Super parceria de Martinho, André Diniz e Arlindo vence samba da Vila Isabel para o Carnaval de 2016

Quase uma aclamação: por apenas um voto, o samba da parceria de Martinho da Vila não foi campeão por unanimidade na disputa de samba da Vila Isabel para o Carnaval de 2016. Com quatro sambas no páreo, a 'super parceria' venceu com folga na votação, apurada abertamente pelo presidente da escola, Luciano Ferreira, e conquistou 19 dos 20 votos da comissão julgadora da escola. A conquista é a décima quinta de Martinho, a décima sexta de André Diniz, a quarta de Arlindo Cruz, a décima terceira de Leonel e a primeira de Mart'Nália na Azul e Branca de Noel. Numa noite em que o 'povo do samba' esteve ao lado de grandes nomes da política nacional, por conta do enredo 'Memórias de Pai Arraia – um sonho pernambucano, um legado brasileiro' em homenagem a Miguel Arraes, a quadra contou com uma lotação de cerca de 4 mil pessoas para coroar o hino da escola para o próximo carnaval.

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O compositor Martinho da Vila, contou ao site CARNAVALESCO como foi a experiência de compor o samba campeão após ter escrito, ao lado do carnavalesco Alex de Souza, a sinopse da Vila para 2016: – O enredo foi importante. Criei junto com o Alex de Souza e também colaborei com o samba. Não acho muito legal isso, mas já fiz outras vezes, como no carnaval sobre Noel Rosa. As pessoas aqui não ligam não. Acho que vamos fazer um grande carnaval e ganhar as pessoas pela emoção. O samba ainda deve sofrer algumas alterações, nós corremos com ele porque já estava na hora de apresentar. Os sambas sempre são ajustados depois das vitórias e esse vai ficar ainda mais legal. Temos uma parte melódica muito boa. Espero um grande carnaval da Vila, na linha do nosso desfile de 2013 – contou Martinho, que também é presidente de honra da agremiação.

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Leonel, em sua décima terceira vitória na Vila, afirmou que seu trecho preferido na obra campeã é a parte que antecede o refrão principal, com os versos “Tão bom cantarolar, me emocionar, estar aqui”. Leonel disse ser “uma honra” compor com nomes como Martinho e Arlindo e comparou o samba para 2016 com o de 2013, o antológico “Festa no Arraiá”. – Foi um samba muito legal de fazer. Nós nos reunimos umas quatro vezes, algumas vezes na casa da Mart'Nália, outras na do Martinho. Compor com nomes como esses nos dá uma tranquilidade enorme, pois sabemos que a qualidade vai ser boa. Eu e o André já tínhamos muitas vitórias na Vila, mas com o Martinho fizemos o “Festa no Arraiá”, que foi maravilhoso, e agora estamos repetindo o sucesso com esse samba.

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A apresentação da parceria campeã foi repleta de efeitos especiais para embalar o canto dos diversos jovens que foram para a quadra torcer pelo samba. Alunos do compositor André Diniz, em sua maioria, a torcida manteve o canto regularmente durante a apresentação da obra e se empolgou especialmente com o refrão iniciado pelo verso 'Pra fazer a cartilha no cordel', além do refrão principal. Os intérpretes Wander Pires e Tinga tiveram papel especial ao dar voz à canção, embora os primeiros momentos de apresentação tenham sido tensos por conta dos problemas com o volume do microfone de Wander, abaixo do que foi combinado pelo cantor com o controle da mesa de som. Durante o samba, balões caíram do alto do teto da quadra, coloridos e nas cores da escola. Além disso, bombas de serpentina animaram os torcedores e efeitos pirotécnicos na parte superior do palco também impressionaram. No canto, não se tratou de uma apresentação irretocável, mas foi, de fato, o samba mais cantado da noite. A distância em relação às outras parcerias foi tão notável que poucos minutos após o término da apresentação do último samba finalista, os votos já estavam nas mãos do presidente Luciano para serem contados.

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O carnavalesco Alex de Souza contou ao CARNAVALESCO quais foram os seus critérios para escolher um samba campeão. Ele é parte da comissão que elegeu o samba da parceria de Martinho. Na leitura dos votos feita pelo presidente Luciano Ferreira, o voto de Alex foi da parceria vencedora: – Além de descrever muito bem o enredo, o samba precisa motivar o componente a cantar e se sentir feliz e contagiar as arquibancadas e os jurados. Tivemos obras que descrevem muito bem o enredo, mas é importante que a comissão escolha o melhor para representar a escola e o enredo. Acho que estaremos em boas mãos. Acho que as pessoas podem esperar um carnaval sério da Vila, não sisudo, mas bem trabalho, com uma boa pesquisa, bonito e bem caprichado. Vamos colocar na rua um carnaval bacana, grande e muito bonito. Já temos três carros saindo da fase das ferragens e entrando na madeira e estamos reproduzindo nossas fantasias – revelou Alex.

Vídeo: a emoção dos compositores vencedores da Vila Isabel na hora do resultado

Igor Sorriso elogia inovação de cantar todos os sambas finalistas

Igor Sorriso, intérprete da Vila, elogiou a safra de sambas que a agremiação recebeu e se mostrou satisfeito com a inovação de cantar todas as obras finalistas: – A ala de compositores da Vila dispensa comentários, tivemos uma safra muito boa. Agora, na quarta-feira já começamos os trabalhos com o samba campeão. Essa inovação de cantar os quatro sambas na final foi uma decisão de todos nós aqui da Vila e eu acho que é uma ideia muito bacana mesmo. É importante ouvir o samba antes na voz do cantor e é bom porque, após o anúncio, eu já vou ter conhecimento do samba, então vou poder desenvolver melhor meu trabalho.

Com a vitória da 'super parceria', o compositor André Diniz se igualou ao recorde do compositor Paulo Brazão e alcançou a marca de dezesseis sambas na escola: – É a décima sexta vitória na Vila. O Arlindo se transformou em um amigo que está sempre comigo e frequenta a minha casa. Compor com o Martinho é como um sonho de menino, também se tornou meu amigo. É legal ver a primeira vitória da Mart'Nália com a gente. Acho que o samba é histórico, não só pelo tema, mas pela parceria de estilos completamente diferentes e difíceis de conciliar. O resultado ficou legal, embora a primeira impressão tenha sido ruim por causa de uma gravação que fizemos: pareceu que o samba era só bom, mas ele é mágico – afirmou o compositor que convocou seus alunos e admiradores para estarem na torcida e acompanhou emocionado a maciça presença de seus convidados para torcerem pelo samba.

Mestre Wallan destaca amadurecimento da bateria

A Swingueira de Noel deu o tom para a vitória da parceria com a promessa de tocar 'para a comunidade' no próximo carnaval. Em busca dos décimos perdidos em 2015, quando a bateria foi o maior quesito na apuração da escola, Mestre Wallan conta que seu amadurecimento se reflete na bateria e que conta com a ajuda de três mestres para seguir atuando à frente dos ritmistas: – Acredito que eu amadureci desde que assumi a bateria e isso trouxe um amadurecimento pro grupo. Hoje ouço conselhos do Trambique, do Mug e do Peri. Pedi ajuda a eles, são sábios do carnaval. Para 2016, vamos tocar para a comunidade. Tenho notado pelas justificativas que menos é mais, então, não vamos apostar muito em bossas e paradinhas, vamos tocar para sustentar o samba que a comunidade escolher – afirmou o mestre.

Apesar das presenças marcantes de Martinho, André Diniz e Leonel, a 'super parceria' se apresentou na quadra sem contar com a presença de dois grandes expoentes: Arlindo Cruz e Mart'Nália. Ambos tiveram compromissos artísticos e não puderam comparecer à final de samba. Arlindo, impedido de ir por conta de compromissos na agenda, foi representado pela esposa, a empresária e ex-porta-bandeira Babi Cruz. Além das estrelas da parceria, prestigiaram a final da Vila autoridades como a Ministra do Tribunal de Contas da União e filha do homenageado Miguel Arraes, Ana Arraes; Marília Arraes, vereadora de Recife e neta do homenageado; o senador pelo PRB Marcelo Crivella; a deputada estadual pelo PSB do Rio de Janeiro, Aspásia Camargo. Abrilhantaram a festa também Guel e Luiza Arraes, diretor e atriz de TV, e Antônio Campos, também familiares de Miguel. Entre as celebridades, Sabrina Satto e a atriz Isabel Fillardis foram os grandes destaques da noite.

Casal sai da frente da bateria e desfilará na cabeça da escola

Tão concorridos quanto as estrelas e autoridades presentes na quadra, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila, Phelipe Lemos e Dandara Ventapane já está ensaiando para o carnaval. Eles vão desfilar no primeiro setor da escola e não próximos à bateria, como ocorreu na Vila em 2015: – Viremos no primeiro setor, então representaremos uma característica forte de Pernambuco. Conhecemos a ideia da fantasia e já tiramos as medidas. Estamos ensaiando e diversificamos nosso treinamento para buscar melhorar cada parte do que levaremos para a Avenida – conta Dandara.

Phelipe conta que o casal tem a ajuda do irmão da porta-bandeira, Raoni Ventapane, para auxiliar na preparação física rumo ao próximo carnaval: – Ensaios bastante: três vezes por semana, com uma preparação física com o Raoni, irmão da Dandara. Acreditei bastante no meu trabalho e no meu potencial para tomar a decisão de sair da Imperatriz. Achei que pudesse ficar de fora do carnaval, mas Deus me colocou novamente em casa e vamos buscar as notas máximas para devolver o brilho que a Vila Isabel tem – afirmou o mestre-sala.

Presidente diz que enredo não tem patrocínio

O presidente Luciano Ferreira anunciou o samba campeão declarando os votos de todos os segmentos. Luciano afirmou ter buscado a forma “mais democrática” para a decisão e reforçou que a atual diretoria está empenhada em dar à Vila um grande carnaval. – Não podia ser eu sozinho a escolher o samba. Por isso, quis que cada segmento tivesse direito à voto e que esses votos fossem abertos. Esse procedimento foi feito para evitar qualquer acusação de que eu teria manipulado o resultado. Quando eu assumi como presidente, as pessoas não acreditavam que eu ficaria nem até a final. E eu estou aqui, tocando bem o barracão, conseguindo reabrir a quadra que tinha sido interditada por conta de uma gestão anterior à minha. Posso garantir que a Vila vai fazer um desfile com garra.

O presidente disse que ainda não há nenhum apoio financeiro estabelecido com a família Arraes ou o governo de Pernambuco. Luciano afirmou que a Vila deve fazer seu carnaval apenas com a subvenção da Prefeitura do Rio, da Liesa e da Rede Globo: – Nós, a princípio, faremos o carnaval apenas com o dinheiro da subvenção. Porém, esse dinheiro está de fato sendo investido no carnaval da Vila. Portanto, as pessoas podem esperar o resultado desse investimento na Avenida.

Diretor de carnaval comenta a possibilidade de alterações na letra do samba campeão

Bocão, um dos membros da comissão de carnaval da Vila, defendeu que o samba campeão era “o que a escola queria”. Bocão comentou também a declaração de Martinho para o site CARNAVALESCO essa semana, que havia dito que faria mudanças no samba após a vitória. – Nós nos reuniremos segunda ou terça para decidir se faremos alguma alteração na obra. Vai ter que ser uma decisão conjunta entre a diretoria e os compositores. Eu, particularmente, acho que o samba está muito bom assim, mas pode ser que tenham pensado em algo melhor.

Confira como foram as apresentações dos outros três sambas finalistas:

Parceria de Jaiminho Harmonia: A torcida levou bandeiras nas cores da escola para quadra, e uma bandeira do estado de Pernambuco, e contou com balões infláveis em formato de coração e um balão dourado com o número '3' de inscrição. Havia um número considerável de pessoas torcendo pelo samba, mas ele não contagiou os segmentos da agremiação. Foi o único samba votado além do de Martinho da Vila, com um voto do Departamento Cultural da Vila. A maioria dos torcedores balançava as bandeiras, mas não cantava o samba. As passadas só da torcida foram irregulares até a entrada do intérprete Igor Sorriso no samba. A apresentação acabou com os torcedores gritando 'É campeão'.

Parceria de J.P: Com uma torcida pouco numerosa, foi a apresentação menos empolgante da noite. Os poucos presentes não sabiam cantar a letra da obra e estavam munidos de bandeiras e balões para torcer. O início do segundo refrão, com o verso 'Legado de Pai Arraia' era um pouco mais cantado que o restante do samba, mas não o suficiente para levantar a obra na quadra. 

Parceria de Alcir Hygino: Apesar da torcida não muito numerosa, foi a segunda melhor apresentação da noite, atrás do samba campeão. Os torcedores cantaram o samba em diversos momentos da apresentação, com grande destaque para o refrão do meio com o controverso trecho 'A Vila tão seca de bons resultados'. Os cantores também tiveram problemas com a regulagem do volume na mesa de som. Com bandeiras e balões, a torcida foi valente, mas o samba não contagiou os segmentos da escola. Último samba a se apresentar, a parceria sofreu com o esvaziamento da quadr no fim da noite.