Tigre investe no aspecto plástico, mas faz desfile morno e com erros na evolução

Escola que mais sofreu com as críticas no pré-carnaval em razão de seu enredo sobre o iogurte, a Unidos do Porto da Pedra acabou confirmando as prévias de um desfile frio e com pouca aceitação do público. A escola de São Gonçalo teve méritos. Apresentou até aqui, as alegorias mais bem acabadas da noite, mas a concepção acabou ficando refém das soluções plásticas que o enredo proporcionou. A evolução e o canto da Porto da Pedra também deixaram a desejar em diversos momentos do desfile e a bateria, assim como a interpretação de Wander Pires, se destacou bastante, dando vida ao mediano samba da Vermelho e Branco. O desenvolvimento do enredo acabou contribuindo para que a temperatura do desfile fosse esta, muito quadrado, sem atrativos. No final, houve uma tentativa de quebra no cenário, mas sem sucesso.


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Análises nas cabines 1 e 4

A comissão de frente da Porto da Pedra acabou decepcionando um pouco. No ano de estreia de Regina Sauer na escola, o grupo apresentou coreografia simples demais, sem nenhum atrativo ou movimentação mais ousada. O ponto alto da comissão foi a indumentária usada. A roupa era branca e trazia pequenas luzes, que mudavam de cor e davam um efeito bacana. O elemento cenográfico, porém, poderia ter sido melhor acabado e decorado. No quarto módulo, a parte de trás do forro do elemento se rasgou. A comissão representou o processo químico de transformação do leite.

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O primeiro casal da escola, Fabrício Pires e Cristiane Caldas, foi bem nas duas cabines em questão. Mesmo apresentando uma coreografia que explorava pouco a habilidade de dança do casal, os dois foram bastante graciosos e o entrosamento ficou claro. Cristiane mostrou bastante habilidade e mostrou a bandeira sempre esticada nos dois módulos. A fantasia usada também colaborou bastante para a beleza da apresentação. Eles representaram o Tigre, símbolo da escola.

A bateria da Porto da Pedra mostrou mais uma vez a razão de ser o quesito mais forte da escola hoje. O amadurecimento da ala nas mãos do mestre Thiago Diogo e seus auxiliares aumenta a cada ano. A ousadia nas bossas e desenhos rítmicos esteve presente. Bem como o equilíbrio de timbres e entrosamento entre os diferentes entrosamentos.

O canto da Porto da Pedra oscilou bastante, mas de uma maneira geral deixou a desejar. A escola até canta, mas de forma tímida, precisa se soltar mais, talvez a qualidade do samba tenha influenciado, mas o Tigre ficou devendo nesse ponto. A interpretação do samba foi um primor. Muita qualidade no carro de som da Porto da Pedra, comandado por Wander Pires. O setor que menos cantou foi o terceiro. A ala sete, fantasiada de Coalhada, passou com pouquíssimos componentes cantando o samba. O momento de maior vibração do público, fora a passagem da bateria, foi a chegada da sexta alegoria, que trazia o ator Marcelo Serrado interpretando Igor Carasso.

A evolução da escola também não foi a considerada ideal. No primeiro módulo, a primeira ala da escola, que representava os Ritos Tribais, estava mal distribuida de sua metade para a final. Já no último módulo, o cenário foi bem pior. Buracos à frente da terceira e da quinta alegoria acontecerem bem em frente à cabine dos julgadores. Além disso, a entrada da bateria no segundo recuo não foi perfeita, houve um espaçamento acima do normal na ala de passistas e a escola pode perder décimos também em razão disso. Em determinado momento do desfile, a Porto da Pedra passou a imprimir um ritmo muito acelerado e desnecessário ao desfile.

As alegorias da Porto da Pedra mostraram o melhor acabamento da noite até agora. O enredo acabou não proporcionando soluções plásticas impactantes, mas as alegorias mostraram com clareza o objetivo traçado. As duas últimas alegorias exalavam aroma de iogurte e agradaram o público das frisas.

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As fantasias da Porto da Pedra também mostraram alto nível e bom gosto no acabamento. Destaque para a fantasia da bateria, vestida de Povo dos Balcãs, e para todo o sétimo setor da escola.

Cabine 2

Comissão de frente confusa. Tentou criar uma mistura química do iogurte e não conseguiram mostrar nada. Fantasia possuía luzes e elementos cenográficos para tentar reproduzir um lactobacilo. A coreografia era de difícil compreensão.

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira passou bem e fez vários giros diante dos julgadores. Boa apresentação com a bandeira sempre esticada.

A Bateria foi o ponto alto do desfile da Porto da Pedra. Ela passou diante da cabine 2 e criou uma bossa para o jurado, que deu um soco no ar e aplaudiu bastante a bela apresentação.

As alegorias possuíam enredo complicado com difícil leitura. Elas não estavam bem acabadas, assim como as fantasias, que estavam pesadas para os componentes, que procuravam acertá-las durante o desfile.

A evolução foi bem, mas a escola cantou pouco, com muitas alas desfilando sem cantar o samba.

Cabine 3

Comissão de Frente, fantasiada de lactobacilos vivos, as luzes dos componentes junto com a luz do tripé, que piscava cada hora de uma cor. A cama elástica trazia lactobacilos pulando. Assim como a Mocidade, a Comissão de Frente ficou muito tempo parada diante do terceiro módulo. Aos 31 minutos do desfile, a primeira ala, coreografada, continuava no setor.

O início do desfile da Porto da Pedra foi lento, mas na metade final a escola acelerou o ritmo.

O abre-alas tinha um tigre de pelúcia com elementos de Parintis. Luzes dos destaques central e lateral estavam apagadas. Apenas as luzes do alto estavam acesas. Na terceira ala, os resplendores estavam descolando. O segundo carro passou no setor aos 47 minutos. As composições faziam movimentos como se fossem estátuas.

A bateria parou para se apresentar e executou bossa e recebeu aplauso dos jurados, no melhor momento da escola no terceiro módulo. O excesso de convidados atrás da bateria dificultou o posicionamento do carro de som. Neste momento, houve um buraco extenso diante da terceira cabine entre a bateria e o carro 3. A diretoria da escola precisou correr pelo meio da pista para resolver o problema.

A escola passou calada, com muitos componentes que não cantavam sequer o refrão. O quarto carro alegórico apresentou o primeiro refletor da lateral esquerda apagado. Concepção de enredo confusa, com o segundo casal passando correndo e com partes da saia da Porta-Bandeira soltando pequenos pedaços.

Houve um buraco na frente do quinto carro, com a ala 26 possuindo um resplendor com pratos e talheres. Os talheres estavam caindo. O sexto carro espalhou cheiro de iogurte pelo Sambódromo. Atrás do carro havia um telão com imagem, das fábricas de delícias. Presença do ator Marcelo Serrado, que estava vestido com roupas semelhantes ao do personagem Crô.

O último carro passou pelo setor com uma hora e onze minutos de desfile.

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