O segundo dia da live #CarnavalEmCasa, como o apoio da Guaracamp, recebeu dois convidados especiais na terça-feira. Gabriel David, empresário e conselheiro da Beija-Flor, e, Leandro Vieira, carnavalesco do Império Serrano e da Estação Primeira de Mangueira. Eles responderam perguntas dos apresentadores (Selminha Sorriso, Rodney Figueiredo e Junior Escafura) e do público. O tom do papo foi o momento do carnaval e o que é necessário ser feito para o futuro.

Inicialmente, Gabriel enalteceu o potencial artístico das agremiações e o poder de criar produtos para fomentar a indústria carnavalesca, não dependendo somente da receita gerada pelos desfiles.

“A capacidade artística temos de sobra em todas escolas de samba. Temos criatividade com folga. É usarmos a intelectualidade dos nossos artistas para criarmos algo vendável durante o ano para não ficarmos dependentes somente dos desfiles. Todas ideias, não só minhas, podem ser levadas, debatidas dentro da Liga, para que de fato a gente possa ter a execução de tudo que temos falado nos últimos anos”, afirmou.

Leandro Vieira enalteceu os sambistas que seguiram os pedidos das autoridades sanitárias e não fizeram os desfiles em 2021. Para o mangueirense, o recado foi dado com perfeição e clareza.

“Especialmente, nesses dias de carnaval foi um motivo de alegria, de modo geral, ver que a galera do samba e blocos deram um recado social e cidadão. A imagem de sexta-feira com o Sambódromo escuro e a iluminação especial, que embora seja belíssima, mas triste pelo vazio, foi importante para mandarmos o recado de consciência. Nós, que somos apaixonados por escola de samba, mostramos que o carnaval é cultura, comprometimento e uma atividade importante. De alguma forma, temos que ficar felizes dos sambistas terem deixado um recado importante nesse momento de pandemia”.

Perguntado sobre mudanças no regulamento dos desfile do Grupo Especial, Gabriel David citou que são importantes, mas elencou também outras prioridades.

“De regulamento e parte artística ainda vai demorar para termos mudanças mais concretas como sabemos que precisam ter. Tive oportunidade de trocar uma ideia sobre isso com o Leandro, ele com muito mais conhecido nessa área do que eu. É nítido para quem vive e trabalha o ano inteiro no carnaval, que o regulamento limita os artistas e ainda é antigo, com poucas mudanças ao longo dos 30 anos. É necessário se adaptar ao mundo atual e as visões dos artísticas atuais. Ainda acho que existem mudanças estruturais que devem acontecer antes do regulamento”.

O carnavalesco da Mangueira e do Império Serrano também respondeu sobre o que pode ser feito para movimentar os sambistas e escolas de samba durante o ano inteiro.

“É só olhar para as escolas de samba. Não precisa fazer um esforço muito grande para entender que elas vivem apesar dos desfiles, que acabam tendo maior visibilidade, são mais comercial, mas as escolas de samba vivem o ano inteiro. É preciso dar a mesma visibilidade que dão aos desfiles para às vidas das comunidades. Falar dos projetos sociais já é chover no molhado, porque a grande maioria faz. Falta mesmo ocuparmos os lugares, redes, espaços públicos, voltarmos o olhar para nossas comunidades. É basicamente onde se desconectaram de alguma forma. O reencontro com o povo está na comunidade. O olhar focado para o desfile, verba, e se não tem verba não tem atividade, logicamente, cria o desinteresse. Temos material para interesse e existe vontade de conectar. Muitas vez o botequim ao lado da quadra com samba está cheio e dentro da quadra fica vazio. É preciso que olhem para os interesses da comunidade”.

Gabriel foi questionado sobre o trabalho de comunicação e marketing da Liga-SP e o que pode ser absorvido pelo Rio de Janeiro.

“O carnaval do Rio tem potencial absurdo. É olhar o que está dando certo de alguma forma em São Paulo, mas é ter também a capacidade de se auto analisar e ver o que podemos fazer de melhor para fomentar o espetáculo e as escolas o ano todo. O mais importante de tudo é que as escolas de samba do Rio estejam unidas em prol do bem comum que é a propagação do carnaval. Isso vai desde o fomento das comunidades, o que precisam, o trabalho com as novas gerações, e, como dentro do morro da Mangueira e em Nilópolis, por exemplo, vamos implementar sementinhas para que as pessoas encontrem nas escolas um lugar de abrigo e que cresçam na vida”.

Durante o papo na live #CarnavalEmCasa, Leandro falou também sobre o momento de preparar os desfiles da Mangueira e do Império Serrano para o ano que vem.

“Essa jornada dupla pra mim é um motivo de alegria. A diferença é pouco. Acho que tem mais pontos em comum do que diferenças. Gosto de escolas pesadas para deixá-las com a cara mais fresca. Elas carregaram a herança pensada no bom sentido”.

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