A Dragões da Real realizou o seu último ensaio técnico visando o seu desfile no dia 22/04. O treino foi marcado pelo grande desempenho da evolução dos componentes. A comunidade soube colocar em prática tudo o que foi ensaiado em quadra. As coreografias padronizadas, se sobressaíram. O ajuste no canto também se fez presente. O sistema de som completo do Anhembi, beneficiou a agremiação em corrigir alguns problemas que tiveram no primeiro ensaio. Vale destacar a presença da porta-bandeira Evelyn Silva, que dessa vez foi ao ensaio, visto que no anterior não pôde comparecer, devido à uma lesão.

Harmonia

A escola conseguiu ajustar o quesito. No primeiro ensaio, não havia sincronia no canto entre os setores. Por exemplo, havia uns 2 ou 3 segundos de diferença dentro do samba. Isso já é muita coisa. Porém, com a introdução do sistema de som, que agora está completo, o departamento de harmonia conseguiu trabalhar de forma satisfatória junto aos componentes.

A Dragões da Real, é outra agremiação paulistana que se destaca no canto, por isso tem o apelido de ‘comunidade de gente feliz’. Neste ensaio, todos os setores tiveram atuações dignas, sem exceção.

Márcio Santana, diretor de carnaval, falou sobre o canto.“O entrosamento de canto melhorou muito. É claro, nesse ensaio temos o efeito das caixas de som, que diminuem a possibilidade de o samba cruzar, então isso melhorou muito. O nosso processo de evolução dentro da pista foi muito mais positivo dentro desse segundo ensaio”, avaliou.

Márcio também fez um balanço geral. “Na real é que a gente vem em uma crescente. O ensaio de hoje foi muito melhor que o nosso primeiro e está dentro do que nós tínhamos como expectativa e como meta. Acredito que, para a vinda nas próximas semanas, virão com um amadurecimento maior da escola, um ‘encorpamento’, digamos assim, do samba e da comunidade. Hoje eu saio bem satisfeito”, disse.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O ensaio do casal foi marcado pela presença da porta-bandeira Evelyn Silva, que não pôde comparecer ao treino anterior, devido à uma lesão no tornozelo e, hoje, o mestre-sala Rubens de Castro, enfim, ensaiou com a sua parceira. Dentro disso, a dupla fez um ensaio seguro e executou movimentos leves, pois o samba pede. O bailado se destacou principalmente no refrão principal. O sorriso no rosto de ambos foi fundamental para uma boa performance. Outra coisa legal de se notar, foi a reação do público quando o casal estendia o pavilhão para a arquibancada e arrancava muitos aplausos.

Samba

Como é típico da Dragões da Real, o hino da agremiação é aquele famoso ‘chicletão’. Palavras fáceis de cantar e assimilar, fazendo com que a evolução da escola tenha facilidade para evoluir. É uma estratégia que a escola adota desde que conseguiu o acesso, no ano de 2011. Com certeza, essa obra vai beneficiar todo o público do Anhembi no dia do desfile, visto que a ‘comunidade de gente feliz’ será a última a passar na avenida no dia 22/04.

Renê Sobral tomou conta do carro de som. É interessante observar uma parte do samba onde uma parte em do samba em que o cantor faz o barulho de um trem, fazendo referência à música ‘trem das onze’, do Demônios da Garoa. As partes mais cantadas foram o refrão principal e a última estrofe.

Bateria

É interessante notar como a bateria ‘Ritmo que Incendeia’, regida por mestre Tornado, ensaiou com um número de ritmistas abaixo do comum entre as baterias das escolas de samba de São Paulo. Porém, mesmo com o contingente menor, a batucada teve um desempenho dentro do que se pede. Fez os apagões dentro do samba e retornou com os compassos de maneira correta. Teve participação fundamental para deixar a comunidade cantar em uma só voz.

O diretor de bateria da escola, mestre Tornado, avaliou o desempenho. “Foi muito melhor que o primeiro. Bateria encaixou, canto da escola encaixou e as bossas encaixaram. Do que eu esperava da bateria foi além. Só tenho que agradecer à minha bateria”, disse.

Tornado também falou sobre o contingente da bateria. “Trabalho, família, é complicado. Ser-humano é complicado, mas o que veio hoje compensou. Nossa bateria vai sair bem menor que o ano passado, saímos com 230 no último carnaval e esse ano vou sair com 190. Parece que está pequena, mas deve ter faltado uns 10 ritmistas, mas foi tudo bem”.

O mestre “A alegria, vontade de tocar, de fazer, pegar o instrumento e fazer pelo amigo. Não tocar para você, tocar pelo amigo do lado. E é isso, a parada é essa, a bateria é tocar para a bateria, não é tocar para mim, não é tocar para eles, é para a bateria. É conjunto”, concluiu.

Evolução

Foi o quesito destaque da escola. A Dragões soube ocupar bem o espaço na pista. Comissão de frente e casal abriram o desfile e, aparentemente, tudo ocorreu como esperado por parte da agremiação. O departamento de harmonia conseguiu conduzir bem as alas, incentivando o canto e a evolução a todo momento.

Quase todas as alas são padronizadas no andamento na pista. No refrão principal, onde se canta ‘é Adoniran’, os componentes levantam os braços duas vezes para o alto. Nos dois primeiros versos, balançam os corpos para os dois lados.

No local onde se canta: ‘botei torresmo no verso, na contramão do amor, fiz da miséria poema, se alembra disso doutor’, entre as fileiras das alas, intercaladamente, os componentes vão da esquerda para a direita. Isso requer muito treino e, de fato, foi muito bem executado.

Outros destaques

A comissão de frente fez uma dança de fácil leitura, simbolizando muito bem o que é os ‘Demônios da Garoa’, grupo de Adoniran Barbosa. Inclusive, a detalhada maquiagem dos componentes, era um demônio. Óbvio que levando para o lado engraçado.

Com o intuito de colorir a pista, as alas carregavam adereços de mãos. Bexigas, bandeiras, bastões e tudo mais. Na medição de alegorias, a agremiação levou um elemento alegórico de um dragão. Deu um belo visual na pista. Cada ala tinha a sua camisa. Dando uma noção de que estava tudo muito bem separado e organizado.

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