Vamos falar de coisa boa? Vamos falar do Grupo de Acesso

Sim, eu venho na contramão. Enquanto meus colegas esse final de semana vibraram e voltaram sua atenção para o molho inglês com feijoada, a avalanche Portelense, os pintores e o Rei do Baião, esse final de semana eu foquei no Grupo de Acesso. O samba divino e extasiante do Império Serrano, a bateria cadenciada do Tuiutí e a ótima, surpreendente e empolgante apresentação da Rocinha me fizeram parar para pensar nesse grupo tão especial quanto o grupo de cima da linha da mídia.

Alguns sambistas e “sambeiros” ainda desconhecem a importância dos grupos de “baixo”. Sim, grupos abaixo da linha da superação, pois fazer carnaval no Grupo de Acesso sempre foi um desafio. Diferente do luxo da Cidade do Samba, além da falta de grana, o acesso sofre com a falta total de infra-estrutura e apoio da iniciativa privada.

Desde que me entendo por gente e acompanho carnaval, sempre gostei muito do Grupo de Acesso – por que será né? – e sempre me senti muito mal em ver que é tão pouco valorizado e sempre foi muito mal aproveitado. Poxa, se é um grupo que leva uma escola ao Grupo Especial, ele deveria ser tão valorizado quanto o grupo de cima, pois dali sairá a escola que abrirá o carnaval do ano seguinte, servindo assim de cartão de visita pro carnaval que se aproxima, logo nosso Prefeito e a Riotur deveriam saber usar melhor essa fonte.

Percebo que a cada ano, devido à essa grande desvalorização do carnaval do acesso, as escolas – limitadas de recursos financeiros – procuram reaproveitar o máximo que podem das esculturas, fantasias, e demais adereços dos carnavais passados. Penso que devemos valorizar o novo, o ineditismo e o original. Além de respeito com o sambista e com quem paga o ingresso para ver um espetáculo inédito, esse é um ato que deve ser louvado e premiado.

Nos últimos 3 anos é notória a mudança nesse grupo, a criação da LESGA deu um novo tom, sentimos mudanças no CD, na transmissão, na organização e na divulgação das escolas. Um dos pontos altos foi esse ano com o CD gravado e produzido pelo Bessa com os sambas enredo e as exaltações de cada escola. Taí um modelo que podia ser adotado novamente pela LIESA.

A transmissão em 2012 será por conta do SBT depois já ter passado tragicamente pela BAND e CNT. Para compor na montagem de opiniões vista por ângulos de experiências diferentes, penso que para somar à Miro Ribeiro seria de muito valor ver Fábio Fabato na transmissão do acesso. Nome novo, perspicaz e com propriedade para falar sobre.

Outro mote que eu considero o mais importante de tudo foi o Curso de Jurados produzido pelo Instituto do Carnaval capacitando os jurados que atuarão no ano que vêm. Essa atitude além de dar ao carnaval mais profissionalismo, mostra que há preocupação em instruir os jurados. Sugiro ainda mais ao carnaval do Rio (LIESA e LESGA): seguir os passos da LIGA-SP – sim de SÃO PAULO -, que também através do Instituto de Carnaval selecionou seus jurados via concurso público, com edital, taxa de matrícula e provas específicas. Meu sonho isso ocorrer aqui no Rio. Acabaria de vez com qualquer burburinho que ocorre antes do carnaval. Fica a dica!

Repito, é preciso o Prefeito aproveitar melhor esse grupo! Temos escolas tradicionais, suas quadras em locais nobres e torcidas equivalentes em grandeza. Por que não transformar o Grupo de Acesso em uma prévia requintada do Grupo Especial, por que não focar nesses Grupos? É notório que para alegria dessas escolas se faz muito necessário construir uma “Cidade” só delas. Eles não querem uma Nova Cidade do Samba, apenas um espaço decente para se montar seu carnaval. Galpões com a mesma estrutura e localização próxima dariam um gás a essas agremiações, o que com certeza melhorariam significativamente o nível do desfile. Reginaldo Gomes: prepare um projeto e mande para o Prefeito, se é por falta de arquiteto, vamos providenciar! Não podemos perder tempo!

Próximo final de semana terá o belíssimo samba da Inocentes de Belford Roxo e o esperado e animado samba da Santa Cruz!

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