Vila Isabel faz ensaio emocionante e histórico na Sapucaí

Sensacional! Esta é a melhor palavra para adjetivar o ensaio da Unidos de Vila Isabel na noite deste domingo na Marquês de Sapucaí. As 45 mil pessoas presentes viram o que é uma escola de samba em sua mais pura essência. Escola que pareceu incorporar toda a veia emotiva e cultural da relação Brasil-Angola. Não é definitivo, mas o ensaio da Vila Isabel mostrou o que pode acontecer quando os primeiros raios de sol da manhã de segunda-feira de carnaval recepcionarem a escola. Destaque para o canto e a evolução, ambos com a cara da Vila de Martinho e Seu China, negritude a flor da pele.
 

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Ainda em seus esquentas – o lendário Kizomba e o cativante samba de quadra – a Vila Isabel já dava mostras do que seria o ensaio. A garra com que o carro de som interpretou as obras, a resposta do público, a participação dos componentes e o swing da volta do verdadeiro ritmo da Vila, compuseram o cenário perfeito para a apresentação emocionante que viria a seguir. Nem mesmo o tumulto formado na armação, causado pela volta de alguns componentes da Grande Rio pelo meio da pista, esfriou os ânimos da Azul e Branco.
 

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Assim que a sua comissão de frente avançou, o público pôde conferir um dos melhores ensaios técnicos desde a criação desta importante festa do povo. O grupo, comandado pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, mostrou coreografia simples, mas alinhada à proposta do enredo. Vale ressaltar o fato de a comissão ser formada por membros da comunidade.

Na sequência, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute Alves, mostrou o porquê de serem apontados como um dos melhores casais do carnaval atual. A dupla consegue aliar vigor e graciosidade de maneira única. A indumentária usada acompanhou a qualidade da apresentação e as cores da bandeira de Angola junto ao pavilhão da escola do bairro de Noel deram ainda mais charme aos dois.
 

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O baile seguiu! E todas as alas da escola mostraram o mesmo ótimo rendimento no canto. O público reagiu à empolgação dos componentes e retribuiu, cantando o belíssimo samba de André Diniz, Evandro Bocão e Arlindo Cruz. O trio esteve presente no ensaio e comprovou o efeito que a obra despertou em todos no Sambódromo.
 

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A evolução, se não foi perfeita tecnicamente, chegou bem perto disso. E melhor: mostrou que é possível sim deixar os componentes soltos dentro das alas. A tática funcionou muito bem e os desfilantes da Vila literalmente se divertiram durante o ensaio. O contracanto, temido por muitos, foi executado de maneira perfeita, sem danos para a harmonia. Depois da entrada da bateria no segundo recuo, o carro de som passou a deixar os versos do contracanto a cargo dos componentes, que, mais uma vez, não decepcionaram. Ressalva apenas para o papel do cavaquinho neste momento, precisa ser melhor ensaiada a retomada do instrumento após esta parte do samba.

A caracterização dos componentes também merece elogios. Totalmente alinhado à proposta do enredo. Desde a ala de passistas, passando pelas diversas musas e chegando à Sabrina Sato, que apresentou-se com figurino inspiradíssimo. A japonesa mostrou também intimidade com a letra do samba e as coreografias da bateria.
 

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E por falar em bateria, como é bom presenciar a volta do ritmo característico da Vila Isabel. Depois de dois anos ausente, o swing da bateria comandada pelos mestres Paulinho e Wallan – além da luxuosa participação de mestre Mug – pôde ser ouvido novamente na Sapucaí. Sua afinação inconfundível, a educação musical de seus marcadores e a volta das batidas de caixa e tarol mescladas, assinalaram mais um capítulo do grande ensaio da Vila. Destaque para o cuidado maior com os desenhos rítmicos dos surdos de terceira, algo que fazia falta antigamente, e a bossa do Kuduro, que contagiou o público e pode ser uma das febres do carnaval. Uma outra bossa, esta mais simples, em que os ritmistas reverenciavam o público também foi bastante aplaudida

O ensaio da Vila Isabel na noite deste domingo no Sambódromo deveria ser gravado e exibido toda vez que uma diretoria tiver dúvida para escolher entre um samba comum ou outro, que, a primeira vista, parece não caber nos moldes do carnaval atual. O rendimento da escola na pista durante o treino mostrou não só uma escola com comunidade forte, mas também um samba que esta a altura da história da agremiação. Samba que a diretoria teve peito para bancar.

O próximo ensaio da Azul e Branco do bairro de Noel acontece no dia 03 de fevereiro, partir das 20h. A escola será a sétima a desfilar no domingo de carnaval.
 

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