Técnica, Tatuapé exibe credenciais para o bicampeonato com desfile impecável

tatuape_desfile2018_-23Campeã inédita no carnaval de 2017, a Acadêmicos do Tatuapé mostrou na madrugada desta sexta em seu desfile no Anhembi que o campeonato do ano passado não foi um mero acaso. A agremiação exibiu todas as suas credenciais para o bicampeonato com uma apresentação tecnicamente perfeita no Sambódromo. O desfile foi impulsionado pela excelente harmonia da escola, sob a batuta do intérprete Celsinho Mody, que também se coloca como postulante a mais um prêmio Estrela do Carnaval. Com alegorias grandiosas e um belo conjunto de fantasias o Tatuapé fez o melhor desfile da primeira noite paulistana até então.

Enredo

Em seu desfile o Acadêmicos do Tatuapé defendeu o enredo que prestou uma uma homenagem ao estado do Maranhão retratando a formação do estado, a herança africana, seu patrimônio cultural, assim como suas lendas, festejos e crenças religiosas. A temática teve o desenvolvimento inicial abordando a chegada dos franceses no território onde hoje está o Maranhão. Passaram pela avenida também as influências africanas, bem como as lendas que tornam o povo maranhense um dos mais ricos folclores brasileiros, assim como a próxima relação do estado com a Jamaica. A tradicional culinária encerrou o desfile.

tatuape_desfile2018_-14Comissão de Frente

Com o propósito de recriar o momento em que os índios avistaram os francesesquando chegaram às terras maranhenses, a comissão de frente do Tatuapé, de forma lúdica e fantasiosa, representou os personagens desse encontro. O grupo foi composto por uma índia que representava os nativos da região e percebendo a chegada dos franceses, evocava as energias da natureza e espiritualmente se transformava em uma linda ave e tratava de avisar aos outros sobre os visitantes. Este por sua vez eram formados por integrantes que representaram os franceses vestidos com roupas de nobres da época e com cabeças e asas de papagaios amarelos, que remetia ao imaginário dos índios.

tatuape_desfile2018_-55Alegorias e Adereços

O carro abre alas representou a chegada dos franceses e a mistura de seus símbolos e identidade cultural com a beleza primitiva da floresta exuberante, interagindo com os nativos da região. Na segunda alegoria a escola homenageou a forte influência africana na cultura do Maranhão com a chegada dos negros-escravos em navios utilizados especialmente para o tráfico negreiro. Na terceira alegoria vieram representados a riqueza cultural através de suas narrativas fantasiosas transmitidas pela tradição oral através dos tempos, dando caminho para um conhecimento profundo sobre a cidade de São Luís e se faz presente através de lendas, contadas pelas pretas velhas. A festa mais marcante da cultura popular maranhense: o Bumba meu boi, bem como a forte influência do ritmo reggae jamaicano na região estiveram representadas na quarta alegoria do desfile. O carro que encerrou o desfile trouxe a culinária maranhense e a influência de várias culturas. O conjunto apresentou carros muito grandes e bem acabados para contar o Maranhão. Destaque para a segunda alegoria com impressionantes esculturas de negros amordaçados.

tatuape_desfile2018_-69Bateria

Os ritmistas da Qualidade Especial sob o comando de Mestre Higo representaram os blocos tradicionais maranhenses. Eles existem há quase 100 anos e é uma manifestação popular considerada como genuinamente maranhense não tendo nenhuma outra similar ou variante em outra parte do país. A bateria participou ativamente de um dos melhores momentos da passagem do Tatuapé pelo Anhembi. Uma paradona no final da segunda do samba chamou todos os componentes para cantar. A retomada com os repiques incendiou o Sambódromo.

tatuape_desfile2018_-67Fantasias

Destaque para a ala de baianas, com uma fantasia representando a floresta maranhense e toda a riqueza de sua fauna e flora que forma o ecossistema da região. Em seu primeiro setor os figurinos traziam um grande volume de rouparia, para mostrar as roupas de época, com uma grande riqueza de materiais. Destaque também para a ala que trazia uma representação da Casa das Minas, extremamente luxuosa. Conjunto esteve impecável com utilização de materiais luxuosos. Inteira na avenida, a Tatuapé parecia um tapete na pista.

tatuape_desfile2018_-17Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Diego e Jussara representaram a exuberância da fauna e da flora maranhense, com uma fantasia em tons de marrom, laranja, beje e dourado, representando o Sabiá Laranjeira, ave símbolo do Brasil e predominante na região naquela época.

Samba, Evolução e Harmonia

Celsinho Mody comandou uma grande apresentação da atual campeã do carnaval no Anhembi. Uma condução firme e segura do samba. Seus cacos de empolgação impulsionaram um excelente rendimento do samba-enredo. A comunidade cantou muito ao longo de todo o desfile. Em determinados momentos Celsinho desafiava o canto de seus componentes deixando para os desfilantes cantarem sem que o carro de som ajudasse. A escola passou pela avenida demonstrando uma evolução perfeita. A prova de que a escola realiza um grande trabalho que não teve fim com o inédito título conquistado em 2017. O andamento do desfile foi sem rompantes. As alas bem distribuídas passaram como um rolo compressor no Anhembi.

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