Tradição encena o Lago dos Cisnes, mas se afoga ao cometer erros na evolução da escola

Por Yuri Neri

Tinha tudo para ser um desfile sem erros, mas a Tradição se enroscou do meio pro fim e acabou comprometendo o título da escola. Com uma alegoria grande na avenida, a escola teve dificuldades em mantê-lo em linha reta, e acabou deixando a alegoria ir de encontro a grade de proteção em frente a última cabine de julgadores. As alas da frente não perceberam o ocorrido e continuaram desfilando. Quando um buraco se formou, a escola tentou corrigir fazendo as alas retrocederem, voltarem para tapar o buraco. Houve outros erros e acertos, mas esse talvez faça a maior diferença no resultado da escola.

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Enredo

tradicao_desfile_28022017dsc_0434-copyA escola levou para a avenida o clássico do balé: O Lago dos Cisnes. O enredo foi bem desenvolvido, com uma comissão de frente clara quanto a história contada, alegoria e fantasias de leitura bem fácil. O que pode comprometer a escola foi a não entrada do último tripé, que apresentou problema nas rodas e sequer passou pela avenida.

Comissão de Frente

Muito bonita, narrava “o feitiço” que encantou o cisne. A cargo do coreógrafo Márcio Moura, contou com troca de roupa, bastante interpretação, arrancando aplausos do público.

tradicao_desfile_28022017dsc_0453-copyMestre-sala e Porta-bandeira

Tiveram um desempenho aquém do esperado, com algumas falhas. Em alguns momentos, faltou sincronia ao casal Emerson Faustino e Joana Falcão, que tiveram desencontros, como um parando antes do outro. Em uma das cabines, a porta-bandeira deixou o pavilhão tocar muito na sua fantasia.

Evolução

O quesito em que a escola mais foi mal, primeiro porque se formou um buraco após a apresentação do primeiro casal na cabine 1. Eles continuaram e a ala seguinte, da “dança dos cisnes brancos” ficou para trás. Mas o mais grave ocorreu na última cabine, quando a alegoria do “reino encantado de Siegfried” bateu na grade de proteção, ficou parado por algum tempo. A sua frente, se formou um buraco, e a escola tentou disfarçar trazendo as alas da frente, que haviam seguido rumo ao fim, de volta para trás, para tapar o buraco.

tradicao_desfile_28022017dsc_0469-copyAlegorias

Apesar do ocorrido com o abre-alas, a alegoria estava muito bonita, chamativa, bem acabada, muito agradável aos olhos. Uma das mais belas da noite, com um enorme cuidado de honrar o “encanto” proposto no nome da alegoria. Um ótimo trabalho do carnavalesco Leandro Valente. Já os tripés tiveram problemas: o do “condor” sequer entrou na avenida, apresentando problema ainda na concentração. O do “mmaetro Tchaikovsky” tinha problemas de acabamentos no bordado da parte inferior.

Fantasia

Bonitas e de fácil entendimento, estavam bem adequadas ao enredo, porém algumas com pequenos problemas no acabamento, como amassados em adereços, exemplo das coroas na saia das baianas. Na ala seguinte, do “lago”, componentes seguravam o adereço da cabeça porque ameaçava cair.

tradicao_desfile_28022017dsc_0482-copySamba-enredo e Harmonia

O samba foi bem executado por Marquinho Silva e seu carro de som, mas a harmonia talvez devesse ter ensaiado mais com a escola, que deixou a desejar no canto. Algumas alas não cantavam o samba, mas a maioria passou bem, com a letra na ponta da língua. A que mais se destacou foi a ala do “cisne negro”, que não só cantou com vontade, como encenou um belo balé enquanto desfilava.

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