Tanta coisa acontecendo e nada aconteceu

Depois de tanto tempo, um longo inverno, gélido inverno na cidade do Rio de Janeiro, peço desculpas aos queridos leitores e volto com meus devaneios neste espaço tão nobre. Quase como um congelado não apenas pelas madrugadas frias do Rio de Janeiro, mas pelo tempo sem colocar a prosa em dia, constato que muita coisa aconteceu. Qual não é minha surpresa ao verificar que tudo que aconteceu nada ou muito pouco resultou em mudanças significativas no quadro de alguns meses atrás.

Especialmente no que tange aos grupos de acesso, escolas foram removidas dos seus barracões no Carandiru; foram oficializadas como blocos de enredo; ouvem-se outra vez rumores sobre mudança dos locais de desfile; dias de desfile e de concreto nenhuma decisão, apenas rumores. As escolas que sabiam que o “Porto Maravilha” as desabrigariam, continuam sem espaço adequado para trabalhar. O Grupo B continua na terça. As escolas da AESCRJ continuarão na Intendente mas sob o risco de se exilarem em Deodoro.

E nessa ciranda, permanecem as escolas dos grupos de Acesso reféns do descaso, da inércia de autoridades e inclusive seus dirigentes. O paradoxal é notar que estes mesmo sendo os primeiros e mais atingidos, os que deveriam movimentar-se procurando alternativas e planejando ações em defesa das suas escolas, estes mesmos assistem dóceis ao trator que o poder público em nome de sabe-se lá quem, pois o povo não é, aponta em direção aos menos favorecidos.

Sorteio da AESCRJ. Com as plenárias pré e pós-realização dos sorteios da AESCRJ vários alertas feitos neste espaço e neste site com meses de antecedência, mais precisamente antes dos desfiles de 2011, causam clamor no grande público e até mesmo na grande mídia. O mais chocante e que causou maior comoção entre os sambistas é a execução de mais seis agremiações no carnaval de 2012. Todos os que defendem esta fórmula, voltam com o discurso meritório e de enxugamento do quadro. É o discurso da Prefeitura, da LIESA e rapidamente incorporado pela AESCRJ. Os que são contra, rebatem causando reflexão em torno da natureza dos blocos de enredo. E no meio dessa efervescência as escolas do Grupo E terão que trabalhar muito, não simplesmente desfilar, mas preparar desfiles para ganhar o carnaval e mesmo assim correr o risco de não existir mais enquanto escola. Duas escolas já saem perdendo com suas posições de desfile e até pelo que vem apresentando nos últimos anos: Canários das Laranjeiras e Imperial. Respectivamente primeira e última a desfilar precisam de uma revolução interna e desfiles bem acima dos apresentados nos dois últimos anos para escapar das seis últimas. A Matriz de São João por outro lado amplia suas chances se mantiver o pique dos últimos carnavais sendo a sétima escola a desfilar.

No Grupo D o Dendê finalmente conseguiu ficar bem longe do horário de desfile da União da Ilha, importante para a escola que conta com muito apoio e falará da maior escola da Ilha do Governador. Será um grupo equilibrado, difícil apresentar um favorito pra subir ou descer, mas algumas escolas, como a Vizinha Faladeira e Corações Unidos do Amarelinho precisam se organizar com urgência para ao menos ficar no grupo. A Vizinha terá que lidar inclusive com despejo de sua quadra e barracão, uma situação extremamente delicada em que se coloca a escola do Santo Cristo.

Finalmente o Grupo C repetirá o equilíbrio do D e do próprio grupo no ano passado. Promessa de uma grande noite de desfiles. Eu particularmente fico ansioso para assistir a sequência de Praça Seca, Vila Kennedy, Arrastão, Favo, Villa Rica e Em Cima da Hora. Simplesmente as escolas que disputaram o título do grupo no último carnaval antecedidas pela campeã do D e E, Praça Seca. O encerramento também promete com Boi da Ilha, Jacarezinho e Cabuçu.

Independente de São João de Meriti. Rumores vindos da baixada na última plenária da AESCRJ davam como certa a licença da Independente para o carnaval 2012. O motivo seriam as dividas que a escola acumula de antigos carnavais. Um grupo diante de tal cenário antecipou-se para salvaguardar escola de trajetória tão bonita e faz o possível para que o temerário não aconteça, a escola desfile e não enrole a bandeira. Seria mesmo uma pena perder um pavilhão que marcou os desfiles do grupo B na história recente com enredos “classudos” e sambas excelentes.

Cumprindo a promessa. Honrando compromisso assumido com os leitores eu trago os derradeiros vídeos que fecham a série com os desfiles do carnaval 2011 no Grupo C. Dos vídeos apresentados aproveitei ainda e fiz uma compilação com os sambas ao vivo deste carnaval. Quem quiser pode baixar no link: http://www.4shared.com/folder/wCJnrZkZ/2011.html 

 Flor da Mina do Andaraí 

Até bem pouco tempo a Flor da Mina estava no grupo B desfilando na Sapucaí e era uma escola temida na Intendente por sua trajetória de sucesso nesta pista de desfiles. Este ano não teve a mesma sorte e acabou rebaixada. Tudo bem que a chuva atrapalhou e esfriou os componentes, mas eu esperava um rendimento melhor do bom samba.

Acadêmicos da Abolição 

Aqui já temos o primeiro desfile de 2011 com o sol raiando. Vemos a Acadêmicos da Abolição, simplesmente a melhor bateria da Intendente Magalhães há pelo menos três anos. Tenho verdadeira fascinação por desfiles de dia. Atualmente, o politicamente correto condena, as pessoas evocam o desgaste, as longas horas de concentração, a falta de público. Talvez isso não seja um fim em si mesmo. Talvez o desgaste tenha aumentado pois a resistência das pessoas em relação a um desfile diminuiu. Enfim, talvez para essas pessoas os desfiles estejam chatos, tão chatos que ver uma escola pela manhã é algo enfadonho. Eu ainda considero maravilhoso.

Corações Unidos do Amarelinho

 

 

O Amarelinho é um exemplo daquelas escolas que tem uma ascensão meteórica e uma queda vertiginosa. É realmente impressionante ver como a escola perdeu o rumo. Desfilou reduzidíssima em 2011 e bem abaixo da sua vizinha Favo de Acari que comentaremos a seguir.

 

Favo de Acari

 

 

 

Fechou com chave de ouro os desfiles do Grupo C em 2011. Já passavam das 8 horas da manhã quando Gonzaguinha puxou os primeiros acordes do esquenta. A escola foi perfeita em tudo, tanto que por alguns décimos não conquistou o título. Notem que os argumentos de quem defende o fim dos desfiles pela manhã também vão por água abaixo com esse desfile. Note que mesmo no incrível horário os componentes pulam e a escola foi a mais vibrante do grupo. Bateria, casal, comissão de frente… Tudo afiado e perfeito e irretocável, só faltou um cuidado maior com o samba.

 

O que vem por ai. Espero voltar a ser assíduo e disciplinado neste espaço valoroso que me cabe. Assim sendo, trarei as novidades do samba no norte do país que travei contato e pude conferir diretamente em viagem recente. Aos que gostaram e os que odiaram esta se sintam a vontade para entrar em contato com o autor em delezcluze@gmail.com