Um carnaval esquecível

Foi um carnaval esquecível. Não quero ser chato e repetir uma série de questões que já abordei em anos anteriores. É preciso rever conceitos urgentemente. O mundo mudou e a sociedade está cada vez mais atenta a tudo. O carnaval só é um espetáculo internacional de sucesso porque milhares de pessoas dedicam suas vidas a ele. Não é um bom caminho desestimular estes apaixonados que são os verdadeiros donos do carnaval.

Conforme prometi vou fazer uma análise individual sobre cada escola. Não vi todas do mesmo lugar nem do mesmo jeito, devido às minhas diferentes funções na transmissão da rádio. Na maior parte do tempo estive no camarote da Tupi, em frente ao primeiro módulo de
julgamento – mas concentrado na transmissão me dividi entre a vista da nossa janela e a da televisão. Em alguns outros casos estive na pista onde a emoção e a percepção são totalmente diferentes. Isso pode influir diretamente na minha percepção dos desfiles.

Começo com o Grupo de Acesso e, em breve, comentarei o Especial. Alegria da Zona Sul
Abrir o desfile de sábado é muito complicado. Ainda mais para uma escola que acaba de subir, que passou por incêndio no barracão, perdeu carnavalesco e madrinha de bateria. O caos já estava instalado antes de entrar na avenida. A escola começou sua apresentação com sete minutos de atraso e acabou estourando o tempo, o que neste grupo é fatal. O desfile foi frio.

Renascer de Jacarepaguá

Mais um desfile sem comunicação com o público. Apesar da assinatura de Paulo Barros a Renascer não inovou e fez uma apresentação apenas correta. O destaque negativo foi o abre-alas, inteiramente importado do Salgueiro, apenas pintado.

Viradouro

Esperava mais da vermelho e branco. A começar pela comissão de frente, que deixou a impressão de que veio pela metade. Problemas na entrada dos carros geraram alguns buracos e o lindo samba não funcionou como esperado.

A bateria estava fantástica e os componentes cantaram muito. Acadêmicos de Santa Cruz
A Santa Cruz precisa urgentemente de um choque de alegria. É uma escola fria que a cada ano perde qualidade em seus desfiles – em todos os seus segmentos.

Império da Tijuca

Apostou num enredo simples e, bem organizada, foi bela e feliz. Muito superior à escola que a antecedeu – o que lhe favoreceu – teve como destaque a bateria, o excelente Pixulé e a espontaneidade de seus componentes. Um dos desfiles mais agradáveis da noite.

Inocentes de Belford Roxo

A homenagem aos Mamonas não funcionou. E eu não era um dos que rejeitavam a idéia. O desfile foi correto nos itens de chão, mas deixou bastante a desejar no visual e no desenvolvimento do enredo.

Cubango

Um desfile grandioso, bonito, empolgado, passando a proposta do enredo. Alguns carros apresentaram problemas de acabamento, o que não lhe tirou o ar de favoritismo devido ao excelente trabalho da direção de desfile que conduziu a escola com fluência na avenida.

Estácio de Sá

Vir depois da Cubango não fez bem à Estácio. A vermelha e branca não conseguiu apagar o impacto da agremiação anterior embora tenha feito uma apresentação correta e bem resolvida esteticamente. O jovem carnavalesco Marcus Ferreira preferiu uma proposta clássica nas suas bonitas e bem resolvidas alegorias e fantasias frustrando minhas expectativas de inovação.

Império Serrano

É uma escola de samba de verdade. Tem chão, essência, bateria, samba e…só. Desfile de baixo nível em vários quesitos, especialmente os plásticos. Uma pena. Precisa de uma injeção financeira e, acima de tudo, de união. Rocinha

O melhor e mais completo desfile da noite. Com um enredo inusitado, a escola de São Conrado foi perfeita desde a sua interessante comissão de frente até a última ala. Teve o mérito de criar carros alegóricos totalmente novos e bem resolvidos esteticamente, feitos dentro do espírito do tema. Apresentou um samba muito bem resolvido. Bateria e Anderson Paz perfeitamente entrosados conduziram o canto e evolução dos componentes com fluidez. Um sopro de inovação e competência numa noite que esteve abaixo do esperado.

Caprichosos
Lamentavelmente repetiu o desfile trágico de 2009, só que com menos raça dos componentes. Precisa mudar muita coisa.