Tocou reunir?

O Império Serrano tem novo presidente. Mestre Átila, que revolucionou a bateria da escola, tem agora o desafio de fazer o mesmo com um dos gigantes do nosso carnaval. Não será um trabalho dos mais fáceis, o Império vive uma das mais graves crises financeiras de sua história. A dívida é enorme.

Se a falta de dinheiro fosse o único problema o desafio seria menor, mas os obstáculos não param por aí. A eleição mostrou que, ao contrário do nome da chapa encabeçada por Átila (Tocou reunir), a escola continua dividida. Isso ficou provado pela pequena diferença de votos entre as três primeiras chapas e pela briga generalizada que tomou conta da quadra logo após o resultado.

Há anos ouço dizer que o Império é uma democracia, que “não tem, dono” e outras coisas do tipo. Isso seria ótimo se este regime não tivesse levado a escola para onde ela hoje se encontra. A “democracia” imperiana se confunde com uma eterna briga pelo poder e a conseqüente falta de união.

Dá a impressão, para quem está de fora, de que enquanto um grupo comanda a agremiação os outros ficam de fora sem ajudar, sem participar à espera da próxima eleição.

Não é disso que o Império precisa. Só a união em torno da escola fará com que ela volte a ser forte. E ser forte para o Império Serrano não significa apenas voltar ao Grupo Especial, mas disputar títulos! Os mais novos podem até rir, mas o Império Serrano – ao lado de Portela, Mangueira e Salgueiro – compõe a base do que hoje se denomina Escola de Samba. Até 1976 só estas quatro conseguiram ganhar títulos. Destas agremiações germinou o amor pelo samba que se espalhou pela cidade e fez com que surgissem as novas “potências”.

É preciso respeito à história do Império. É preciso união interna. É preciso muito trabalho. É preciso muita seriedade. O futuro da escola não está apenas nas mãos de Átila, mas de todos os imperianos que precisam se doar cegamente para tirar a escola do buraco em que se encontra. Que os derrotados na eleição ajudem a fazer o Império vencedor no carnaval. Pelo bem de sua desgastada democracia.