Os meses de agosto e setembro são aqueles que os sambistas reservam para curtir, opinar e compartilhar seus sambas concorrentes preferidos nas redes sociais. Uma das mais tradicionais manifestações do carnaval é a disputa de sambas nas quadras. Com o advento das redes sociais, antes mesmo do início do concurso nas escolas os sambas mais populares já são conhecidos.

Nos últimos anos, com o aperfeiçoamento das gravações, os poetas têm inserido nas suas composições introduções rebuscadas e recheadas de harmonias musicais, acompanhadas de belas vozes. São os chamados alusivos, as introduções antes do samba de fato com a bateria subindo.

O site CARNAVALESCO ouviu cantores e compositores sobre o advento destes alusivos. Muitos sambistas consideram as introduções longas. Outra corrente defende que as obras ganham em beleza e sonoridade. Este é o caso de Samir Trindade, que considera a presença dos alusivos um embelezador das obras.

“Não sou nem a favor e nem contra. Sou a favor do que fique bonito e soe bem no ouvido. Cresci com minha mãe ouvindo uma música do Erasmo com Roberto que eles contavam toda uma história antes de começar a música e era agradável. Mas também não sou a favor de 1 minuto de alusivo antes do samba. Agradar o público do samba é muito difícil, são nove pra dar banda e um pra dar a mão”, comenta.

Um dos mais requisitados intérpretes nessa época de disputas de samba, Tinga avalia que respeita a decisão de cada compositor mas que particularmente não é muito entusiasta de alusivos muito longos.

“Cada um tem uma proposta. Eu acho que com um enredo como a Elza Soares na Mocidade por exemplo, cabe. De acordo com o enredo, a proposta. Eu particularmente não gosto muito, cada compositor faz como acha melhor, mas na minha visão as pessoas estão interessadas mais no samba. Embora eu respeite quem faça”, opina.

Diego Nicolau opina como compositor e cantor. Participando da disputa da Mocidade mais uma vez, ele usou o recurso do alusivo em sua obra. Segundo Nicolau, tudo depende da característica do enredo e do samba que está sendo gravado.

“Eu acho que existem enredos que esse alusivo preparativo dá um clima bacana e vejo como necessário você colocar algum elemento que prepare para o que vem a seguir. Nos últimos anos tem aumentado. Eu defendo o uso do bom senso. Acho que as vezes é válido para criar atmosfera. Esse ano na Mocidade eu achei que cabia fazer”, destacou.

Outro intérprete que participa de muitas disputas, Marquinhos Art’Samba considera que cada compositor sabe o que é melhor para o seu samba e que ele apenas canta a composição. Mas se coloca favorável à subida da bateria no samba o mais rápido possível.

“Eu não gosto de alusivo choradeira. Gosto de alusivo que logo entra no samba. Se demora muito e a pessoa que está escutando se cansa e desiste. Eu sou objetivo. É o grito de guerra, bateria entrando e já foi. Nada contra ninguém que gosta, cada um com seu cada um, mas essa é a minha opinião”, afirmou.

O compositor Daniel Katar considera que depende da característica que o compositor deseja dar ao seu samba. Para ele há um aumento nos últimos anos do uso deste recurso musical.

“Um alusivo de certa forma dá um clima ao samba, ele sendo curto. Da até uma valorizada na faixa. Mas hoje infelizmente há um excesso e o abuso dele, observo que muitos amigos estão usando dois minutos da faixa com esses alusivos gigantescos e isso está se tornando meio que chato por que demora demais para entrar no samba propriamente dito. Acho ruim o caminho que estão transformando ele”, finaliza.

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