Viradouro dá show de canto, bateria, originalidade, mas comete erros na evolução

A Viradouro é uma escola de porte, grande. Isto ficou claro durante a passagem da escola na madrigada deste domingo na Marquês de Sapucaí. Não que a Vermelho e Branco de Niterói tenha feito um desfile perfeito, mas o rendimento de chão da agremiação campeã do Grupo Especial em 1997, foi bem superior às outras cinco escolas que desfilaram até agora no Grupo de Acsso A. O componente da Viradouro bootu pra fora o conhecido canto forte, o que fez com que seu belo samba rendesse ainda mais.

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De negativo, o excesso de informação da coreografia da comissão de frente e alguns pequenos erros de evolução, nada que não credencie a escola de Niterói a uma vaga no Grupo Especial em 2013. O conjunto de fantasias da Viradouro merece elogios e compôs o conjunto mais elogiável da noite até aqui, principalmente por sua originalidade. A aposta da escola foi satirizar a obra de Nelson Rodrigues. A proposta de Alexandre Louzada e seu assistente, Junior Barata, ficou clara já na comissão de frente. Durante todo o desfile, a opção da dupla seguiu e o enredo da Viradouro acabou se apresentando de fácil compreensão. À frente da escola, a eterna rainha Juliana Paes animou o público, que estendeu o tapete vermelho e branco.

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Cabines 1 e 4

A comissão de frente coreografada por Luciana Yegros, que estreou na escola, acabou pecando pelo excesso de informação em sua coreografia. A proposta era boa: abordar a maneira que Nelson Rodrigues tratava os mitos e tragédias. O bom humor ficou claro, mas a excecução acabou não convencendo, apesar da indumentária original do grupo e da ideia do tripé -uma fechadura que de todos os lados da Avenida era possível a exibição de alguns membros da comissão.

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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Marcinho e Alessandra Chagas, não apresentou uma coreografia muito elaborada, mas dançou com elegância e entrosamento nos módulos 1 e 4. Apenas no primeiro módulo, ele pegou a bandeira da escola de maneira brusca. A fantasia de ambos foi a mais bela dos primeiros casais até aqui. A fantasia das guardiãs também merece destaque, bem como a performance delas.

O canto da Viradouro foi bem superior às outras escolas que já desfilaram neste sábado. Em praticamente todas as alas e alegorias foi difícil ver algum componente sem cantar o samba da escola. Os últimos dois setores chegavam a berrar o samba, já no último módulo de julgadores. O carro de som da escola se comportou muito bem também e valorizou ainda mais a melodia do samba viradourense.

A evolução foi o ponto mais falho do desfile da Viradouro. Houve um espaço considerável na após a entrada da bateria no segundo recuo. A ala da frente não esperou o fim da manobra, andou e acabou comprometendo a nota da escola no quesito evolução nos dois últimos módulos. Ainda no último módulo, em frente ao quinto carro alegórico, houve um espaço maior do que o normal. De resto, as alas passaram organizadas e compactas, evoluindo com bastante alegria.

A bateria da Viradouro deu o show que todos já se acostumaram a ver. Com andamento e afinação melhores do que já vistos em outras ocasiões, os comandados de mestre Pablo – mias uma vez, devidamente fantasiado de juiz de futebol – brincaram de tocar e foram outro fator positivo do desfile da Viradouro. Destaque para as duas bossas e a entrada noda bateria no samba, de um jeito que só ela faz.

Como já citado, a Viradouro foi muito bem também no quesito fantasia. Muita originalidade e clareza de proposta pôde ser percebida, combinação que compôs o melhor conjunto de fantasias da noite até agora. Destaque para a fantasia da bateria e para o segundo setor – Crônicas do Cotidiano – muito bem humorado.

As alegorias da Viradouro mostraram-se regulares. No mesmo carro, foi possível ver propostas de plásticas bem diferentes. O abre-alas, por exemplo, tinha em sua parte da frente uma máquina de escrever que, plasticamente, não alcançou o resultado esperado. Já a parte de trás estava mais limpa, uma proposta mais bem concebida e executada. As demais alegorias não apresentaram nenhuma grande falha no acabamento, mas o cenário descrito no abre-alas se seguiu em todo o desfile. O quarto e o segundo carro, arrancaram aplausos da plateia pelas coreografias feitas e o alto astral dos componentes.

Cabine 2

Comissão de Frente muito boa de fácil leitura onde utilizando-se metáforas e figuras do cotidiano de Nélson Rodrigues. Vale destacar a interpretação de componentes que ficaram em cima de dos elementos cenográficos com cigarro na boca e máquina de escrever interpretando Nélson Rodrigues.

O casal de Mestre-sala e Porta-Bandeira se apresentou com uma bela fantasia. Eles bailaram muito bem na segunda cabine, mantendo a bandeira sempre esticada. Vale destacar no final da apresentação, a Porta-Bandeira Alessandra Chagas dá um beijo na flor e estica como se estivesse entregando ao julgador.

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Apesar de não ter muito luxo, as fantasias e alegorias retrataram muito bem o enredo. Destaque para as alegorias, quase todas teatralizadas e fazendo interação com o público. Em uma delas, os componentes do carro jogavam buquê para os expectadores.

No quesito harmonia, a Viradouro passou leve, solta e cantando muito, inclusive os componentes das alegorias.

A Bateria se apresentou na segunda cabine sem nenhuma coreografia. A partir dos 43 minutos de desfile, a escola começou a aumentar o ritmo, mas sem desespero.

A escola empolgou o público por onde passava.

Cabine 3

Com Juliana Paes na frente da escola, a Virador levantou a arquibancada nos setores 9 e 10, sendo a primeira a ser recebida com os gritos de “É Campeã” em toda a extensão da pista. A Comissão de Frente trouxe elementos cenográficos com encenação de alguns trechos de peças teatrais de Nélson Rodrigues.

O Mestre -Sala e a Porta-Bandeira estavam com fantasias na cor lilás e executaram a coreografia de forma correta, com passos sincronizados. Após a saída deles, o jurado do quesito realizou uma avaliação da apresentação.

O carro abre-alas, com visual impactante, trouxe coregrafia simulando uma máquina de escrever no alto da alegoria.

A Viradouro apresentou um prolema próximo da terceira cabine, quando uma componente da ala das Baianas passou mal, tumultuando e comprometendo a evolução dos componentes até a nona ala, quando ela foi retirada da pista.

A segunda alegoria, “A Dama do Lotação”, apresentou componentes masculinos dançando de forma obscena.

A Bateria do Mestre Pablo, veio vestido como um juiz e segurava uma bola de futebol. Os diretores da Bateria vieram vestidos de bandeirinhas e os ritmistas de jogadores de futebol.

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O quinto carro passou no terceiro setor com 51 minutos de desfile.

Com um enredo fácil e bem ilustrativo, a Viradouro foi a melhor escola a passar pela avenida até o momento, com todos os componentes alegres e cando bem o samba.

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