Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Não faltou nada para a Unidos da Tijuca. Emoção na dose certa, um chão que cantou com a alma, alegorias e fantasias de extremo bom gosto e com leitura apresentando um enredo que se provou na avenida, onde deve ser. E um rendimento espetacular do samba e da bateria Pura Cadência. Com essas credenciais o Pavão do Borel voltou a fazer um desfile nos padrões que transformaram a escola na maior potência do carnaval nesta década. O tijucano não só está convicto de que volta no sábado, como nutre esperanças no seu quinto campeonato.

Comissão de Frente

A abertura do desfile da Unidos da Tijuca mostrou, através de relatos bíblicos, a presença de Deus na vida dos seus filhos. Através da fé no Criador do universo, muitos fiéis devotam suas vidas no caminho orientado por ele. O episódio conhecido como milagre do maná do deserto mostra que, além de sustentar fisicamente os hebreus, Deus ensinou uma lição espiritual para aquela população: é preciso confiar na Palavra de Deus. Desta forma, a comissão de frente abriu o desfile da Tijuca com a simbologia do pão dado por Deus no seu primeiro milagre como forma de amor e cuidado. Foi a comissão mais emocionante da primeira noite. Com divisões claras em momentos distintos, teve o encerramento com brilho ao distribuir pães cenográficos. Aplaudida em todos os módulos de julgamento. No terceiro módulo de julgamento um integrante escorregou e caiu.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca representou a própria fé. Alex Marcelino e Raphaela Caboclo irradiaram a fé do ser humano que crê em um ser supremo, responsável pela criação do universo. O figurino em tons de amarelo reforçava esse credo na presença divina que conduz cada amanhecer e alimenta seus filhos. A estreia da dupla (juntos) no Grupo Especial não poderia ter sido melhor. Sem qualquer tipo de falha passaram verdade e emoção com uma dança tradicional arrancando aplausos de todos.

Harmonia

Com uma das harmonias mais consolidadas do Grupo Especial, a Tijuca já demonstrou ter um trabalho sólido ao rasgar o chão da pista cantando sambas de qualidade duvidosa. Com uma obra de categoria como a deste ano o canto se mostrou ainda mais poderoso. Com uma bateria mais cadenciada foi possível ouvir como o tijucano cantou com alma e o coração.

Samba-Enredo

O melhor desempenho da noite. O samba tijucano, criticado por ser muito melódico e em tom menor, cumpriu o seu papel com maestria, possibilitando o canto e a dança dos componentes. O rendimento do samba passa diretamente pela atuação perfeita de Wantuir. Na volta à escola, mostrou continuar sendo um dos grandes intérpretes do carnaval. Ao lado da equipe de cordas e de canto se destacou em um grande entrosamento com a bateria Pura Cadência.

Evolução

O desfile da Unidos da Tijuca foi no aspecto técnico perfeito. Além da evolução desenvolta das alas e componentes soltos, se movimentando, brincando e cantando, em nenhum momento foi notado um andamento de desfile mais acelerado para não estourar o tempo por exemplo ou mais lento. A escola foi o tempo todo coesa.

Enredo

A escola abriu o seu desfile com o setor demonstrando o pão como alimento sagrado. Comissão de frente, casal, o primeiro ato do desfile e o carro abre-alas mostraram com clareza a proposta inicial. O descobrimento do pão pelo homem e a posterior transformação do alimento em moeda e instrumento político apareceram no segundo setor. A narrativa do desfile seguiu com acontecimentos que marcaram a história da humanidade e a chegada do pão no Brasil.

No quarto momento do desfile, a oração do Pai Nosso deu título ao setor por trazer os anseios de que nunca falte pão na mesa, na parte mais religiosa do enredo. O último setor do desfile tijucano trouxe uma crítica direta aos marginais, aos políticos, aos falsos profetas, aos ardilosos, que roubam, usurpam e humilham o povo.A escola obteve muito êxito na concepção e realização da proposta em todo o desfile.

Fantasias

Bastante diversificada em termos de uso de materiais e proposta estética em cada setor, o conjunto de fantasias da Tijuca, além de extremo bom gosto tinha uma leitura que facilitava o entendimento do enredo. Destacam-se a ala de baianas, semeadura do trigo, com um espetacular figurino todo em palha. No quarto setor, a ala 17, ‘Santa Isabel’ e 19, ‘Santo Honório’. No último setor a ala 24, ‘lobo em pele de cordeiro’.

Alegorias

O conjunto esteve diversificado e com carros grandiosos e impactantes. O abre-alas trazia a santa ceia e o pavão como a visão dos olhos de Deus. A terceira alegoria trazia um impactante navio negreiro. O quarto carro foi o grande destaque do desfile com uma escultura imensa de Jesus Cristo em uma representação da distribuição do pão.

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