Tijuca festeja vitória do samba da parceria de Dudu Nobre e Gusttavo Clarão para Carnaval de 2016

Foi como no principal verso do samba escolhido: a Unidos da Tijuca festejou, com uma festa que teve a cara da escola e a quadra lotada, a vitória da parceria de Dudu Nobre, Gusttavo Clarão, Zé Paulo Sierra e Cláudio Mattos como o hino que levará a escola para a Sapucaí em 2016, em sua homenagem à cidade matogrossense de Sorriso. Essa foi a primeira vitória dos compositores na escola. Brincando com o nome da cidade, o samba contou com uma parceria alegre e apostando no sorriso para conquistar a vitória. Dudu Nobre era um dos mais emocionados durante a apresentação e também quando o intérprete Tinga cantou seu samba como o vencedor da noite. Ao saber da notícia, ele se juntou à Pura Cadência de Mestre Casão onde tocou, junto com os ritmistas, na primeira apresentação de seu samba como o oficial da Tijuca para o ano que vem.

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– Estou muito feliz com a aceitação e repercussão da obra no mundo do samba de forma geral. A emoção de ganhar uma disputa é diferente em cada lugar e nem sei precisar o que estou sentindo neste momento. A Unidos da Tijuca é uma escola de samba com letras garrafais e o carnaval tem muito o que aprender com Fernando Horta, pois o profissional do samba precisa ser valorizado. 

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O compositor citou como aconteceu o processo de produção do samba. – Nos reunimos apenas três vezes na minha casa para criar o samba-enredo. A letra e a melodia foram subindo junto. A parte que mais gosto é o final da obra, a melodia é rica, sintetiza muito bem o enredo, de maneira sutil e poetizando – explicou Dudu, que pede mudanças nas disputas: – Penso que há muito o que se mudar no modelo de disputa, que precisa ser repensada. Virou comercial, gastamos mais de R$ 100 mil e eu preciso agradecer a ajuda dos meus parceiros. O samba não se ganha na final. Investimos e evoluímos em cada eliminatória.

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A parceria campeã foi a terceira e última a se apresentar na final tijucana. A surpresa ficou por conta dos incontáveis balões infláveis em formato de flores que a torcida levou para a quadra, tomando não só o chão, como também o teto com as cores da escola, preenchendo todo o espaço disponível. O refrão principal foi o destaque como o mais cantado na apresentação, mas o refrão do meio também cumpriu seu papel. Junto com esses trechos, os versos iniciais 'Sou eu… do barro esculpido pelas mãos do criador / Sou eu… filho dessa terra germinando amor' e 'Sorriso no rosto' também foram muito cantados pelo público presente. Entre os torcedores estavam Lucinha Nobre, irmã de Dudu Nobre e ex-porta-bandeira da Tijuca, os compositores bicampeões da Mangueira, Renan Brandão e Alemão do Cavaco e o mestre de bateria Paulinho Botelho da Unidos da Viradouro, onde Gusttavo Clarão é presidente e Zé Paulo intérprete. Numa disputa acirrada com as outras duas parcerias, a apresentação do samba campeã não pode ser apontada como a mais explosiva da noite, apesar de seu bom desempenho e do canto forte da torcida, como também ocorreu nas apresentações das outras duas obras. 

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O músico Zé Paulo afirmou em entrevista ao CARNAVALESCO que a disputa de samba não se resume apenas à final e celebrou a parceria com os amigos: – Ganhar é bom demais, quando você ganha com pessoas que são amigos, que você já tem um convívio e que te dão moral sempre, é melhor ainda. Essa parceria é de amigos. Conheço o Dudu há anos, ele já foi meu cavaquinho na Caprichosos. Já cantei sambas do Gusttavo e o Claudinho que é sobrinho dele é meu parceiro de samba, nós ganhamos na Nenê de Vila Matilde esse ano em São Paulo. As pessoas tem que entender que a disputa não é a final, mas sim as dez ou doze apresentações que a gente faz durante todo o período. Acho que a regularidade da gente contou e a final foi só a cereja do bolo. Acho que 40 minutos de apresentação foi complicado pra todo mundo, todos estavam esgotados no fim, mas a gente estava bem na disputa e era um facilitador com uma 'gordurinha pra queimar' – afirmou Zé Paulo, que também foi intérprete do samba durante a disputa.

Comissão de Carnaval enaltece visita a cidade de Sorriso

Se o samba tijucano conta com detalhes o cotidiano da cidade de Sorriso, isso é fruto da visita que a comissão de carnaval da agremiação fez ao lugar para buscar inspiração para o enredo. Conforme contou Mauro Quintaes ao CARNAVALESCO, a visita a Sorriso foi muito produtiva para a equipe. Ele também contou como estão os preparativos no barracão da escola para o desfile: – A Tijuca teve uma safra muito boa com três lindos sambas na final. Uma safra como essa é resultado de uma boa sinopse, então a nossa comissão está de parabéns, assim como o pesquisador que a escreveu, o Marcos Roza. Nós estivemos em Sorriso e lá é um outro Brasil, é a força do país na agricultura, é inspirador você poder ver em um momento de crise um Brasil que não para de crescer. Estamos com alegorias em fase de ferragens, estamos desenvolvendo o trabalho de esculturas e já finalizamos nossos protótipos e estamos em fase de reprodução – afirmou o carnavalesco.

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Para Hélcio Paim, que também integra a comissão, o importante era que a Tijuca escolhesse um samba bem aceito pela comunidade da escola: – Espero que seja um samba alegre, bonito e que a escola goste do samba. Sorriso tem uma força e uma pujança no seu povo, no trabalho e na tecnologia. Isso foi o que vi de mais interessante na cidade – contou ele. Annik Salmon, responsável pela criação artística da comissão, elogiou a qualidade dos três finalistas, embora tenha assumido que possuía um favorito: – É claro que sempre temos o nosso xodó, mas os três finalistas são muito bons. Acho que o samba campeão precisa ter poesia, uma letra e uma melodia que tocam o coração e a alma – afirmou a carnavalesca. Marcus Paulo contou ao CARNAVALESCO que os cortes da disputa de samba geraram lamentos, tão boa era a qualidade das obras envolvidas: – A gente teve três grandes obras na final e o que viesse seria bem-vindo. Cada um dentro do seu estilo descreve bem o nosso enredo que foi uma escolha maravilhosa, cada samba que caía a gente ficava com pena, porque eram muito bons – afirmou ele, que também faz parte do departamento de carnaval criado pela escola.

Gusttavo Clarão: 'Muito bom poder compor com o Dudu Nobre'

Após a comoção que viveu com a escolha do samba da Unidos do Viradouro para 2016, considerado por grande parte do público como uma das melhores obras para o próximo carnaval, Gusttavo Clarão viveu o seu dia de compositor campeão na Tijuca. Já consagrado como um talentoso compositor por sambas escritos para a Viradouro e para a Mangueira, ele celebrou a oportunidade de vencer ao lado dos amigos Dudu Nobre e Zé Paulo e do sobrinho Claudio Mattos: – É uma emoção muito grande. Tenho muitos amigos na Tijuca. O Fernando Horta é uma pessoa muito séria e a escola está sempre brilhando. Graças a Deus fomos abençoados nesse samba e espero que ele leve a Tijuca a brigar pelo título. Muito bom poder compor com o Dudu Nobre, um cara renomado e com o Zé Paulo que além do intérprete fenomenal, também é um grande compositor. Além disso, tem o Claudinho que é meu sobrinho, filho do meu irmão, e pela primeira vez a gente assina um samba juntos e ganha – contou o presidente da Unidos da Viradouro e agora compositor campeão na Unidos da Tijuca.

Tijuca tem novo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira

A escolha do samba na Tijuca contou com momentos de muita emoção. A escolha do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira consagrou o casal Matheus e Lohane como os novos defensores do pavilhão tijucano, ao lado da dupla Julinho e Rute, de quem receberam os louros da vitória antes de dançarem ao som do novo hino da escola. Além disso, a rainha da Pura Cadência, Juliana Alves, deu o habitual show de simpatia: durante a apresentação dos segmentos, ela fez uma apresentação coreografada ao som do samba da escola em homenagem a Ayrton Senna, campeonato tijucano mais recente. A apresentação rendeu aplausos da quadra lotada, ainda na expectativa para a escolha de samba que viria a seguir. – Hoje estou aqui como mais uma componente, torcendo para a Tijuca fazer a melhor escolha, nao me sinto rainha – disse Juliana.

Pura Cadência: Mestre Casagrande começa a pensar em bossas para o CD

A bateria tijucana, Pura Cadência, vai manter o número de ritmistas no próximo desfile: serão 272 pessoas desfilando. Sem saber ainda o que vão representar, a bateria já tira as medidas para a fantasia do próximo carnaval. Com o samba escolhido, Mestre Casagrande começará a pensar, durante este domingo, nas bossas que levará para o CD das Escolas de Samba, que já está sendo gravado: – Não costumo pensar em bossas antes do samba ser escolhido, mas com a definição, já nesse domingo vou pensar em quais bossas levaremos para a faixa. Vamos manter o trabalho que fizemos em 2015 e também o número de ritmistas. Não sabemos o que vamos apresentar, mas eu aposto em espantalhos ou besouros – brincou o mestre. Ele e a bateria conquistaram os 40 pontos possíveis na apuração, além de diversas premiações.

Presidente garante 100% das fantasias para comunidade

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Fernando Horta revelou estar muita feliz com a safra de sambas e afirmou que a escola manterá a doação de fantasias. – Garanto que 100% das nossas fantasias são para pessoas que se comprometem e frequentam nossos ensaios – disse o dirigente, que explicou a mudança de horário dos ensaios e da final: – Optamos pelo horário diferente para que o público possa voltar mais cedo para casa, pois a cidade está muito violenta – citou Horta, que ainda contou que a quadra, até o momento, permanece no mesmo local, pois segundo ele, o Porto precisará de entretenimento. 

Casal focado em recuperar a nota 40

​Apontado como um dos melhores, o mestre-sala Julinho ressaltou a força da Unidos da Tijuca não apenas na hora do desfile. – Cada ano é uma oportunidade de aprendizado nesta família tijucana. No último ano nós não fomos muito felizes com as notas dos julgadores, mas não deixaremos de trabalhar, mais do que o comum, porque não queremos deixar a comunidade triste com novas notas baixas. Estamos sempre tentando estar mais integrados nas atividades da escola. A Tijuca é muito organizada e estruturada – disse. Sobre a fantasia para o Carnaval de 2016, a porta-bandeira Rute preferiu guardar segredo, mas afirmou que vestirá inúmeras vezes até o dia do desfile. – Em 2015, vestimos umas sete vezes. Nós iremos fazer o impossível para a nossa escola, a nossa família tijucana. Nós amamos o nosso trabalho e queremos gritar "é campeão" na quarta-feira de cinzas – afirmou.

Confira como foram as apresentações das outras duas parcerias finalistas:

Parceria de Totonho: Primeira a se apresentar, a parceria não poupou esforços para fazer da apresentação a mais impactante da noite. Todos os torcedores tinham chapéu de palha em referência ao verso 'Hoje tem festa na roça, quem quiser pode chegar', que dava início ao refrão principal do samba. Uniformizados com uma camiseta que remetia a uma camisa xadrez de festa junina, os torcedores cantaram forte o samba da parceria junto com os intérpretes Emerson Dias e Marquinho Art'Samba. Com um início explosivo, acompanhado dos fogos que explodiam fora da quadra, a parceria recebeu apoio de segmentos da escola como componentes da ala de baianas e alguns ritmistas. Muitos dos camarotes da quadra estavam ocupados por torcedores do samba. O compositor Lequinho, que foi finalista na Mangueira há poucas semanas, era um dos torcedores do samba. Os dois refrões foram muito cantados, mesmo quando chegando ao final da apresentação, o rendimento caiu em decorrência dos 40 longos minutos de apresentação definidos pela escola. A apresentação da parceria contribuiu para a dúvida sobre quem venceria e para a certeza de que a decisão era acirrada.

Parceria de Daniel Katar: Em seguida, a parceria de Daniel Katar mostrou sua força e, mesmo aquém das outras duas, fez uma bonita passagem pela quadra. A torcida entrou gritando 'O samba um chegou' e 'Eu acredito', buscando motivação para a apresentação que viria a seguir. Com bandeiras nas quais estava grafada a hashtag '#famíliadosamba', a torcida brincou e se divertiu, recuando e avançando em explosão na direção do palco e chegando a agitar a apresentação com um enorme bandeirão amarelo e azul. No palco, o apoio feminino da cantora Wictoria Tavares fez a diferença, assim como a boa apresentação de Wantuir. Os compositores estavam emocionados com a apresentação no palco e tiveram seu momento junto à torcida. Os 40 minutos de apresentação também foram cansativos, assim como para as outras parcerias.

Em 2016, a Tijuca encerrará os desfiles do domingo de carnaval. Por isso, os três sambas finalistas faziam referência ao nascer do dia. Na próxima quarta-feira, a escola do Borel grava sua faixa para o CD, na Cidade do Samba. Após mais essa etapa cumprida, a próxima será o ensaio técnico tijucano, que ocorre em 17 de janeiro. O enredo da escola é 'Semenado sorriso, a Tijuca festja o solo sagrado!'.