A segunda alegoria da Acadêmicos de Vigário Geral era uma referência ao período colonial em que os comerciantes contrabandeavam ouro dentro de imagens de santos para fugir dos impostos feitos pela Coroa. Assim como os escravos, que escondiam o ouro no cabelo para comprar sua alforria. O site CARNAVALESCO conversou com os componentes da alegoria sobre esse ‘jeitinho brasileiro’ que se perpetua até hoje.

Para Raquel Careiros, 32, as coisas não mudaram muito. “Tem tudo a ver com a atual política brasileira, onde todo mundo faz cara de santo, mas no fundo todo mundo tem alguma coisa a esconder.”

A alegoria denominada Santo do Pau Oco trazia um santo no alto do carro, que estava revestido de um amarelo cor de ouro. Com um acabamento aparentemente prejudicado. Na parte inferior do carro havia velas juntos aos santos e anjos que compunham a alegoria.

Na frente da alegoria, uma grande escultura que mostrava com clareza as imperfeições e defeitos do acabamento. Os destaques presentes no carro representavam também a riqueza contrabandeada e o quinto, o imposto real.

“Essa história que o carro traz a gente acaba vendo que é uma coisa que ainda acontece hoje em dia, mesmo que de uma forma diferente. Como o próprio samba diz, ‘a gente acende vela pro santo que nem olha pra favela’, só olham pra gente em época de eleições, prometendo favores. E o enredo também vem contando que o povo sonhava com uma nova história, uma nova eleição.”, contou Allan Pelloso, 32.

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