Site CARNAVALESCO conta todos os detalhes do lançamento do CD de São Paulo para o Carnaval de 2012

Uma festa para o povo! Esta é a melhor maneira de definir o lançamento dos CD´s do Grupo Especial e Grupo de Acesso do carnaval paulistano na noite desta sexta-feira, na quadra da Rosas de Ouro, Zona Norte de São Paulo. O site CARNAVALESCO marcou presença e conta todos os detalhes do evento, que só terminou depois das seis horas da manhã. Vale destacar a iniciativa da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, que preocupou-se em organizar uma festa para os integrantes das 22 escolas que compõem os Grupos Especial e Acesso do Carnaval Paulistano. O resultado foi a quadra lotada até a hora em que a Nenê de Vila Matilde, última agremiação a se apresentar, subir ao palco.

 

* Clique e veja vídeos das apresentações das escolas de São Paulo na festa do CD para o Carnaval de 2012

A opção de o ingresso da festa ser a compra do kit contendo a Revista Carnaval SP com 108 páginas e o digipack com os dois CD´s e os 22 sambas-enredo, no valor de R$ 25 deu certo. Pois além de assistir ao vivo todas as escolas com as suas respectivas baterias – outro ponto positivo da noite -, quem foi até a quadra da Rosas pôde levar para casa os dois álbuns e um rico material informativo de cada agremiação.

O presidente da Liga-SP, Paulo Sérgio Ferreira, que também dirige a Vila Maria, falou sobre a opção.

– A intenção foi fazer uma festa que o sambista curtisse. Não adianta fechar a porta para quem faz as escolas de samba. Vocês estão vendo o resultado. A cada apresentação é uma emoção nova, uma novidade. Quero agradecer imensamente à Angelina Basílio – presidente da Rosas – que abriu essa casa maravilhosa e nos recebeu muito bem, além de toda a minha diretoria, em especial a Solange Cruz – vice da Liga e presidente da Mocidade Alegre – e todas as agremiações, que entenderam o espírito da festa. Tenho muita esperança que o Carnaval 2012, em São Paulo, será o melhor da história.

Apesar do sucesso da noite, algumas questões precisam ser melhor organizadas pela produção do evento para a próxima edição. Uma delas é a demora entre uma escola e outra para a ocupação do espaço destinado às apresentações. Além disso, poderia haver um padrão na quantidade de componentes que se apresentam. Nesta sexta-feira, muita disparidade pôde ser percebida. Enquanto algumas agremiações levaram passistas, baianas, alas de comunidade, comissão de frente, musas e rainhas de bateria. Outras levaram somente a bateria e os integrantes do carro de som.

As escolas se apresentaram em ordem de desfile: primeiro as do Acesso, exceto a Nenê de Vila Matílde, que foi a última da noite devido ao atraso no ônibus que levaria os componentes e em seguida as do Especial. Entre as postulantes aos dois espaços no Grupo Especial em 2013, destacaram-se as apresentações da própria Nenê, do Unidos do Peruche e do Acadêmicos do Tatuapé, que levantaram o público.

Confira a análise de cada apresentação das escolas do Grupo Especial:

Camisa Verde e Branco: Foi ovacionada assim que foi anunciada. É uma escola de bastante tradição e muita torcida em São Paulo. A bateria de mestre Jeyson mostrou o seu peso característico e agitou a quadra da Rosas, pena que tenha faltado uma melhor interpretação do palco na obra que fala sobre as diversas formas de amor – enredo desenvolvido pelo carnavalesco Anselmo Brito. O samba não é do nível dos grandes da história da escola, mas parece ser funcional para o desfile.

Império de Casa Verde: A caçula do Grupo Especial paulistano tem um departamento musical de muita qualidade. Tanto o intérprete Carlos Júnior, um dos melhores da Terra da Garoa, quanto a bateria de mestre Zoinho e o time harmônico – cavaco e violão – elevaram a apresentação e o nível da obra, que tem a árdua tarefa de contar as leis e preceitos da ótica física, enredo que será desenvolvido por Roberto Szaniecki.

X-9 Paulistana: Apresentação empolgante, que começou com o presidente José Manuel Gaspar fazendo uma espécie de desabafo, dando força ao mestre de bateria Bruxinha, que assume o comando dos ritmistas este ano. Extremamente positiva para a escola a volta do ótimo Royce do Cavaco, lenda vida do carnaval paulistano, que tem a missão de interpretar um samba de melodia truncada e letra que fala sobre o Brasil sertanejo, drible encontrado pelos carnavalescos Rodrigo Cadete e Flávio Campello para não ter o Rally dos Sertões como fio condutor do enredo.

Vai-Vai: A grande campeã foi recebida com a merecida honraria pelo público, que veio abaixo quando Wander Pires deu seu popular grito de guerra. É impressionante a empatia entre ele e o público paulistano. Além do destaque óbvio a mais um belo samba que a Vai-Vai levará para o Anhembí em 2012, cabe menção á bateria da escola, firme, sob o comando de mestre Tadeu e à Camila Silva, rainha de bateria mais bonita do carnaval paulistano.

Rosas de Ouro: 'Jogando em casa' a Rosas foi uma das mais aplaudidas da noite, mas esse não foi o único motivo. A escola foi a que mais se preocupou em levar componentes uniformizados e de diferentes segmentos, tudo capitaneado pelo carnavalesco Jorge Freitas, ex-Portela e Gaviões, que desenvolverá o enredo 'O Reino dos Justus', uma história fictícia com elementos reais e inspirados na Hungria, terra dos antepassados do apresentador Roberto Justus, que será homenageado no enredo. O samba apenas conta o enredo sem muita inspiração, o que não falta na interpretação de Darlan Alves. Emocionante também a homenagem feita para mestre Tornado, que perdeu sua mãe, Enerina Telles, menos de 24 horas antes da apresentação da escola.

Tucuruvi: Apesar da temática afro estar batida no carnaval, o enredo da Tucuruvi busca uma viagem à África primitiva para tentar conquistar o título que não veio por um triz em 2011. Como de praxe, o tema rendeu um dos melhores sambas do carnaval ao lado de Vai-Vai e Mocidade Alegre e o sangue novo de Igor Vianna no carro de som será um detalhe a mais. A bateria de Adamastor continua ousada e chamou bastante a atenção na noite desta sexta-feira.

Mancha Verde: Que bateria! O melhor ritmo da noite ao lado do Império de Casa Verde. Perfeito equilíbrio de tonalidade entre os instrumentos e andamento que valorizou ainda mais o bom samba que a escola tem. A Mancha será mais uma em 2012 a levar a temática afro para o Anhembí. A argumentação do tema refere-se ao despertar do homem para as coisas ruins que acontecem no mundo e os ensinamentos deixados pelos orixás para combatê-los. Freddy Viana, que já foi cobiçado por algumas escolas do Rio, deu o show habitual.

Dragões da Real: Em sua estreia no Grupo Especial, a Dragões da Real – oriunda de uma organizada do São Paulo Futebol Clube – apostará na carga emotiva para manter-se na elite. Falando sobre o amor materno, o carnavalesco Eduardo Caetano parece mostrar criatividade no desenvolvimento do tema e o samba é ideal para quem vai abrir uma noite de desfiles, combina poesia e pegada na medida certa. Quem mais se destacou durante a apresentação foi a rainha de bateria Simone Sampaio, mostrando muito samba no pé.

Pérola Negra: Apresentação um puco arrastada devido a melodia cansativa do samba. Apesar do esforço do bom intérprete Douglinhas e da bateria de mestre Bola, que mostrou alguns desenhos rítmicos interessantes nos surdos de terceira, o público não reagiu com muito entusiasmo. Já os componentes mostraram a conhecida raça e samba no pé da Vila Madalena. O município de Itanhaém, segundo mais antigo do Brasil, é o tema do enredo.

Mocidade Alegre: Apresentação que mostrou a força da escola, que quer apagar a má impressão deixada no último carnaval. O samba pode ser apontado facilmente como um dos melhores do ano em São Paulo e a interpretação de Clóvis Pê foi destaque mais uma vez, assim como a bateria do ótimo mestre Sombra. O enredo é afro, mas criativo. Inspira-se no livro Tenda dos Milagres, escrito por Jorge Amado, que a tradição do Ojubás – olhos de Xangô.

Águia de Ouro: A Águia de Ouro tem um dos melhores enredos do carnaval paulistano em 2012, falará sobre a Tropicália e a escola parece viver bem o espírito do tema. Apresentação de ótimo nível, embalado pelo astral elevado dos componentes, a interpretação de Serginho do Porto e a bateria de mestre Juca. Destaque também para a elegância e beleza da dança do casal David Sabiá e Fernanda Love.

Unidos de Vila Maria: Mesmo com o palco não tão entrosado, a Vila Maria se apresentou bem na noite desta sexta-feira. A bateria mostrou a pressão habitual e o samba obteve boa resposta do público. A obra, que fala sobre a criação do Mundo até os dias atuais, dando ênfase ao trabalho dos artesãos, tem uma boa melodia, mas apresenta passagens sem muita criatividade em sua letra, já vistas diversas vezes em outros carnavais.

Gaviões da Fiel: A apresentação dos Gaviões começou embalada pelo recente título nacional conquistado pelo Corinthians. Os componentes não esconderam a empolgação ao levarem faixas lembrando a conquista e ao tentarem transformar a quadra da Rosas num verdadeiro Pacembu. Com o início de fato da apresentação, o foco voltou a ser a escola em si, que tem um samba com apelo emotivo, servindo perfeitamente à tradição da agremiação e tocando o coração dos fanáticos corintianos, apesar de faltar poesia à obra. Mesmo que prematuramente é forte candidata ao título! Lula é Lula!

Tom Maior: A Tom Maior acabou sendo um pouco prejudicada pelo cansaço do público, que esperou até às seis da manhã para ver a sua apresentação e passou pelo efeito pós-Gaviões também. Apesar disso, não faltou vontade e simpatia aos componentes da escola, que pareciam não ligar para a pouca reação da plateia. Vibrante também foi a apresentação de Renê Sobral, que deu vida ao samba em alusão ao bom enredo da escola. O excessivo valor aos bens materiais e o distanciamento das pessoas com o valores espirituais será contado no Anhembi.

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