Viradouro faz desfile arrebatador e se aproxima de volta ao Grupo Especial

 

 

 

Nenhuma palavra define melhor o desfile da Unidos da Viradouro como arrebatador. A agremiação de Niterói rasgou a Marquês de Sapucaí em uma apresentação fantástica, que levantou todos os setores do Sambódromo ouvindo aclamação do público, que chegou a gritar "É campeã" para a Vermelho e Branco. Nenhuma outra escola obteve este reconhecimento por parte das arquibancadas até aqui no desfile da Série A.

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Se o Enredo tinha a intenção de usar a escola como uma ponte entre o Rio e Niterói, o jovem carnavalesco João Vítor conseguiu cumprir essa tarefa com louvor. Ao colocar grandes nomes da cidade sorriso como fio condutor do enredo em cada setor, João acertou em cheio. Some-se a isso o fato de bastar olhar para alegorias e fantasias para entendê-las de maneira imediata. Uma verdadeira aula desta revelação do Carnaval.

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Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A Comissão de Frente da Viradouro, que veio representando a lenda do índio Arariboia, levantou as arquibancadas com sua coreografia de muita garra. O ponto alto foi o momento em que os índios lançavam flores na direção da plateia por meio de um arco e flecha. Arrancou aplausos da comissão julgadora e do público. O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Marlon e Alessandra, seguiu a boa exibição da comissão. Uma indumentária lindíssima, que representava o mar da Baía de Guanabara, e uma coreografia com muita garra. Apenas como registro negativo, os guardiões prejudicaram a visualização das apresentações com suas fantasia muito grandes e o não desfraldar correto do pavilhão da escola no módulo 1.

Harmonia

Se a Viradouro passou quase perfeita nos quesitos plásticos, ela veio próxima disso no chão. O samba funcionou perfeitamente e o intérprete oficial Zé Paulo deu um show na Avenida, empolgando os componentes e o público desde o início do desfile. A Viradouro pisou na Avenida berrando o samba literalmente, principalmente no refrão principal. O desempenho se manteve firme até o fim. Não foi possível notar qualquer ala que tenha passado sem cantar com firmeza o belo samba.

Evolução e Conjunto

Do início ao fim do desfile da vernmelho e branco de Niterói pode-se notar uma evolução sempre tranquila e linear. Em certos momentos, como na arrancada, as alas quicavam na Avenida, desenvoltas, com espaçamento correto entre as alas. A Viradouro cumpriu o fim do seu desfile com absoluta tranquilidade. Depois da saída da bateria do recuo era possível notar componentes sentindo o título próximo e alguns deles emocionados. Evolução perfeita. O conjunto também esteve muito bom, com as divisões setoriais muito claras. As alegorias todas grandiosas mantiveram um bom nível do início ao fim.

Fantasia

O carnavalesco João Vítor acertou em cheio nas fantasias da Viradouro, que estavam lindíssimas, bem acabadas e em algumas alas, apesar de muito grandes, não atrapalharam a evolução e o canto dos componentes. Além disso estavam com uma leitura muito fácil, como deve ser. É possível ter luxo e bom gosto com simplicidade.

Alegorias

João Vítor também brilhou com as alegorias. Todas as quatro que passaram na Avenida estiveram lindíssimas, tanto que é difícil apontar apenas uma como destaque. A terceira, que representava o "Jardim de Gentileza", veio com uma iluminação fantástica explorando os tons de verde do carro e o novo jogo de luzes do Sambódromo. A última alegoria trouxe a seguinte mensagem – numa singela homenagem a Joãsinho Trinta – (campeão com a escola no Grupo Especial em 1997): "Mesmo proibido olhai pela Viradouro". João lá de onde estiver deve ter ficado muito satisfeito com o trabalho de seu xará.

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