Veja justificativas dos jurados para notas dos sambas

Alberto João (responsável pelo site CARNAVALESCO)

Portela: É o samba do ano. Confesso que não foi paixão desde o início. Achei que não chegaria. Na versão oficial do CD, Gilsinho deu ainda mais força para o samba. A obra conta com perfeição o enredo e a melodia é deliciosa. Nota: 10

Vila Isabel: Outro samba que não me conquistou desde o início. A parceria é forte, mas isso não me motivava nas eliminatórias. Gostava mais do samba da parceria da Martinália e da parceria do Guilherme Salgueiro. Na final, eu vi que o samba realmente era o do André Diniz. Fui pegando gosto pela obra e hoje é das que mais escuto. O motivo de ter tirado um décimo é para não igualar com a Portela. o samba portelense é de outro mundo, uma jóia rara. Nota: 9.9

Mocidade: Já era hora. Depois de aturar sambas de qualidades discutíveis, o torcedor da Mocidade está feliz, porque possui um excelente samba para 2012. Adoro o refrão principal. Só acho que em alguns momentos poderia ser mais vibrante. Destaco a qualidade da letra, o samba sabe falar do homenageado sem citar suas obras, que seria o lugar comum. Nota: 9.8

Salgueiro e Unidos da Tijuca – Acho os dois sambas com o mesmo conceito. Na minha cabeça também já penso que os enredos são excelentes e favorecem, embora, eu tivesse outro samba predileto no Salgueiro, consegui entender o que a escola queria e sinceramente acho que o Salgueiro tem tudo para arrebentar com essa obra. O samba da Unidos da Tijuca é lento, mas queria mais emoção e vibração. Contudo, eu tenho certeza que ele vai funcionar para o desfile de imagens impactantes criadas pelo carnavalesco Paulo Barros. Nota: 9.7

Ilha e Mangueira: Outro empate no meu conceito. Não sou da turma que não gostou da junção da Ilha. Confesso que é um dos sambas que mais ouço. Acho o Ito Melodia um dos melhores da atualidade. Só questiono a letra em algumas partes, mas acho que não vai interferir no resultado da escola e já aponto a Ilha como forte candidata a voltar no sábado das campeãs pelo magnífico trabalho do carnavalesco Alex de Souza, que é um craque. Sobre a Mangueira, eu respeito o presidente Ivo Meirelles e sei que muitas decisões dele foram perfeitas. A gravação do CD ficou devendo, a escola possui cantores fantásticos e não precisava dessa novidade no CD. Se virar sucesso, eu terei o prazer de reconhecer mais uma ideia do Ivo. Apesar disso, o samba conta perfeitamente o enredo e tem uma melodia gostosa, mas a entrada de algumas palavras quebrou a bela obra mangueirense. Nota: 9.6

Beija-Flor: É estranho dar a nota 9.6 para Beija-Flor, que sempre está no topo e faz sambas perfeitos. Não gostei da junção. Eu tinha o meu samba. Achava um hino espetacular, que em algumas partes me fazia até chorar, mas ele entrou com pequenos versos na obra campeã. Na quadra, eu vi que a escola também queria muito o outro e prefiro confiar na sabedoria do Laíla. Até o momento, eu acho que junção não era necessária, mas ele demonstrou convicção e agora vamos ver nos ensaios técnicos e no desfile oficial.

Imperatriz, São Clemente e Grande Rio: Mais um empate. Dei nota 9.5 para três. Diferente dos outros anos, a Imperatriz não está no meu topo, mas na pesquisa do site ficou em terceiro. Então, eu prefiro ouvir mais vezes para ver se estou certo ou errado. A São Clemente é uma grande surpresa. Para quem não conhece o refrão principal parece mais uma coisa sem noção, mas está totalmente dentro do enredo e é divertido. A Grande Rio tinha que caprichar mais. Gosto de algumas partes do samba, mas uma escola que disputa o título não pode correr o risco de perder pontos em samba-enredo, já que esse quesito vem de casa e pode ser muito bem trabalhado até o desfile.

Renascer e Porto da Pedra: Pensei em dar mais um décimo para o samba da Renascer. Gosto da obra, mas acho que para abrir o desfile do Grupo Especial, a escola tinha que ter um samba ainda mais vibrante. O enredo não ajuda, porque o homenageado não é conhecido da maior parte do público. O ponto positivo é a melodia que é muito boa. A Porto da Pedra ficou devendo. O enredo é complicado e a escola que apresentava excelentes sambas em anos anteriores parece que perdeu a mão. Nota: 9.4

Aydano André Motta (O GLOBO)

Portela – Pela primeira vez, este jurado ranzinza dá uma nota 10 com todo o entusiasmo. Que maravilha o samba da Portela! Há muito tempo, o carnaval não ganha composição tão inspirada. Arrebatador, poético, revolucionário (três refrões, 38 versos), vale ser ouvido incontáveis vezes. A união de Clara Nunes com as festas e rezas da Bahia desembocou num hino antológico.  Um trecho entre tantos: "Vestido de azul e branco/ Eu venho estender o nosso manto/Aos meus santos do samba que são orixás". Para citar outro baiano famoso, quem não gostar é ruim da cabeça ou doente do pé! 10

Beija-Flor – Hino com a cara da escola, que vai "brincar" na temática religiosa e na homenagem a Joãosinho Trinta. O refrão do meio é muito forte e bonito, como prefere a turma de Nilópolis. A junção de duas composições deu num dos melhores sambas do ano. 9.7

Salgueiro – E depois de muitos carnavais, a vermelho e branco da Tijuca terá um ótimo samba para desfilar! O melhor enredo do ano, sobre literatura de cordel, rendeu uma composição alegre, com dois refrões fortes (em especial o do meio) e o trecho final emocionante. Tudo perfeito para a bateria Furiosa dar seu costumeiro espetáculo. Hino de favorita ao título. 9.7

Vila – Vai todo mundo "sembar" num dos melhores sambas de 2012. Liderada pela dupla Arlindo Cruz-André Diniz, a parceria da escola da terra de Noel criou uma obra rica, empolgante, com direito a um contracanto muito sofisticado – se vai dar certo na avenida é outra história, para outro júri… Como nada é perfeito, o reparo é o erro de concordância no último verso, "Viva o povo de Angola e o negro rei Martinho". O verbo, "Viva", tinha de estar no plural (sim, o jurado é obsessivo com o idioma). 9.7

Tijuca – O melhor samba dos últimos anos na escola, resultado do enredo mais simples e poético, na homenagem a Luiz Gonzaga. A segunda parte, com citações ao rei do baião ("Simbora que a noite já vem…"), é especialmente bonita. 9.6

Imperatriz – Está preservada a tradição de bons sambas do povo leopoldinense. Uma obra absolutamente redonda festeja Jorge Amado com a devida poesia. Um trecho inspirado: "O mar, beijando a esperança,/ Descansa nos braços de Iemanjá./ Menino amado…/ Destino bordado de inspiração./ Iluminado…/ Vestiu palavras de fascinação." O enredo está contadinho no hino, que cativa desde a primeira audição. 9.6

Mangueira – Certamente vai crescer na avenida, porque a ideia dos cantores do Cacique na gravação, numa coisa "We are the world", prejudica a compreensão do samba. A letra poética e as várias referências a músicas históricas das crias do Cacique de Ramos, enredo verde e rosa, devem garantir mais um desfile visceral da escola. 9.5

Ilha – Outra junção, o samba que fala de Londres começa com um refrão interessante, lembrando o bronze da mulata ao lado do ouro e da prata olímpicos. O enredo está lá, contadinho, o refrão do meio faz piada com chá e feijoada – bem a cara da escola – e a referência a São Jorge, o santo do carnaval, também está lá. Uma composição correta. 9.4

Mocidade – Um ótimo refrão com o nome do homenageado Portinari abre o samba da Mocidade. A empolgação se sustenta até a metade, mas a segunda parte cansa um pouco. O resultado termina como mediano. O trecho final soou um pouco forçado, para incluir a menção a "Guerra e paz". 9.3

Grande Rio – O samba abre com uma referência ao trágico incêndio que arrasou alegorias e fantasias da escola, no carnaval passado, mote do enredo sobre superação. Não está entre as grandes composições de 2012 – e a metade final ainda mergulha num tom auto-ajuda complicado ("Sei que meu coração vai me guiar/ Eu sigo em frente sem desanimar"). Favorita nos bastidores, a tricolor se permite um verso no refrão do meio – "Derrubar o "gigante" eu vou" – que gente venenosa entendeu ser direcionada à Beija-Flor. Rivalidade da Baixada em ritmo de samba. 9.3

São Clemente – O refrão com o "bububu no bobobó" é a cara irreverente que a turma de Botafogo prefere. Mas o resto da composição não segura o ritmo, principalmente a segunda parte. O ótimo Igor Sorriso vai ter de suar a camisa para garantir o astral sonhado pela escola. 9.2

Renascer – Tudo que uma escola estreante pode querer é um samba pra cima, bem alegre, para esquentar a plateia. A Renascer até conseguiu isso no refrão inicial de seu hino. Mas dura pouco. A primeira parte ainda é poética, mas a parte final é especialmente arrastada. Pena. 9.1

Porto da Pedra – Que desafio enfrentaram os compositores da escola de São Gonçalo, com o enredo sobre iogurte! Para falar dos benefícios do leite, o samba lembra as vacas sagradas e propõe um libelo sobre a bebida saudável. Dureza… 9.1

Fred Soares (jornalista)

BEIJA-FLOR: Das fusões que a escola já fez, na minha opinião, foi a pior. Há uma clara dissonância melódica entre os trechos do sambas que foram unidos num só. Quanto a letra, há uma boa descrição do enredo. Mas está muito longe de ser um primor poético. No refrão principal, a rima de "amor" com "Beija-Flor" é algo de paupérrimo. NOTA 9,5

UNIDOS DA TIJUCA: Um samba de melodia bastante valente, agradável. Provoca os componentes ao canto, o que pode ser um fator bem interessante para a hora do desfile. A letra usa sem exageros alguns regionalismos nordestinos, na medida certa. Trechos da obra do homenageado também estão espalhados de forma bem equilibrada. Não chega a ser um super-samba-enredo. Mas tem tudo para servir muito bem o desfile da escola.NOTA 9,6

MANGUEIRA: Na verdade, a Mangueira vem com um grande samba-exaltação. Mas com uma melodia que proporciona um casamento agradabilíssimo com a tradicional forma de apresentação da bateria da escola. A letra conseguiu apresentar algumas boas soluções, sem se deixar levar pelo caminho, até natural, de se fazer muitas citações a sambas do bloco ou mesmo de compositores que de lá saíram para estourar na MPB. NOTA 9,8

VILA ISABEL: Um samba-enredo de verdade, da cabeça aos pés. Este, sim, dá uma verdadeira aula de como se pode mesclar uma boa poesia a uma correta descrição do tema proposta. Tudo embalado por uma melodia de primeira, com um notório quê de africanidade, e com um grande toque de ousadia: a indução ao contracanto. Para o desfile, um risco mostruoso. Para se ouvir no CD, algo de simplesmente notável. NOTA 9,9

SALGUEIRO: Assim como a Tijuca, adotou a valentia melódica como característica principal de seu samba-enredo, mas sem cair no oba-oba, o que em anos anteriores se revelou uma tentação (na maioria das vezes malsucedida) na vermelho-e-branco. Também usou resgionalismos nordestinos com parcimônia, mostrando a temática básica da literatura de cordel. Vale ressaltar a reabilitação histórica de Antônio Conselheiro, tratado na letra do samba como "O profeta do sertão". NOTA 9,6

IMPERATRIZ: Um bom samba que prima mais pela melodia do que pela letra. Esta melodia, que de forma clara e inequívoca, indica que o tema gira em torno da Bahia. A parte final da segunda parte do samba é um verdadeiro achado que tem tudo para fazer a escola "mexer" na Avenida. A letra tem bons momentos poéticos, mas versa muito pouco sobre o homenageado e/ou sua obra. E quando o cita, faz de uma forma muito sutil. NOTA 9,6

MOCIDADE: Valendo-sedo tema da escola, posso dizer que a letra de seu samba-enredo é uma verdadeira pintura. Passeia de forma literata e poética sobre a obra do homenageado, com umas passagens absolutamente emocionantes. Versos como "Fez do firmamento seu eterno lar" ou "Você que do morro fez vida real" entraria em qualquer compêndio da literatura brasileira. À melodia falta valentia. Mas é de uma tamanha correção que, bem ensaiada, pode se tornar um fator preponderante para um bom desfile da escola. NOTA 9,8

PORTO DA PEDRA: O enredo, de fato, não ajudou. O resultado foi uma letra absolutamente lugar-comum. Descritiva, é bem verdade. Mas muito pouco para se comparar com outros sambas que vêm fortes em 2012. A melodia, melhor do que a letra, pode até fazer o samba mostrar mais força na avenida, mas também deixou muito a desejar. NOTA 9

SÃO CLEMENTE: Dentro do que a escola se propôs, traz um samba de embalo, cuja melodia oferece muita animação. Inclusive, este é o ponto forte do samba, que está longe de ser um dos melhores da safra. Só que, pelo estilo de desfile da Sâo Clemente, pode se transformar num fator favorável. A letra… Bem, a letra deixou muito a desejar. Rimar "Bububu no Bobobó" com "ó" e um verso com um desnecessário duplo sentido são os pecados do samba. Vale ressaltar, porém, a grande gravação no CD com uma excelente interpretação de seu puxador. NOTA 9,4

GRANDE RIO: O pior samba da Grande Rio nos últimos anos. A harmonização de letra e melodia quase não existe. A letra, além de pouco descritiva, não tem nada que possa emocionar, ou ser levada em conta como uma boa manifestação poética. A melodia, muito reta, tem poucas variações, dificultando o canto. NOTA 9,1

PORTELA: O grande samba de 2012. Acima de tudo, é agradabilíssimo de cantar. Tudo graças à fórmula de uma letra que mescla versos curtos e mais elaborados, com uma melodia extremamente valente, mas que, em alguns momentos, dá uma "calangueada", oferecendo ao desfilante uma bela oportunidade de dançar. O recurso de adicionar um terceiro refrão foi outro achado, pois será mais um fator de animação da escola durante a sua apresentação na Avenida. Em resumo, um achado! Um sopro de vida num gênero musical que parecia fadado a viver eternamente dentro de uma forma. Nota 10

UNIÃO DA ILHA: Não dá para negar que o enredo está descrito no samba. Mas a que custo! Para conseguir isso, a diração promoveu uma fusão que fez do samba-enredo da Ilha um verdadeiro samba do crioulo doido. Assim como no da Beija-Flor, não há harmonia entre os trechos unidos. E mais: chegou-se a juntar num só refrão os versos dos dois sambas campeões, o que deixou a coisa ainda mais confusa. Pode funcionar? Pode. Mas só a custa de muito ensaio. NOTA 9,1

RENASCER: Um agradável samba-enredo. A melodia pode não ter uma grande valentia, mas ela apresenta um casamento perfeito com a letra do samba, o que o torna extremamente fácil de ser cantado. É um samba típico para ser entoado na Avenida. A letra tem belíssimos achados, como nos quatro últimos versos que são de pura emoção. NOTA 9,6

Raphael Azevedo (O DIA)

Portela – 10 com louvor
Já nasceu clássico. Obra renovadora, vibrante e que conquistou milhares de admiradores desde o início da disputa de samba-enredo. Para o Carnaval, o hino da Portela prova que o gênero pode se renovar e ainda surpreender os ouvidos dos que acham tudo muito repetitivo na Sapucaí. A letra conta o enredo com poesia, a melodia foge do óbvio e ainda evoca alguns dos mais belos sambas da história como 'Iaiá dos cais dourado' – Vila Isabel 1969). O refrão principal é uma 'porrada' e o verso 'Madureira sobe o Pelô' ainda será lembrado por muitos anos em Oswaldo Cruz e Madureira. A colocação no desfile pode até não ser a esperada, mas não importa. Os portelenses estão felizes e continuarão em estado de graça do mesmo jeito. Até Fernando Pamplona aprovaria!

Vila Isabel – 10
Que Evandro Bocão, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens são feras todo mundo sabe. Só que desta vez eles se superaram e com a colaboração luxuosa de Arlindo Cruz fizeram uma belíssima obra. A Vila tem um samba-enredo poético, valente e arrepiante. Além de contar o enredo, os compositores exaltam a comunidade e a história da escola em versos como 'a sua alma tem negra vocação' e 'incorpora outra vez Kizomba e segue na missão'. A segunda parte brinda os amantes de samba-enredo com um contracanto belíssimo. Se vai funcionar na Avenida ainda não é possível saber, mas o fato é que os autores ousaram e conseguiram fugir do óbvio. A letra termina resumindo o enredo de forma brilhante: 'Viva o povo de Angola e o negro rei Martinho'. Já imaginou Martinho de coroa na Avenida num lugar de destaque assim como Paulo Brazão desfilou em 1988?

Mangueira – 9,8
Em 2011, a escola levou uma verdadeira obra-prima para a Sapucaí no desfile sobre Nelson Cavaquinho. O samba de 2012 não tem a mesma beleza poética, mas mesmo assim honra as tradições mangueirenses e tem a força dos hinos com os quais a escola está acostumada. Ivo Meirelles mostrou seu prestígio ao reunir estrelas como Dudu Nobre, Sombrinha, Xande de Pilares, Jorge Aragão e Beth Carvalho (emocionante) na gravação. Apesar do rendimento desigual dos artistas, o fato é que a verde e rosa conseguiu um feito histórico: homenagear o Cacique de Ramos com a presença de alguns de seus mais legítimos herdeiros. Mas bem que Jorge Aragão poderia estar mais animado na gravação, né?

Salgueiro – 9,8
Se a dupla de carnavalescos é espetacular e o enredo é ótimo, o samba-enredo não poderia ficar atrás. E o Salgueiro conseguiu isso. A obra da vermelho e branco conta de forma poética o enredo que fala sobre Cordel. Os acertos começam na 'citação' à lendária dona Fia e terminam no refrão principal, que diferente de outros anos, faz com que o salgueirense 'esnobe' um pouco as demais escolas mostrando que ele também quer ganhar o Carnaval e não só participar da festa. Todo componente gostaria de desfilar cantando um samba assim. De fácil assimilação, o hino salgueirense evoca Lampião, Antônio Conselheiro, Padre Cícero e outros ícones nordestinos. Enfim, um casamento perfeito entre samba e cordel.

Beija-Flor – 9,7
A Beija-Flor tem mais uma vez uma grande obra para o desfile que vai exaltar São Luís do Maranhão. Apesar de o samba ser resultado da fusão entre duas composições, a escola conseguiu um bom resultado. A letra começa com um lindo verso que evoca a obra de Gonçalves Dias, poeta maior do Maranhão. Em seguida, o samba une passagens históricas com elementos religiosos e do rico folclore local. Outro mérito do samba é a homenagem para Alcione e Joãosinho Trinta, filhos ilustres da terra. Neguinho da Beija-Flor novamente empresta seu brilho ao disco e empolga. Na gravação, no entanto, foi desnecessário o uso do efeito sonoro inserido na parte que fala sobre o reggae. Ficou artificial demais.

Unidos da Tijuca – 9,6
Pela primeira vez em muitos anos, a Tijuca tem um enredo patrocinado. Mas nem por isso a escola deixou de escolher um tema extremamente cultural:  Luiz Gonzaga. A trilha sonora é inspirada e honra a obra do Rei do Baião. A letra é correta e cita diversas músicas do compositor. A melodia tem momentos de pura beleza e empolga. Além disso, a interpretação de Bruno Ribas completa o pacote. Agora é só aguardar a merecida coroação de Luiz Gonzaga pelas mãos de Paulo Barros na Avenida.

Mocidade – 9,6
Letra inspirada e melodia primorosa. A Mocidade vai para para a Avenida com um grande samba que exalta a vida de Portinari. O desempenho de Luizinho Andanças, que faz sua estreia na escola, enriquece ainda mais a gravação. Destaque também para os belos versos do refrão do meio: Emoção me leva / Livre pincel a deslizar / Vou navegar, desbravador / Um errante sonhador.
 
Imperatriz – 9,5
Qualquer homenagem a Jorge Amado é válida e importantíssima. Ponto para a Imperatriz. No entanto, se a ideia era exaltar a vida e a obra de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o samba tinha que ser mais abrangente. A verde e branco fica muito em cima da Bahia, do sincetrismo religioso e das comidas, todos estes elementos fundamentais na obra do escritor. Mas Jorge Amado é muito mais do que isso. Não se pode esperar que um samba retrate o homenageado em sua plenitude, mas ficou faltando mais da vida do baiano na letra. A política, os livros mais famosos, enfim…faltou um pouquinho mais de conteúdo. Na gravação, merece destaque a interpretação magistral de Dominguinhos do Estácio. Após vários problemas de saúde, o veterano continua um 'monstro'.

União da Ilha – 9,5
Se tem um samba que conta verdadeiramente o enredo da escola de maneira completa, esse é o da União da Ilha. Os versos 'vou botar molho inglês na feijoada' e 'misturar chá com cachaça' resumem bem o espírito da tricolor para 2012. Belas sacadas dentro de um samba altamente descritivo que fazem o ouvinte 'ver' claramente imagens que serão usadas pelo carnavalesco Alex de Souza na Avenida. O refrão principal, no entanto, é fraco e destoa do restante. Não está na galeria dos melhores hinos da União da Ilha, mas servirá como uma luva para o desfile.

São Clemente – 9,5
Depois do hino da Portela, a coisa mais diferente do Carnaval 2012 é o verso 'Tem bububu no bobobó' que a São Clemente levará para a Avenida. Trata-se do nome de um espetáculo criado por Walter Pinto em 1959. Mas será que o público saberá disso? No samba, ficou sensacional e a cara da São Clemente, que mais uma vez honra suas tradições e aposta na irreverência para conquistar os jurados e a plateia. O enredo exalta os espetáculos musicais de sucesso. No samba é possível lembrar de 'A Noviça Rebelde', 'O Fantasma da Ópera', 'A Ópera do Malandro' e outros, tudo isso com muita ironia. A empolgante interpretação de Igor Sorriso faz o samba da São Clemente crescer ainda mais. Depois de muitos anos, a escola não vai abrir o desfile de Domingo. Terá, enfim, uma grande chance para mostrar sua força e virar o jogo.

Renascer de Jacarepaguá – 9,4
Ao estrear no Grupo Especial, a Renascer escolheu como enredo a história de Romero Britto, o artista plástico brasileiro mais reconhecido no mundo. A aposta ousada merece aplausos, já que através do Carnaval muitos poderão conhecer sua história. A letra relembra momentos da vida de Romero, acerta ao mostrar seu exemplo vitorioso de vida, mas peca ao não dar a dimensão exata do talento e do prestígio do artista no mundo. Na segunda parte, destaque para os versos 'Do alto do morro o Redentor abraça o gênio' e 'Que hoje repinta esta cidade'. Para uma escola que vai abrir o desfile principal pela primeira vez, faltou ao hino mais vibração, força e emoção.
 
Porto da Pedra – 9,3
Não poderia se esperar muito de um samba que tem a difícil tarefa de contar a história do iogurte. O tema não ajuda e o hino da Porto da Pedra sofre com a falta de poesia. Não dá nem para culpar os compositores. Eles fizeram um verdadeiro milagre diante da missão dada pela diretoria. Versos como 'A fé se envolveu e foi saborear' e 'seguiu o alimento vencendo batalhas' mostram a dificuldade de se tentar traduzir o tema. A melodia deixa muito a desejar e nem mesmo o talento de Wander Pires conseguiu melhorar a impressão do samba. Dessa forma, os desafios da comunidade e do carnavalesco aumentam ainda mais. Espera-se que o aporte de recursos da empresa patrocinadora seja grande para que a Porto da Pedra possa brilhar nos demais quesitos.

Grande Rio – 9,1
A Grande Rio vai para o desfile como uma das favoritas. Mas o samba-enredo deixa muito a desejar. A obra fala de maneira genérica sobre os desafios do homem em busca da superação usando versos piegas como 'Eu sou guerreiro do bem vou caminhar' e 'Sou brasileiro mandei a tristeza embora'. Diante do que passou com o incêndio em 2011, o enredo é legítimo, no entanto, o hino da escola não emociona tanto assim. Faltou arrebatamento! A melhor coisa da composição é o verso 'Eu tô sentindo que chegou a nossa hora', já que a tricolor a cada ano que passa fica mais forte na luta pelo título.

Luis Carlos Magalhães (colunista do CARNAVALESCO)

NOTA 10: PORTELA
É o samba que a Portela está precisando há muito tempo. Mais que isto: o samba que o “quesito” samba-enredo esta precisando mais ainda para voltar a ser protagonista da festa e conduzir as escolas à desfiles importantes e até vitoriosos. É o samba da esperança… para Portelenses e para os cultores do samba-enredo. Bom para cantar, bom para dançar: um samba de luz!

NOTA 9.8: VILA ISABEL
A força de sempre apresentada pela parceria, desta vez com um balanço a mais trazido pelo parceiro emprestado Arlindo Cruz. Arrojado nos quatro contracantos trazidos e que a harmonia da escola vai ter que “botar no lugar”. E a beleza da homenagem a Martinho. Tem muita chance de “pegar na veia” e interferir no resultado final. Particularmente acho que vai “arrebentar”.

NOTA 9.7: MOCIDADE e IMPERATRIZ
MOCIDADE: O melhor samba da escola neste século encarando, de frente, a melhor safra geral deste século. É alto astral e bem construído. Evoca o “mestre” seguidamente na segunda parte para enfim dizer a ele que é por ele que a escola canta. É o samba que mais ouço. As referências à obra e a ele são precisas e poderão muito bem ser o toque de emoção do desfile: é emoção… que leva!

IMPERATRIZ : o melhor elogio que se pode fazer, a essa altura, é qualificá-lo como um samba com a “marca” da escola que apresentou a melhor qualidade média deste século: “este é um samba da Imperatriz”. Os trechos “MENINO ALADO…” e “QUEM VAI QUERER” apresentam nuances que parecem de outros tempos, de outros carnavais, além de o samba ter o mérito de, em certo momento, nos remeter ao inesquecível Império do Divino de 2006, do Império Serrano.

NOTA 9.6: SALGUEIRO E TIJUCA
SALGUEIRO: numa safra tão boa a escola, apesar de ter escolhido o melhor de sua safra, não repetiu a mesma qualidade do ano anterior. Mas é um samba que a cada audição cresce mais e vai chegar à reta final “redondinho”. E com o último refrão que cai como luva para a escola e para o enredo. Vai dar trabalho…

TIJUCA: Tal como o da Mangueira o samba “tira onda” reproduzindo sucessos de Luiz Gonzaga transpondo para a Sapucaí as mesmas notas musicais das gravações originais. É Assim na “Canção do Viajante” (Chuva… sol…) e em “simbora que a noite já vem, saudade do meu São João”, ambas ousadias muito bem chegadas. Tem bons e insinuantes momentos melódicos que o diferenciam e o favorecerão no julgamento.

NOTA 9.5: BEIJA FLOR e MANGUEIRA
BEIJA FLOR: a pergunta que se fez, e ainda se faz, é se o samba resultante é melhor que qualquer um dos dois que foram desfeitos. Mas isto agora é passado.Curioso que “aquele” trecho do “valeeeeu João”, trecho mais marcante e bonito que foi cortado na fusão, deu lugar ao refrão do “outro” samba que é sua parte mais marcante e bonita. Evoca o sabiá das palmeiras da canção do exílio de Gonçalves Dias e brinca com o beija Flor da escola que está ali para a ilha. O samba aproveita o enredo, ganhando melodia forte que sempre caracteriza a escola, mesmo apresentando um ou outro sinal da fusão.

MANGUEIRA: é só lembrar deste samba na quadra para apostar nele. Usa frases e palavras dos grandes sucessos do Cacique e ainda “tira onda” ao homenagear compositores do bloco com palavras de seus sambas com as mesmas notas das gravações originais:“ SIM” (é o Cacique de Ramos, de Luiz Carlos da Vila) e “CHORA” (de VOU FESTEJAR, de Neoci , Dida e Jorge Aragão). No disco tal semelhança se perdeu em muito sob a nova forma de gravação, fica o mistério para o desfile.Até lá, como as frutas, o samba vai amadurecer muito e poderá surpreender tanto quanto o de Nelson Cavaquinho do ano passado.

NOTA 9.4: SÃO CLEMENTE
O samba tem o mérito de “pinçar”, do enredo, a parte relativa ao Teatro de Revista” e presentear seus componentes com um refrão que dá à escola a melhor marca que busca recuperar, agora sem qualquer “chapabranquismo”: um choque de folia de verdade. Se a gravação não ficasse tão marcheado mereceria estar no top. Os compositores foram buscar a eufonia do título de uma peça da “Revista”, de Walter Pinto (Tem Bububu no Bobobó), que não quer dizer absolutamente nada (como outra do mesmo autor: Tem Xique Xique no Pixoxó), rearrumou o final da marcha Sassaricando (também extraída de “Revista” de Walter Pinto)para elaborar um samba que se adequará perfeitamente ao enredo proposto e poderá ser a marca mais festiva , carnavalesca , brincalhona e mais-que-necessária deste carnaval. Como nos velhos tempos…

NOTA 9.3: RENASCER
A escola vai transformar a “passarela” em imensa “galeria de arte” para mostrar uma obra muito mais conhecida lá fora do que aqui dentro. Por suas cores, luzes e formas o enredo é muito mais fácil de mostrar e desenvolver do que para ele se compor um samba. E é isto que o samba fez, tangenciar-se ao que vai ser mostrado. Se vai dar certo a “aventura” do tema sobre um quase desconhecido por aqui, isto só saberemos lá. Se der, o samba terá cumprindo seu papel. Se não der… não terá sido por falta de samba.

NOTA 9.2: PORTO DA PEDRA
Um samba funcional, adequado ao desfile e sem qualquer pretensão outra quanto à beleza formal. Pela … digamos assim … singularidade do tema seus autores merecem um destaque especial . E aqui o trocadilho é impossível de ser evitado. O enredo passa pelo “leite” e o “Porto” pode até ser da “Pedra”, mas quem dela (da pedra) tirou “leite” foram os compositores. Que a historinha foi contada… isso foi! E a melodia…, bem a melodia, eles deram o jeito deles, até com volteios e revolteios lá dos sambas da Vila.

NOTA 9.2: ILHA
Aqui a junção foi providencial e inevitável. O samba resultante tem o mérito de apresentar o mais oportuno refrão do ano e que seria orgulhosamente assinado por Lamartine Babo: mescla as medalhas alusivas ao tema com a brincadeira desejada pelo enredo e a musa do carnaval, que é a mulata bronzeada: na mosca. No mais passeia pelo enredo dando também uma lembradinha saudosa no Império do Divino já citado. Um samba resultante bastante melhorado em relação aos outros descartados.

9.2: GRANDE RIO
Samba “funcional”. Pega o mote do incêndio e de sua brilhante “superação” pela escola para tentar evocar a emoção da luta daqueles que conheceram a adversidade. Dará carnaval, trará a emoção esperada e buscada? O samba fez sua parte. Se o enredo “pegar na veia” o samba terá cumprindo muito bem sua missão. Se não der… não terá sido por falta de samba.

Roberto Vilaronga (colunista do CARNAVALESCO)

Falar sobre a safra 2012 é fácil, com certeza o Jurado de SAMBA DE ENREDO da LIESA não terá muito trabalho pra julgar esse quesito… Um ano bons enredos geraram sambas de nível médio-bom para ótimo. Sendo assim fica fácil fazer qualquer comentário. Posso dizer que é o melhor CD dos últimos 10 anos.  Temos criatividade por todos os lados: Sambas pra sambar, sambas pra se apaixonar por sua beleza,para aprender por sua riqueza de informações, pra rir, se emocionar, se fazer de nordestino, pra comer feijoada com molho e inglês e depois tomar aquele iogurte para sua digestão! Temos até samba pra superar as dificuldades dos momentos mais difíceis! Ou seja, um dos melhores anos!  Temos para todos os gostos!

Beija Flor – De fato, Nilopolitana! Se eu não fosse sambista saberia de fato que esse samba é da Beija-Flor, ele fala por si próprio. Rico de informação e de figuras de linguagem cultural. Acho muito bacana esse enredo sobre o Maranhão e mesmo sabendo que o samba é um casamento de dois sambas bem distintos, considero um samba nota 10. Muito legal o começo da faixa com tambor de criola típico do Maranhão.

Unidos da Tijuca – Outro samba fantástico! É de uma riqueza poética incrível. A Tijuca acertou a mão em mudar a receita que fazia todos os anos. Optou por uma obra mais leve, poética, deixando as frases de efeito de lado. A citação “Nessa viagem arretada, LUA clareia a inspiração” lembra a forma carinhosa que alguns próximos chamavam Luiz Gonzaga, e mostra entendimento no assunto por parte dos compositores, achei perfeita essa sacada. Só senti falta da menção aos 100 anos dele. Nota 9.9

Mangueira – Respeitem quem pode chegar onde a Mangueira chegou! Um samba com um dos refrões mais emocionantes do CD, mas com um leve deslize na letra. Não sei como será justificado aos jurados, mas não entendo o “Salve o novo palácio do samba”. O que seria esse novo palácio? Uma analogia a quadra da Mangueira como um espaço novo de samba após a casa de Tia Ciata(?) Samba tem ser que ser descritivo, não pode causar dúvidas. Destaque pro Zé Paulo Sierra. Nota 9.8

Vila Isabel – Uma das cerejas do bolo. Samba para se desfilar durante umas 3 horas sem cansar. Penso que o contracanto existente nesse samba possa causar certo impacto nos jurados caso não seja muito bem ensaiado. Não consigo imaginar como será na Avenida. Entendo a importância de “Kizomba”para o povo e para história da Vila Isabel, mas achei desnecessário a citação que é simplesmente sucumbida pela citação ao “Negro Rei Martinho”. Nota 10

Salgueiro – Arriégua! Um enredo que é informação pura, rendeu um samba com as mesmas características. IncoMe incomoda uma parte do samba, onde se diz “Os 12 do Imperador, que conquistou o Romanceiro popular”. Creio que essa parte refira-se aos 12 pares do Rei Carlos Magno de França, e por isso fiquei em dúvida pois Imperador não é Rei, há uma pequena diferença. Salve a licença poética! Destaco a interpretação do Serginho do Porto e do Bessa. Sobram fácil na gravação. Nota 9.8

Imperatriz – “Menino, amado, destino bordado de inspiração!” – E haja inspiração nesse belíssimo samba. Muito bem feito, detalhado, é notável a percepção dos compositores no enredo e a expertise de não usar palavras comuns para se remeter as obras e ao homenageado, quem as conhece entende perfeitamente o samba e percebe que ele está totalmente dentro do enredo. Um samba magnífico. “Meu coração quer festejar!” Nota 10!

Mocidade – “É por ti que a Mocidade canta” – Pra mim é um samba tecnicamente perfeito. Bem escrito, melodia bem encaixada. Não sei se por reflexos dos anos anteriores, senti falta de mais animação no samba, um samba mais empolgante,  o que de forma alguma não desclassifica a obra do Diego Nicolau e Cia. É uma bela cartilha explicativa sobre Portinari. Deve ser levado as salas de aula. Nota 10

Porto da Pedra – Um dos sambas que mais gosto, desde a época das eliminatórias. Existem alguns deslizes na letra, que por esse motivo eu não levaria as salas de aula como o samba da Mocidade. “Hera, gera o caminho das estrelas” Não entendo essa parte, Hera era a esposa Zeus, e não encontrei informação de onde ela poderia ter gerado o caminho das estrelas, o que se sabe é que se seu peito jorrou leite que criou a via láctea. Outra posição que não entendo é “Mistério, no deserto da solidão”, procurei na história do leite e na sinopse e não encontrei ligação com essa parte do samba. Outra parte é o "No calor dessa receita, deixa provar". Ficou meio vago essa parte, poderiam informar o sujeito, quem deixa provar? Eu, tu, eles? Senti falta de um "deixa EU provar". É preciso defender bem esses pontos na sinopse, pois pode gerar dúvidas nos jurados causando um desastre na nota de Samba Enredo. Mesmo assim é um verdadeiro “leite tirado de pedra”, valente e digno do enredo que tem. Nota 9.8

(Lembro que na versão do concorrente tinha menções ao patrocinador que foram retiradas, ao meu ver, desnecessariamente)

São Clemente – “Bumbum de fora, pernas pro ar…” – Outra grande atração do CD, uma das melhores gravações, Igor Sorriso em sua melhor fase. Os compositores genialmente conseguiram juntar a diversidade do enredo, com a irreverência da escola em uma melodia fantástica. A São Clemente voltando aos bons tempo de irreverência com um dos seus melhores sambas desde 2004. O Bububú no Bobobó foi uma das grandes sacadas e uma bela forma de reviver esse título que fez tanto sucesso na década de 80. Sucesso aqui vou eu! Nota 10

Grande Rio – Lembro que quando saiu a sinopse e o enredo, foi pedido que as pessoas não associassem esse enredo com o desastre ocorrido ano passado, mas é difícil não lembrar disso com o refrão de cabeça “Quem me viu chorar, vai me ver sorrir”. É inevitável.  O samba assim como do Salgueiro tem muita informação, só que de auto ajuda. Um verdadeiro Best Seller! Eu to sentindo que chegou a hora deles. A risada do Wantuir em algumas partes me recordou Carlinhos de Pilares. Destaque para a Bateria da Grande Rio, que sobrou no CD. Nota 9.9

Portela – “Meu Rei…” Eis o diamante azul do anel. A cereja caramelizada do bolo.  Teria mais de 1000 adjetivos para exaltar essa raridade que é o samba portelense. O samba mais querido do carnaval carioca veio de Madureira. Três ótimos refrões, letra impecável e melodia inigualável. Incrível. Merece todos os elogios e rendições de homenagens. Nota 10!

União da Ilha – Um verdadeiro samba da Ilha em todos os aspectos. O samba mostra em linhas claras o que o enredo se propõe em uma homenagem bem diferente do que já conhecemos pela Sapucaí de anos anteriores. A grande sacada do samba é o “Vou botar molho inglês na feijoada, misturar chá com cachaça” dando um tom todo carioca e insulano ao samba. Nota 10!

Renascer de Jacarepaguá – Samba politicamente correto em relação à sinopse e a homenagem ao Artista. Um pequeno deslize no refrão principal gerando um pequeno vício de linguagem: “Pintor da Alegria, calor da emoção Pintou Renascer do meu coração”. No canto pode parecer repetição da palavra “pintô”, que não soa bem na melodia do samba.  Senti falta de um samba mais ousado. Nota 9.8

Fábio Fabato (site Galeria do Samba)

Portela – 10
Tudo já foi dito, nada será o bastante. O céu, a terra, a água e o ar para um gênero que andava enjaulado. Melhor samba do ano. E em anos.

Vila Isabel – 10
Ousadia, sofisticação, poesia. André Diniz, a bordo da inquietude dos grandes, é o melhor carpinteiro musical contemporâneo do carnaval. Que não destruam a obra com a já costumeira correria desenfreada, apreciando com suavidade este delicioso vinho da safra.

Imperatriz – 9,9
Uma obra feliz toda vida que flerta assumida, descarada e deliciosamente com os Oitenta. O refrão de centro é um manjar dos deuses para quem aprecia samba-enredo. Que o gostinho do acarajé, mesmo bastante apimentado, acalme os ânimos em Ramos.

São Clemente – 9,8
Maria Augusta diria que identidade é uma coisa muito séria. Dilma complementaria que não se pode tergiversar quando o assunto é identidade. De fato, há que premiar quem aposta sem medo no próprio DNA. Não é um primor melódico, mas tem identidade, algo difícil de ser visto no formato hipoalergênico contemporâneo. (Faço menção também ao samba da Santa Cruz, no Grupo de Acesso A, que segue pelo mesmo interessante caminho, sobretudo no ótimo refrão de centro).

Mocidade – 9,7
Belo samba – o melhor, disparado, da disputa independente – que representa a vitória de toda uma geração, hoje quase trintona, crescida à base de Nescau, Coca-Cola, “Vira, virou” e “Chuê, chuá” na telinha. Traz embutida a chance de resgate da autoestima de uma porção sambista do Rio que há quase uma década está à caça de sua renovação e reinvenção.

Beija-Flor – 9,6
A junção produzida pelo grande Laíla, aos poucos, vai “pegando” e já é possível ver lapidada mais uma bonita obra nascida em solo nilopolitano. O pecado de terem esnobado os versos que exaltavam completa e diretamente um dos homens que puseram a escola no mapa (João Jorge Trinta), porém, ah, porém, este é imperdoável…

Unidos da Tijuca – 9,5
Belo samba que apenas manquitola na letra de alguns versos. A parceria conseguiu o mérito de romper com a hegemonia de uma fórmula que apresentou sinais de cansaço no último carnaval.

Salgueiro – 9,5
Abaixo do carnaval anterior, mas, sem dúvida, um bonito samba, cujo destaque reside na segunda parte – “Salgueiro, teus trovadores são poetas da canção” – bem à frente, quando comparada aos dois estribilhos.

Mangueira – 9,4
Atrapalhado por uma sinopse “marromenos”, o samba da Manga não chega a alcançar as melhores inspirações produzidas tanto em torno da tamarineira, quanto no pisar das famosas folhas secas. Mas não deixa de ser um bom hino. Valeu o curioso jogral da gravação oficial encabeçado por um time de notáveis, e que pode fazer a obra cair no gosto das emissoras de rádio, algo não visto desde o Proterozóico.

União da Ilha – 9,3
Molho inglês na feijoada é o único grande barato de um samba com uma temperatura mais para outono londrino do que para o verão carioca. Mas a junção que, numa primeira ouvida, gerou um senhor estranhamento, pode crescer na carona do vozeirão do sempre ótimo Ito Melodia.

Renascer – 9,2
Num ano em que se fala de Portinari, Romero Britto poderia ter pedido para ser homenageado mais tarde, talvez quando entendêssemos de fato suas reais intenções artísticas. Neste sentido, o samba (e não é por culpa dos compositores) está a uma distância considerável do encantamento, deixando escorrer certa tinta de forçação de barra.

Porto da Pedra – 9,1
Mais complicado do que tirar leite de pedra é extrair nota musical de iogurte. Menção honrosa para os bravos compositores que ainda enfrentaram o revés de falarem sobre o dito cujo numa perspectiva histórica, passeando por civilizações antigas, naquele estilo enredístico próprio da Barsa da vovó. As armadilhas, portanto, foram muitas, a bebida azedou um pouco, mas é louvável o esforço hercúleo por parte dos poetas.

Grande Rio – 9,1
O enredo – que no papel é frágil – condicionou um samba bem abaixo dos melhores da safra. O resultado é uma proposta, na esteira do triste episódio do incêndio no barracão, com grau de apelação um pouco acima das condições normais de temperatura e pressão.

* Clique aqui para ler as justificativas de Eugênio Leal

Leonardo Bruno (Jornal EXTRA E EXPRESSO)

BEIJA-FLOR – 9,5
Samba que apresenta o recorde de compositores do ano: 12! Excessivamente descritivo, é salvo pelo refrão do meio. Nenhuma outra parte salta aos ouvidos. No fim, as referências ao reggae, a Alcione e a Joãosinho Trinta ficaram atropeladas.

TIJUCA – 9,6
Bom ver a Tijuca com um estilo de samba diferente dos últimos anos, o que foi possibilitado pela mudanca também no estilo de enredo. Isso para a escola é bastante saudável. A segunda parte tem uma melodia bonita. Ressalto que alguns trechos remetem a melodias de Gonzagão, como “Chuva, sol, meu olhar”, o que enriquece o samba.

MANGUEIRA – 9,5
Um samba de bloco no melhor sentido, adequado ao enredo, embora sem letra tão inspirada. A gravação confusa prejudica a audição do samba. O excesso de puxadores também é ruim: falta a personalidade do “puxador da Mangueira”, que são vários, todos disputando os versos.

VILA ISABEL – 9,9
Tem a garra de um samba “negro”, com a felicidade de evocar Kizomba e Martinho, dis grandes ícones da escola. Fala de si, com orgulho, relembrando a “lua de Luanda” do título de 1988. Como o da Portela, não segue os padrões, sem refrão do meio e sem ser descritivo. A sacação do final é boa, com a resposta do coro nos últimos versos, embora a melodia fique atropelada no trecho “Viva o povo de Angola”.

SALGUEIRO – 9,5
Como na Mangueira, o excesso de gritos de guerra impede a escola de firmar sua personalidade. Alguns bons momentos de inspiração melódica. Os refrãos podem crescer na Avenida.

IMPERATRIZ – 9,5           
Um bom refrão do meio, com alguns bons trechos melódicos e uma bateria que me parece um pouco menos acelerada que as demais. Em relação à letra, senti falta de mais “Jorge Amado”.

MOCIDADE – 9,4
Nenhum momento de grande explosão ou de melodia mais trabalhada. Apesar disso, é uma boa mudança no estilo de sambas da Mocidade dos últimos anos, que vinha optando por sambas pula-pula, e dessa vez vem com uma obra mais cadenciada.

PORTO DA PEDRA – 9
É muito difícil fazer um samba para um enredo sobre o iogurte, e só por isso os compositores já merecem nossos aplausos. Samba sem grandes destaques.

SAO CLEMENTE – 9,6
Também não se perde no excesso de descrições e deixa o samba fluir. Conseguiu dar o tom irreverente da escola a um enredo que, em princípio, nao passava essa característica.

GRANDE RIO – 9,3
Com letra confusa, o samba é uma queda de qualidade da escola em relação aos 3 últimos anos, quando apresentou boas composições. Esperava-se um samba guerreiro, depois do incêndio, mas o samba parece morno.

PORTELA – 10
Um samba diferente de tudo que se tem ouvido, com 3 refrãos, com gingado, todo melódico, gostoso de cantar. O perigo é a bateria acelerar demais e impedir que o desfilante desfrute dessas variações tão ricas de melodia. Um samba que favorece a festa, o desfile, a comoção.

ILHA – 9,4
Errou a mão nesse samba sobre a Inglaterra. No refrão do meio, ainda tentou trazer a leveza da escola, com a mistura da cachaça com o chá inglês, mas não funcionou. Pareceu forçado, não combinou com o restante da letra.

RENASCER – 9
O samba mais fraco do ano, contando um tema difícil. Não tem nenhuma parte que chame a atenção de quem ouve. O samba passa direto pelo CD.

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