Série Barracões: Viradouro terá carnaval interativo e alto padrão visual

barracao_viradouro2018_1Carnaval é uma caixa preta de mistérios. A história registra diversos desfiles campeões de véspera com a tarefa de comprovar na pista a supremacia. A bola da vez no desfile da Série A é a Viradouro. Dez entre dez sambistas apontam a vermelha e branca de Niterói como pule de dez para voltar ao Grupo Especial em 2019. A reportagem do CARNAVALESCO foi recebida por Edson Pereira no barracão da escola para uma conversa sobre o desfile. O primeiro questionamento não poderia ter sido outro, senão o peso do favoritismo.

– O que as pessoas falam elas falam, eu não posso responder por elas. O que eu faço é trabalhar, dia e noite. Não faço essa diferenciação de Especial e Acesso. O importante é estar consciente do que é feito. Logicamente, mediante as dificuldades, o que eu e todo mundo quer é ser campeão. E foi com esse objetivo que trabalhamos. Primeiro que se é verdade que o padrão é de Especial, não temos estrutura igual. Menos dinheiro, outro barracão. A Viradouro investiu em quesitos que fortaleceram a escola. Dificuldades todas da Série A tiveram e nós não somos diferentes. Não me sinto obrigado a ganhar, me sinto obrigado a fazer um carnaval competitivo. Já fui campeão de véspera várias vezes. Não acredito em título antes de desfilar – revela o carnavalesco.

Edson Pereira falou no bate-papo com o CARNAVALESCO que o enredo da escola surgiu em sua cabeça no momento em que pisou na quadra para ser apresentado depois do carnaval de 2017. Segundo Edson, é um tema com a cara e a identidade da Viradouro.

– O enredo é a materialização do momento vivido pela Viradouro. Logo quando assumi, tive essa ideia na quadra. Quando eu digo vira a cabeça, pira o coração, falo muito da loucura do componente pela Viradouro. Para se criar precisamos sair do lugar comum. Esses personagens do enredo são tidos como loucos pois buscaram algo além. É uma virada na história da escola – disse.

barracao_viradouro2018_2Com um barracão em alto padrão visual em um ano que muitas escolas enfrentaram dificuldades, Edson Pereira rechaça que não tenha vivido dificuldades, revela que nunca fez carnaval sem ouvir a palavra crise e diz que as condições nos barracões da Série A não são adequadas.

– Como carnavalesco eu já tenho 14 anos. Desde que comecei sempre ouvi falar de crise, então para mim não chega a ser algo novo. São barracões sem condições, falta de tempo, de dinheiro. Isso é conhecido no carnaval. Driblar a crise na Viradouro foi mais fácil por ter começado o trabalho na quarta de cinzas. Entramos no barracão em maio. Tempo é dinheiro – avalia.

O carnavalesco aposta em uma fórmula que vem dando certo desde os tempos de Unidos de Padre Miguel. A interatividade entre o público e as alegorias.

– Tem muita coisa interessante, mas no Acesso para ter início, meio e fim é preciso cuidado. Muitas histórias, invenções e criatividade que cito no enredo eu escolhi e materializei aquilo que me desse a melhor plástica. É um desfile muito interativo. Cada setor terá um momento especial. O meu grande trunfo é o carnaval todo. O que busco fazer é de alguma forma tornar esse desfile da comunidade, do público, que haja interação. Não será um desfile do Edson Pereira. Vamos provocar sentimentos e tentar com que fiquemos na mente das pessoas – destaca.

barracao_viradouro2018_4Conheça o desfile

Setor 1: “A gente abre o carnaval com a grande fábrica da loucura, onde trocamos a razão com a emoção. O carro interage com a avenida. Os gênios que trouxeram momentos que a gente usufruiu. Não é uma tecnologia moderna, mas algo vintage e temporal”.

Setor 2: “Homenagem a um dos grandes gênios brasileiros, santos Dumont. Ele acreditava que viver na França era melhor para seu processo de criação, pois na época era a capital das invenções”.

Setor 3: “Eu brinco um pouco, trazendo a ficção científica, os gênios do cinema, o médico, o monstro”.

Setor 4: “Fechamos o carnaval mostrando a singularidade da loucura de amor do Pierrot e da Colombina e da loucura de ser Viradouro”.