X-9 apresenta falhas plásticas em seu desfile e tem permanência no Grupo Especial ameaçada

x9_desfile2018_-66De volta ao Grupo Especial depois de vencer o Grupo de Acesso no ano passado, a X-9 Paulistana não teve um regresso como gostaria à elite do carnaval paulistano. O desfile sobre os provérbios e ditos populares foi tenso e confuso. A escola apresentou um carnaval com muitos problemas plásticos principalmente em seu conjunto de fantasias em um padrão abaixo do que exige o Grupo Especial. O samba também acabou não acontecendo durante a passagem da agremiação pelo Anhembi.

Enredo

x9_desfile2018_-71O carnaval da X-9 tentou contar a origem e a história de provérbios e ditos populares na setorização de seu desfile. Em um primeiro momento contou-se a origem dos provérbios, muitos datados 2.500 anos antes de Cristo. Na sequência a abordagem falou da China e da Índia antigas, seguindo para a era da Idade Média e do Renascimento. Para mostrar a contemporaneidade dos ditos e provérbios, alegorias e alas mostraram aqueles que são mais falados ao redor do mundo, encerrando o enredo no Brasil.

Comissão de Frente

x9_desfile2018_-79A Comissão de Frente da X-9 Paulistana reelaborou carnavalescamente o “presente de grego” dado aos troianos. Deus, Senhor do Sopro Divinal, criador do som, da palavra cantada e das coisas do mundo, cansado da mesmice dos céus resolve desfilar no carnaval e trouxe consigo seu primeiro escalão de Anjos. Revoltado com tal afronta, Lúcifer para vingar-se, enviou uma alegoria para que Deus desfilasse na avenida. Mal sabia o Dono da Voz, que este quadripé era um “cavalo de Troia” onde escondiam-se Diabos que estavam preparados para sequestrá-lo e levá-lo até o inferno perante seu senhor. Enquanto os Anjos enlouqueceram ao som da bateria, os diabos consumam o rapto do criador. Quando os anjos deram conta do desaparecimento de Deus ficaram desesperados e suplicaram por um milagre. O tripé que representava o cavalo de Tróia tinha falhas de acabamento quando passou pela avenida.

x9_desfile2018_-85Alegorias e Adereços

O abre-alas fez menção ao Sopro Divinal, onde Deus ao criar o homem, concedeu a ele o dom da comunicação. O carro dois foi ‘Quem tem Olho Grande não entra na China’, onde a famosa expressão ‘elefante branco’ se fez representar. O terceiro carro trazia a casa da mãe Joana. Joana, Rainha de Nápoles (século XIV) mandou liberar os bordéis em Avignon, onde estava refugiada. Ao vir para o Brasil a expressão adquiriu ainda o sentido de lugar ou situação onde vale tudo, sem ordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia e a desorganização. A penúltima alegoria fez referência aos ditados reinventados através da transformação da língua ou por sua corruptela ao longo do tempo. O último carro prestou um grande tributo à X-9 Paulistana. Complementando o último setor da escola que fez associações poéticas dos ditados populares com as festividades carnavalescas. O abre-alas se destacou no conjunto da escola formado por crianças à frente da alegoria. Uma diretora estava no carro sem qualquer fantasia. A primeira alegoria também apresentou falhas de acabamento. Na segunda alegoria algumas composições tinham uma fantasia sem estarem devidamente carnavalizadas.

x9_desfile2018_-83Bateria

Os ritmistas dos mestres Fábio Américo e Kito representaram os três mosqueteiros. Inspirada na expressão/dito popular “Um por todos e todos por um”, do latim ‘Unus pro omnibus, omnes pro uno’, é lema dos Três Mosqueteiros, personagens do livro de Alexandre Dumas que virou uma expressão popular significando que a união faz a força e que juntos podemos ir mais longe.

x9_desfile2018_-89Fantasias

As baianas da X-9 Paulistana vieram logo no setor inicial da escola, com uma fantasia representando o Evangelho de João. O figurino fez menção à luz da criação. Ao longo de todo o desfile as expressões e ditos populares amplamente conhecidas e ditas pelo povo se fizeram representar nos figurinos do desfile. A ala de passistas desfilou inspirada na expressão dito popular “quem não dança, segura a criança” referindo-se ao termo utilizado popularmente como um convite para a dança em bailes. Aqueles que se recusassem a participar, ficariam então com a responsabilidade de ficar com a guarda de objetos valiosos, logo chamados de crianças. O conjunto deixou a desejar. A roupa das baianas reuniu materiais muito simples que não surtiram um bom efeito na avenida. A tônica das fantasias foi uma reunião de materiais muito simples, que não se adequam ao padrão exigido para um desfile do Grupo Especial. Muitas alas não tinham leitura em seus figurinos. A ala após o segundo carro apresentou componentes com a maquiagem se desfazendo no suor.

x9_desfile2018_-9Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Danyel Vitro e Lisandra Grothers desfilou representando a esperança. A apresentação demonstrou a caixa de pandora. Inspirada na mitologia romana, conta-se que Pandora foi mandada por Júpiter com boa intenção a fim de agradar ao homem. O rei dos deuses entregou-lhe, como presente de casamento, uma caixa, em que cada deus colocara um bem. Pandora abriu a caixa inadvertidamente, e todos os bens escaparam, exceto a esperança, vindo daí a expressão “a esperança é a última que morre”. Ambos estavam com uma fantasia belíssima com penas de faisão em tons de verde.

Samba, Evolução e Harmonia

O competente intérprete Darlan não conseguiu fazer o samba da escola funcionar no Anhembi. As alas não cantaram e tampouco as arquibancadas demonstraram simpatia pela obra. A escola desfilou tensa e também apresentou problemas de evolução com as alas sem espontaneidade. Depois do abre-alas os componentes passaram a cantar de maneira mais satisfatória, principalmente o refrão. No trecho final do desfile a escola precisou correr, pois o relógio tornou-se um desafio.

Um comentário em “X-9 apresenta falhas plásticas em seu desfile e tem permanência no Grupo Especial ameaçada

Os comentários estão desativados.