Vicente Dattoli: ‘Deixem minha paixão desfilar’

Por Vicente Dattoli

caprichosos_vicenteA gente não escolhe por quem ou pelo que se apaixonar.

Tanto que existe o “amor à primeira vista”, aquele sentimento que arrebata, que envolve, faz o coração disparar, provoca risos e lágrimas.

Eu sou um apaixonado pela CAPRICHOSOS DE PILARES.

E não é de hoje, ou de quando a Escola fez sucesso em desfiles históricos.

Sou CAPRICHOSOS desde quando éramos a antepenúltima do último grupo.

Isso mesmo: nas avaliações de então, apenas duas escolas eram piores do que a CAPRICHOSOS.

Para mim, porém, Ela sempre foi Especial. E minha paixão por Ela só fez aumentar.

Posso dizer, com orgulho, que todas as quadras erguidas no local onde hoje Ela está, tiveram minha ajuda. Pequena, sim, mas ajudei.

Quando o Dr. Piragibe ergueu os primeiros muros, para poder jogar futebol de salão na quadra ele pedia à molecada para carregar tijolos – assim, economizava os custos do ajudante de pedreiro.
Carreguei muitos tijolos.

Mais tarde, quando a quadra começou a ser ampliada, também colaborei. E quando a cobertura foi erguida, mais uma vez deixei um pouco de meu suor por lá.

Daqui a 12 dias a CAPRICHOSOS irá completar 69 anos.

Tantas histórias, tanta alegria, tanta dor…

Talvez, porém, seja o mais triste dos nossos aniversários.

Parece que não iremos desfilar.

A justiça, cega, assim determina – por uma briga entre partes.

Como, porém, faz-se de tudo por uma paixão…

Peço, aqui, a Carlos Fernando e a Paulo de Almeida que busquem um entendimento e evitem que isso aconteça.

A Carlos Fernando, que conheci criança e chamava (como chamo até hoje) de Carlinhos, quero lembrar seu avô, Fernando Leandro – que, por acaso, foi quem conduziu Paulo de Almeida à CAPRICHOSOS.

Carlinhos, abra aquele portão de garagem que está na nossa quadra, primeiro presente que seu avô nos deu, há mais de 30 anos, e deixe Paulo de Almeida entrar e se entendam.

Busquem a Justiça para que se mude esta decisão e se indique alguém que possa nos representar ao menos para que possamos entrar na Avenida e desfilar – uma Avenida que não condiz com a nossa história (sem qualquer demérito às demais agremiações que lá se apresentam), mas é o que nos resta neste momento.

Carlinhos… Paulo de Almeida…

Em respeito a uma história de quase 69 anos, não deixem a CAPRICHOSOS de fora do desfile.

Mesmo que sejamos rebaixados, permitam que entremos na Avenida.

Com o coração sangrando, mas com nossa paixão, queremos levar a CAPRICHOSOS a mais um desfile.

Queremos respeitar a LIESB, a LIERJ e a LIESA (destas duas últimas somos fundadoras) e, principalmente, a população do Rio de Janeiro que, mais de uma vez, gritou “é campeã” em nossa passagem.

Inspirem-se em tantos outros apaixonados pela CAPRICHOSOS e se entendam, mesmo que momentaneamente, para que a justiça indique alguém que nos represente.

Queremos desfilar. Queremos mostrar a todos o quanto somos apaixonados por este azul e branco.

Tenho certeza de que vocês, mesmo com todas as diferenças, têm algo em comum – a CAPRICHOSOS.

Não me cabe aqui discutir os interesses. Deixem isso para o dia 20 de fevereiro.

Aliás, que tal comemorarmos, todos juntos, o aniversário da Escola no dia 19?

Não será uma comemoração festiva, mas com certeza haverá muito amor envolvido.

Deixem-nos desfilar, por amor ao Carnaval.

E este pedido, claro, vai também para a LIESB.

Sabemos da seriedade do trabalho da entidade. Um trabalho que é movido a amor e paixão.

Exatamente como falo desde o início: a gente não escolhe por quem, ou pelo que, se apaixona.

Não impeçam que as crianças que já se apaixonaram pela CAPRICHOSOS tenham esta desilusão tão cedo. E nesta lista, incluo, com lágrimas nos olhos, meus filhos.

A paixão move a vida de todos nós.

SOU CAPRICHOSOS E NÃO VOU MUDAR, MESMO QUE NÃO DEIXEM MINHA BANDEIRA NA AVENIDA DESFILAR.