Surpresa: samba da parceria de Ginho é o hino da União da Ilha em 2013

Eles estavam longe de ter a maior torcida da noite na quadra da União da Ilha. O samba da parceria entre Ginho, Junior, Vinicius do Cavaco, Eduardo Conti, Professor Hugo e Jair Turra não tinha muitos simpatizantes, mas isso não foi problema. Os compositores foram os vencedores da final que aconteceu neste sábado, e terão sua obra como o hino oficial da União da Ilha do Governador em 2013.


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– É a primeira vez que venço aqui na Ilha. Estou em êxtase, porque jamais pensei em vencer. Só tinha parceria campeã, disputando pra valer, com cantores de ponta. Enquanto nós viemos com muita garra, eu junto com todos da parceria. Isso que está acontecendo comigo é mágico, não dá pra acreditar. Conseguimos, juntos, vencer de gente grande. Gente que merece todos os meus aplausos por tudo que já fizeram – explicou, emocionado, Junior.

Ginho, que também venceu pela primeira vez na Ilha, definiu a emoção da vitória em poucas palavras. – A sensação é a de um triunfo numa final de campeonato. Estou muito emocionado e feliz! Eduardo Conti, que foi campeão na Ilha pela segunda vez (no ano passado, ele venceu em outra parceria), assumiu ser torcedor da Ilha desde criança e falou sobre o seu sucesso na curta, porém vitoriosa carreira como compositor. – Há apenas três anos eu comecei a compor. Venci no ano passado e conquistei mais uma vitória nesse ano. Me sinto mais do que vitorioso. Me sinto honrado em representar essa escola maravilhosa.

Apresentações dos finalistas

A parceria de Ginho foi a primeira a subir no palco. Apesar de não ter muitos simpatizantes, a torcida presente, que tremulava diversas bandeiras, cantava o samba finalista com muita empolgação durante toda a apresentação, fazendo, inclusive, pequenas coreografias nos refrões da obra, trechos onde algumas pessoas espalhadas pela quadra chegavam a cantar. Junior Conduziu o samba visivelmente emocionado e, no momento em que a bateria e os cantores pararam, a torcida cantou com muita vontade as três passadas.


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Depois foi a vez da parceria de Walkir subir ao palco. Com uma grande torcida, que ocupava diversas partes da quadra, o samba começou regular no canto e foi melhorando com o decorrer da apresentação. Diferente da primeira parceria a se apresentar, a de Walkir contava com alguns simpatizantes da obra espalhados na pista e nos camarotes da quadra, que cantavam, com muita força, o refrão principal do samba. Durante o “paradão” da bateria, a torcida levou a composição com segurança.

A terceira parceria, de Marcinho e Cia, era uma das favoritas da noite. Conduzidos pelo intérprete Tinga, o samba tinha uma torcida numerosa espalhada por toda a quadra, além dos simpatizantes, que traziam o samba na ponta da língua e cantavam com muita vontade, inclusive no camarote do presidente da escola. A entrada da bateria fez o público se animar ainda mais e, quando precisou levar o samba somente na voz, a torcida, que contou até com uma bela coreografia, não decepcionou.

Fechando as apresentações dos finalistas, a parceria de Marinho, que contava com a presença do jornalista Alex Escobar, encerrou muito bem a disputa. O canto da torcida, junto com os diversos simpatizantes, se tornava cada vez mais forte a cada passada do samba. Nos camarotes, não eram muitos os que acompanhavam a apresentação com empolgação. Porém, na pista, a torcida se dividiu em pontos diferentes e contagiou os que estavam próximos.

Presidente

Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente da escola, Ney Filardi, falou sobre a importância de um samba para o sucesso da escola. – Acredito que o samba representa 80% da escola. Se a gente for analisar os quesitos julgados, são poucos os que o samba-enredo não interfere. A obra tem um valor muito grande para o sucesso de um desfile. A disputa foi ótima e os finalistas eram sambas belíssimos, mas acredito que fizemos uma boa escolha e esse samba será um grande sucesso – afirmou Ney, brincando quando perguntado quanto a escola pretende investir para o próximo carnaval. – Vamos investir aquilo que conseguirmos (risos).

Carnavalesco

Alex de Souza contou sobre os seus pedidos aos compositores no momento em que entregou a sinopse. – Foi um trabalho extenso, foram dois meses de trocas de ideias, entre outros. O desafio que todos nós temos em homenagear o Vinicius é enorme devido à história dele. Pra qualquer compositor é uma honra e uma responsabilidade muito grande. Eu só posso esperar que a escola tenha escolhido o melhor pro nosso desfile e o mais próximo do que seria o ideal para homenagear um grande poeta, como foi o Vinicius – contou.

O carnavalesco da União da Ilha também falou do que representa o samba para o desfile da escola. – O valor do samba é gigantesco, porque, além de ser um dos quesitos, ele interfere direta ou indiretamente em quase todos os outros. Se você tem um conteúdo maravilhoso para o desfile e o seu samba não vai de encontro com isso, o desfile vai por água abaixo. E só nos resta esperar o grande dia para ver como será. Porque a eficiência de um samba pode se dar na hora do desfile. Muito samba que não é considerado tão bom funciona, e o mesmo pode acontecer de maneira inversa. Nesse ano nós perdemos pontos em samba-enredo em um momento da apuração que a Portela disparou e nós ficamos para trás. Se tivéssemos um samba tão bom quanto o da Portela, teríamos uma chance maior de ficar entre as campeãs. A gente torce para que, nesse ano, a gente possa ser feliz na escolha tendo um samba que nos represente muito bem.

Por fim, Alex explicou como anda o trabalho no barracão, tendo a diferença do Carnaval de 2013 ser no início de fevereiro. – A escola sempre antecipa tudo o máximo possível. Em agosto, já começamos o trabalho de alegorias. A construção de quatro alegorias já está em andamento hoje e, nessa semana, começamos a quinta. Ao todo, em 2013 teremos sete carros alegóricos e quatro tripés. Ou seja, o trabalho está mais ou menos adiantado. Apresentaremos os protótipos das fantasias na semana que vem e, logo em seguida, começaremos a reproduzir as alas. A escola sempre foi comprometida com relação a tempo e acredito que esse fato do Carnaval ser no início de fevereiro não vai nos afetar. A única preocupação que eu tenho, que eu espero estar me preocupando sem necessidade, é a respeito do nosso enredo ser um dos poucos que não são patrocinados. Nós não temos ajuda financeira e eu temo que não possamos ter todo o brilho que gostaríamos de usar no nosso desfile, mas é trabalhar com criatividade pra alcançar um ótimo resultado.

Mestres de bateria

Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre Riquinho contou como está sendo a parceria com o mestre Odilon. – Está dando tudo muito certo. Esperavam que teríamos algum problema, alguma dificuldade, mas a parceria está dando mais certo do que esperávamos. Se Deus quiser, a resposta vai ser dada na avenida – disse Riquinho, explicando que ele e Odilon deixaram para preparar as novidades na bateria depois da decisão do samba de 2013. Ele fez uma breve avaliação do 'novo Sambódromo'. – Complicado. Sempre que tem uma grande mudança assim é complicado. Não me agradou, principalmente porque, na minha opinião, o jurado ficou muito distante da avenida, mas só nos resta trabalhar para superar esses problemas.

Odilon confessou que a parceria está sendo um aprendizado para ele. – Está sendo uma experiência maravilhosa. Estou há muito tempo fora da Ilha, que é a minha escola de coração, e o Riquinho me recebeu de braços abertos. Ele foi da mirim comigo e, agora, estamos tendo a oportunidade de trabalhar juntos. Acho que, com ele, tenho mais a aprender do que a ensinar e dar andamento a esse trabalho é muito bacana – afirmou Odilon, falando também que pretende fazer um resgate no coração da escola. – Queremos resgatar a identidade da bateria da União da Ilha. Vamos dar uma resposta aos jurados que afirmaram que a nossa bateria estava sem identidade, então a nossa ideia é mostrar a nossa bateria com identidade, CPF e tudo mais que tiver para apresentar (risos).

Mestre Odilon também criticou o novo posicionamento dos jurados. – Eu acho que a distância atrapalha. Passamos a mais de 20 metros do jurado. Pra avaliar a bateria de maneira justa, o jurado tem que estar o mais próximo possível da bateria, porque é um quesito onde a audição vale mais que qualquer outra coisa. Se você ouvir uma bateria 20 metros longe dela e ouvir a mesma bateria de perto, são duas coisas completamente diferentes.

Intérprete

Ito Melodia falou sobre os sambas que chegaram à final e afirmou que todos estavam aptos a ser o hino oficial da escola no próximo carnaval. – São quatro sambas maravilhosos. Entregamos a decisão ao nosso presidente e tenho certeza que a escolha vai ser a melhor para a nossa escola. Gravei os quatro sambas e qualquer um deles vai nos representar com muita alegria e felicidade na Sapucaí. Temos dois mestres de bateria que fizeram uma parceria incrível e isso vai ajudar ainda mais no sucesso do samba vencedor.

 

 

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