Sob os gritos de “É campeã”, Mocidade Alegre balança as arquibancadas em busca do tri

 

 

Um baile! Tudo bem que o enredo da Mocidade Alegre falava sobre a fé em forma de procissão, porém o que se viu na madrugada deste domingo, 2, no Sambódromo de São Paulo, foi um verdadeiro baile de carnaval em forma de desfile de escola de samba. A escola do Bairro do Limão provou que um bom samba faz a diferença. Com uma excelente apresentação de Igor Sorriso, que estreou como intérprete oficial da escola, a agremiação colocou as arquibancadas para cantar como poucas vezes se viu no carnaval paulistano. A bateria comanda por Mestre Sombra deixou claro porque é uma das melhores da Terra da Garoa, realizando bossas que mexeram com o público. O auge da apresentação da escola se deu durante a execução da bossa no refrão principal. No verso “De joelhos eu vou cantar”, a bateria parava de tocar e toda a escola se ajoelhava, levando ao delírio o público presente no Anhembi.

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“Guiados pela fé”, a comissão de frente da Morada do Samba realizou sua apresentação mostrando que ter fé é acreditar naquilo que não se tem em mãos, com movimentos fortes e uma coreografia bem elaborada. Sob as bênçãos de membros da Velha Guarda que atuaram como guardião da dança, o casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, formado por Emerson Ramirez e Karina Zamparolli, se apresentou com uma fantasia leve feita em plumas em tons de amarelo, laranja e branco.

O carro Abre-Alas da Mocidade Alegre retratou a fé do ser humano e sua incrível capacidade de acreditar naquilo que não consegue ver. A alegoria era acoplada e decorada com representações de velas que iluminavam as esculturas de olhos fechados.

Sob a regência de Mestre Sombra, a Bateria Ritmo Puro representou a tradição indiana do hinduísmo. Os ritmistas contaram com o auxílio do grupo cênico Meninos da Morada, que realizou um desempenho dentro da bateria, inclusive realizando a entrada e saída do recuo mesmo com um figurino diferente dos ritmistas.

As casas da fé foram representadas na segunda alegoria do desfile. Com igrejas, altares e templos estilizados, a parte lateral do carro contou com grandes esculturas de deuses hindus. No alto da alegoria, o destaque principal simulava estar no céu, direito que havia conquistado através das manifestações de fé.

No terceiro setor do desfile, a escola do Bairro do Limão deixou uma mensagem de respeito às crenças individuais dos seres humanos. Representados por cristais, caveiras, galhos de arruda e figa de guiné, a terceira composição da escola trouxe a escultura de uma baiana com seu tradicional defumador de ervas, simulando um terreiro de candomblé e perfumando o Anhembi. O carnavalesco ainda reservou um espaço para mostrar as superstições populares representadas pela enorme escultura do gato preto na parte de trás do carro.

A Ala das Baianas da Mocidade Alegre representou a magia das ciganas que procuram ler o destino na palma da mão. Diferente de outras escolas, a ala trouxe junto com as baianas devidamente fantasiadas, membros da velha-guarda com figurinos mais leves.

A curiosidade ansiosa do ser humano em saber o que lhe espera gerou um enorme mercado de fé, baseado nas previsões do futuro. A tradicional imagem do vidente que enxerga o futuro, fazendo previsões na bola de cristal foi representado com maestria no quarto carro da Morada do Samba, que além da perfeita reprodução da mais conhecida forma de charlatanismo das crenças, reproduziu os mais diversos tipos de mercadores de fé.

A ala das crianças mostrou que ainda se pode ter esperança em um futuro melhor. Os petizes reproduziram a fé no Brasil, um país menino que ainda está em formação. Mesmo tendo que acelerar no fim do desfile, a Morada do Samba deixou o Anhembi sob os gritos de “É campeã”, encerrando sua apresentação aos 65 minutos.

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