Tradição: Comunidade pisa forte e escola recebe gritos de campeã na Série B

Por Fiel Matola. Fotos: Magaiver Fernandes

tradicao_desfile_2018_42Como diz o samba-enredo cantado pela escola de Campinho: ”comunidade pisa forte nesse chão, representa a realeza, isso sim é Tradição”. A agremiação fez um desfile mostrando a força de sua comunidade, os quesitos de chão foram destaques, além da escola ter se divertido e cantado muito, o público foi contagiado pelo trabalho mostrado. Quarta escola a desfilar pela Série B na a Intendente Magalhães, a Tradição contou a história da força e da realeza de Sabá, a mulher negra incorporada em uma soberana que a África nunca esqueceu. Não foi somente o quesito de chão que se destacou, a escola apresentou um conjunto de fantasias e alegorias bem acabadas e uma comissão de frente que retratou bem o enredo.

Comissão de Frente

A comissão de frente coreografada por Leonardo Vieira retratou o nascimento da rainha negra, através de um ritual. Com uma indumentária em palha e cores africanas, oito negras dançaram em volta da integrante representando a mãe de Sabá. Dois integrantes “escoltaram” o cortejo e em um momento da coreografia, escudos “escondia” a integrante e um boneco representando Sabá era mostrado, arrancando aplausos do público. Com coreografia forte, gritos de guerra e bem sincronizada a comissão de frente passou bem.

tradicao_desfile_2018_10Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Johny Matos e Joana Falcão, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, veio com uma indumentária representando toda a exuberância do continente negro, terra onde a majestade Sabá cresceu, viveu e reinou soberana. E eles estavam exuberantes na apresentação. O casal também apresentou fantasia em palha, além de cores fortes e penas de pavão. Sincronizados e bailando bem, eles passaram com uma dança tranquila, vale ressaltar a força e garra do mestre-sala no cortejo e a graciosidade da porta-bandeira. Cantaram o samba em todo o bailado.

Enredo

Concebido pelo carnavalesco Leandro Valente, o enredo sob título “Sabá: Soberana da Etiópia, Sedutora de Jerusalém” foi dividido em quatro setores para retratar a história de Sabá. O desfile da Tradição começou mostrando toda força e pompa do Império de Aksun, um início que impactou positivamente trazendo a palha como elemento principal. Neste setor foi apresentado um tripé com efeito de luzes e fumaças todo em dourado, o abre-alas também estava bem concebido e dentro do enredo, apresentando fielmente a pompa do Império de Aksun.

tradicao_desfile_2018_23No segundo setor vieram os guerreiros andarilhos, mercenários com suas espadas dispostos a qualquer coisa por suprimentos, riquezas e vantagens. Responsáveis em informar a rainha Makeda sobre a existência do Rei Salomão. Contando tudo que sabem e de todo o seu poder. Fascinada com o que ouve, a soberana resolve, de forma imediata, partir em cortejo real, numa comitiva mágica com dezenas de animais, exército e nobres membros da corte para Jerusalém. Isso foi bem representado, principalmente, com um tripé com camelos e fantasias representando o cortejo.

Já o terceiro setor retratou Makeda chegando às terras do rei Salomão. Informado de sua jornada ele o aguarda ansioso e pronto para conhecer a soberana mais famosa e poderosa do continente negro. No primeiro encontro se apaixonam e vivem uma linda noite de amor, digna das mil e uma noites em uma só. Apaixonados, se casam e, convertida ao judaísmo, Makeda se torna a rainha de Sabá, a primeira negra, africana convertida à religião do nobre rei. Com seu poder de sedução, Sabá conquista todo o povo e realeza da nova terra encontrada. Porém, abre mão de tudo para retornar ao seu povo, grávida ela volta para Etiópia. E foi nesse setor que a escola apresentou dois destaques de chão mostrando com fantasias o rei e a rainha.

O último setor através de uma licença poética, a rainha de Sabá ao retornar para seu império, em Aksun, encontra o carnaval. Fica fascinada com a ginga dos nossos passistas, com a cadência e o ritmo do samba carioca. Um setor onde estavam as passistas em tons coloridos e o último carro com o Condor, símbolo da escola todo em branco e prata.

tradicao_desfile_2018_31Fantasias

Com um conjunto de fantasias de fácil assimilação do enredo, o carnavalesco usou mudança de tonalização para representar os setores. Ele iniciou com tons em palhas, dourado e preto. Usou tons azuis e verdes, principalmente, nas cabeças das fantasias. Chegou a tons roxos e depois tons coloridos, como por exemplo, a fantasia das passistas e fechou com o preto e prata na alegoria final. Fantasias como do destaque de chão no segundo setor era primorosas em seu acabamento. As baianas em palha também deram um efeito positivo, a fantasia da bateria que destoou do conjunto, tinham fantasias com tons diferentes de amarelo e laranja.

Alegoria

O conjunto alegórico da Tradição foi também um ponto alto, trazendo dois tripés, e dois carros muito bem acabados por sinal. O primeiro tripé em palha e com jogo de luzes deu um efeito belo. O abre-alas tinha um leão abaixo do primeiro destaque em dourado, tons preto no lado, como as esculturas de cobra e com uma boa iluminação proporcionou ume efeito positivo. O tripé com três camelos estava primoroso na sua concepção e realização. A alegoria final também utilizou o efeito de luzes em materiais com tons preto e prata.

tradicao_desfile_2018_28Harmonia e Samba

Marquinhos Silva conduziu muito bem o samba-enredo da escola de Campinho. Uma pequena oscilação ocorreu no canto da comunidade. As alas iniciais estavam cantando menos do que as alas finais. Mas, o seu conjunto foi positivo, destaque para ala de passista que cantou muito, assim como os destaques da parte de trás do carro abre-alas, a primeira ala após esta mesma alegoria e as alas finais. O samba era fácil para a comunidade cantar e uma melodia boa.

Evolução

Foi outro ponto positivo, com o contigente muito animado e contagiando o público. As baianas do Campinho evoluíram muito. Os passistas convidavam o público a sambarem, mostrando interação, gingado e samba no pé. A Tradição passou sem correria, sem problemas de evolução, e pode gabaritar o quesito.

Outros Destaques

Destaque positivo para bateria de Beto Peçanha que fez uma bossa que animou o público presente. A graciosidade, e o samba do pé da rainha de bateria, Milena Maria, e da princesa Evelin de Souza, também foram destaque desse desfile. No final do desfile o público gritou: “é campeã”.