terceiro setor, é o concurso propriamente dito, como ele começou, no início em 1936, numa pegada mais regional, pois estávamos num período pré-segunda guerra mundial e ele explode nacionalmente em 1947, logo após o final da segunda guerra mundial em 1945. Nesse setor nós teremos uma alegoria dedicada as rainhas. O final do desfile é o grande baile do rádio, porque elas eram eleitas pelo grande público por votação direta, mas elas recebiam a coroa do rei momo, num baile de carnaval do Rio de Janeiro, vamos mostrar o povo na rua, a corte do rádio, a corte do carnaval, as rainhas e vamos ter trazer uma rainha coroada em uma grande escultura. A escola vem com 22 alas, 4 grandes alegorias que não são acopladas, optamos por carros bem grandes e teremos 2200 componentes – concluiu.

Por fim, Jaime elogia a obra escolhida pela escola dizendo que a mesma retrata o enredo de forma fiel e diz que embora seja difícil, o tão sonhado acesso não é impossível.

– Acredito, nesses momentos é que o milagre acontece, é no momento de dificuldade, a gente torce por todas as escolas, a gente sabe a dificuldade de fazer o carnaval, a falta de grana e de apoio da prefeitura, local desapropriado pra fazer o carnaval acontecer e a gente está diariamente aqui com o maior amor, para brindar ao público no dia 9. Acho que o samba retrata o nosso enredo de maneira muito correta, se você ler o samba e olhar os setores você vai entender o enredo do início ao fim – analisou.

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