‘Troca-Troca’ de índios e portugueses abre desfile da Estácio

Por Diogo Cesar Sampaio

abrealasestacioO toma lá dá cá de mercadorias e produtos é algo antigo no Brasil. Já em seus primórdios se fazia presente aqui, e com ele já vinha embutido o oportunismo e a malandragem. Um dos primeiros registros de escambo em terras Tupiniquins foi entre nativos e europeus. Os primeiros foram enganados pelos invasores, e cederam o valioso pau-brasil em troca de todo tipo de quinquilharias e bugigangas como cacos de vidro e espelhos por exemplo. Retratando esse primeiro registro de comércio da história brasileira veio a abertura da Estácio de Sá. Desde a comissão de frente até o abre-alas, tudo remetia à troca-troca de mercadorias entre nativos e colonizadores.

A comissão de frente fez durante sua apresentação na Avenida uma síntese de todo enredo da Estácio. Do troca-troca primitivo, passando pelo porta a porta colonial, terminando na feira livre atual. Tudo em uma coreografia repleta de animação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola do São Carlos, José Roberto e Alcione, prosseguia no tema e vinha representando o famoso escambo: O Estácio de Sá, fundador da cidade do Rio de Janeiro, os produtos trocados com nativos e o encanto dos mesmos pelo espelho.

estacio_desfile_2018_26-2Em seguida, a primeira ala representava o índio espelhado. Em tons prateados a fantasia simbolizava os indígenas que receberam dos portugueses várias ninharias do Velho Mundo, entre elas, tesouras, facas e, os famosos espelhos, que os nativos acreditavam que a imagem refletida aprisionava a alma. Em tons avermelhados, que remetem a cor da madeira do pau-brasil, o abre-alas fechava o primeiro setor trazendo um enorme índio em acrílico com movimentos de Parintins e muito efeito de luz logo à frente. O leão, símbolo da escola, vinha rugindo em meio a uma floresta rubra, presente em todo carro. Uma abertura bela, e com forte presença do vermelho, cor da agremiação.