Unidos da Tijuca mantém sua rotina de ótimos ensaios

Ter bom rendimento ou não nos ensaios técnicos faz parte do jogo. Praticamente todas as escolas já escorregaram nos treinos e isso, por mais que represente algo na preparação das agremiações, não é definitivo, o desfile é o que conta ponto. A Unidos da Tijuca, porém, vem mantendo uma doce rotina de ótimas apresentações. O ensaio da noite deste domingo, se não foi do mesmo nível de algumas apresentações da escola, mostrou mais uma vez o que a Marquês de Sapucaí vem assistindo nos, pelo menos, últimos três anos de ensaios técnicos tijucanos: canto forte, alegria e um show de comunicação com o público.
 

* Vídeo: veja aqui como foi o ensaio da Tijuca

– Aonde eu recebi a escola vi um ensaio muito bom. É claro que você não tem a noção exata porque é impossível estar em todos os cantos da pista, mas vamos dar uma olhada nos vídeos e avaliar melhor. Do que eu pude ver estou bastante satisfeito. Cantamos bem e evoluímos sem problemas. É claro que existe uma preocupação de fazer um bom ensaio técnico, isso faz parte da preparação da escola, mas não é uma competição. Não há necessidade de se julgar certos testes feitos pelas escolas aqui. O nome já diz: é um ensaio – disse o diretor de carnaval Ricardo Fernandes, que confirmou que Marquinho e Giovanna desfilarão atrás da comissão de frente.
 

* Fotos: confira imagens do ensaio técnico da Tijuca

Na noite em que o Sambódromo recebeu o maior público até o momento desta temporada, a agremiação oriunda do morro do Borel fechou a noite de ensaios e, antes que Bruno Ribas começasse a puxar o samba-enredo da escola de 2012, o público pôde acompanhar Jorge Perlingeiro anunciar a escola de maneira idêntica à feita no CD. O tumulto na pista era grande e o motivo não poderia ser outro, a comissão de frente da Unidos da Tijuca.
 

* Vídeo: veja aqui a performance da bateria da Tijuca

Comissão de Frente
Todos queriam ver o grupo comandado pelos talentosos coreógrafos Priscila Mota e Rodrigo Negri. Desta vez, eles trouxeram um mix de suas duas últimas comissões. A apresentação era dividida entre as duas performances e, como não poderia ser diferente, cada setor de arquibancada vinha abaixo, principalmente no momento das trocas de roupas. Acompanhando tudo de perto estava o carnavalesco Paulo Barros. Por mais que sejam concepções já conhecidas, é louvável a atitude dos coreógrafos e da escola de brindarem o público dos ensaios técnicos com suas apresentações.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Comentar as apresentações dos dois vem se tornando até repetitivo. Uma verdadeira aula de sincronismo e respeito às tradições da dança de mestre-sala e porta-bandeira. Giovanna com a bandeira sempre lá no alto, esticada, consegue misturar leveza e firmeza nos rodopios de maneira praticamente única. Marquinho mostra a cada ano uma infinidade de movimentos novos, executados de maneira bem particular.

Harmonia
O pleonasmo para falar sobre o casal se repete para analisar o canto dos componentes tijucanos. Quanta força e disposição. Algumas alas, como a primeira, a 11 e a 25, chegam a contagiar até os mais calmos dos espectadores das frisas. Como um todo, foi mais um show de canto da escola, mas a direção de harmonia pode cobrar mais das alas 2, 16 e 24, que apresentaram alguns componentes destoando do restante da escola. Muito pouco, porém, para fazer com que a avaliação do canto da escola fosse prejudicado num campo geral. O entrosamento entre os músicos do carro de som, Bruno Ribas e a bateria, também merece destaque. A boa melodia da obra tijucana foi ainda mais valorizada em razão disso. Outro ponto positivo e diferencial da Unidos da Tijuca é a maciça participação dos componentes das alegorias. É bem verdade que é uma das agremiações que mais trazem desfilantes nas alegorias, mas a participação deles no ensaio é digna de aplausos. Cantam muito e dão uma aula de espontaneidade.

Evolução
A Unidos da Tijuca ensaiou em aproximadamente 65 minutos e a evolução transcorreu sem maiores problemas. Ficava bem claro em seu ritmo de ensaio as paradas em cada cabine de jurados. Isso deu regularidade na evolução do ensaio e a entrada e saídas dos recuos foram feitas sem problema. Apenas depois do segundo recuo, houve leve afunilamento das alas dos últimos dois setores. O fato vem ocorrendo com praticamente todas as escolas, a culpa é da quantidade de bicões que acabam se posicionando depois da entrada da bateria no segundo box. Fica o alerta para a organização dos ensaios. Neste domingo, havia muita gente que não deveria estar na pista. Um ponto para a escola ter atenção é o posicionamento dos guardiões do primeiro casal. Alguns deles demoravam a perceber que a escola estava andando e, não fosse a atenção do diretor de harmonia presente no setor, pequenos buracos poderiam de formar.

Bateria
A Pura Cadência comandada por mestre Casagrande foi bem. Por mais que o nível de sua apresentação não tenha sido o de excelência já visto várias vezes, a bateria cumpriu o seu papel. Destaque para as peças leves: chocalhos e tamborins, que deram um show de sincronismo e o desenho rítmico de ambos encaixa muito bem no samba. Ressalva para algumas variações de andamento percebidas assim que a bateria entrou na pista e para leves desencontros entre as caixas de guerra em frente ao setores 7 e 10, algo pouco perceptível, mas que pode se acentuar caso aconteça quando a bateria estiver se deslocando. – Vou dar nota 11 pra bateria hoje. Tínhamos uma margem de erro pra hoje, mas não cometemos erro algum. Tudo o que a gente tem planejado, estamos conseguindo fazer. Mas temos que manter o pé no chão, porque treino é treino e jogo é jogo. Mas a escola está preparada para o desfile, cantou muito e o samba está correspondendo as expectativas. Estamos muito bem preparados e confio num grande desfile oficial da Tijuca – afirmou mestre Casagrande.
 

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