Técnica, Portela apresenta chão impecável e se credencia para o bicampeonato

Por Guilherme Ayupp

portela_desfile_2018_91-5A Portela definitivamente voltou ao seu lugar. Depois de conquistar o campeonato no ano passado e desde 2014 regressar entre as escolas campeãs, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira provou na avenida em seu desfile no Carnaval 2018 que está entre as escolas mais competitivas do carnaval. A águia altaneira deixou a mensagem de que disputará novamente o campeonato com o melhor chão da pista até então no Grupo Especial. O canto do portelense carregou um desfile que se aproximou da perfeição no aspecto técnico. Entretanto, alguns detalhes podem comprometer a conquista. O principal deles foi o conjunto alegórico, que não acompanhou o bom nível dos figurinos e dos já citados bons momentos na pista.

Harmonia

portela_desfile_2018_24Sem dúvida, a harmonia mais competente do Grupo Especial. Da primeira à ultima ala da azul e branca, o canto se mostrou linear, coeso e empolgante. O portelense não apenas cantava, ele deixava a clara mensagem de que o fazia com o desejo de quem tem a intenção de conduzir à escola a seu 23º campeonato. O trecho final da escola, sempre com pessoas mais cansadas, foi o ponto alto com os componentes tirando o canto do fundo. Muito provavelmente a Portela irá gabaritar o quesito.

Samba-Enredo

O destaque da apresentação da obra portelense foi a melodia do samba. Suas características impulsionaram o canto da escola. Rendeu ao desfile e possibilitou que a Portela cantasse e dançasse com muito vigor. O intérprete Gilsinho demonstrou toda a sua perícia ao cantar a obra com a habitual segurança. O cantor tem a cara da Portela e o componente se identifica com ele.

portela_desfile_2018_27-1Evolução

O desempenho da Portela na pista foi quase perfeito. Andamento de desfile sem qualquer percalço ou aceleração e lentidão. A escola deslizou pela pista sem nenhuma dificuldade. As alas demonstraram toda a técnica que a agremiação demonstra desde 2014. Componentes soltos, dançando, brincando o carnaval. Porém, a azul e branca pode perder pontos no quesito no primeiro módulo de julgamento. Um buraco foi aberto no momento da saída da bateria. O que pode não ser tão prejudicial é o fato de que uma eventual punição pode ser descartada.

portela_desfile_2018_17Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Apresentação arrebatadora de Lucinha Nobre e Marlon Lamar na estreia deles juntos na Portela. Toda a expectativa criada foi cumprida por eles. A fantasia tinha tons de azul e branco e muito brilho. Marlon trajava um chapéu que remetia à cultura nordestina, eternizado por Luiz Gonzaga, o rei do baião. O figurino representou os encontros culturais, ressaltando a mistura entre o judaísmo e o Nordeste, em uma fusão do elemento de ambas.

Comissão de Frente

portela_desfile_2018_16-3Atuação correta do grupo comandado por Sérgio Lobato. Nenhuma falha notada, embora, a apresentação não tenha atraído o público. Houve leitura entre a concepção e a realização. Imigrantes representados acima da embarcação trazida pela escola e abaixo integrantes simulavam o movimento do mar. A comissão da Portela trouxe a diáspora. A águia portelense conduziu os povos errantes que vagam em busca de um lar.

Enredo

A Portela executou corretamente a proposta de seu enredo na avenida. Uma temática densa que se mostrou clara através de alegorias e fantasias apresentados na Marquês de Sapucaí. Os setores eram bem distribuídos.

portela_desfile_2018_27-10O início da explanação trazia o sonho da liberdade, através da comissão, casal e do abre-alas da escola. A carnavalesca Rosa Magalhães contou sua história através da chegada de Maurício de Nassau às terras do Nordeste. O terceiro setor do desfile trazia a chegada dos judeus à terra da esperança, o Recife. O setor menos claro do desfile foi o quarto, que abordava aspectos como as batalhas de reconquista no estado de Pernambuco. No quinto setor um novo amanhã em Nova Amsterdã. A Portela encerrou a contagem de seu enredo abordando a mensagem de irmandade entre os povos.

Fantasias

portela_desfile_2018_36Rosa Magalhães demonstrou muito bom gosto na construção dos figurinos da Portela. Destacam-se as roupas situadas nos últimos setores do desfile, após o início do terceiro setor. Nesse aspecto se destacaram as fantasias das alas 11 e 12 que traziam a cana como riqueza, uma solução simples mas com excelente leitura. Antes da quarta alegoria, a ala 17, ‘Piratas’ foi uma das mais bonitas do desfile. Duas alas apresentaram problemas na maquiagem de seus componentes, que estavam saindo com o suor. A 18, ‘indios moicanos’ e a 25, ‘somos todos imigrantes’.

Alegorias

portela_desfile_2018_48O quesito mais destoante do desfile da Portela. O conjunto apresentado foi irregular. O abre-alas, que trazia a águia, tinha problemas de acabamento nas laterais. O símbolo maior da escola passou sem o destaque dos últimos carnavais. Na sequência o segundo carro, ‘Um príncipe holandês nas terras tropicais’ tinha falhas de acabamento e o casco do tatu não era fechado corretamente.

No terceiro módulo de julgamento o jurado do quesito precisou fotografar o momento que o casco era fechado pois ele se deu afastado do módulo.

No carro ‘A formosa Recife’ novos problemas de acabamento. O conjunto melhorou a partir do fim, com a quarta alegoria, a mais bela de todo o desfile. Rosa utilizou o recurso de pessoas para conferir movimentação à alegoria. Destacou-se também a quinta alegoria, ‘Nova Amsterdã’, que representou o novo povoado. O último carro do desfile também chamou a atenção por trazer a estátua da Liberdade, encerrando o desfile.