A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), junto com os dirigentes das doze agremiações que compõem o Grupo Especial, irão definir, nesta quinta-feira, os rumos do Carnaval 2021. Em função da pandemia do novo coronavírus, que afeta o Brasil e o mundo, é praticamente certo que os desfiles não irão ocorrer em fevereiro do ano que vem. Todavia, resta definir se a folia será realizada em outra data ou se não haverá festa em 2021.

Qualquer que seja a decisão tomada, uma série de fatores terão de ser levados em consideração antes do martelo ser batido. Além das questões de saúde pública, que visam evitar uma maior proliferação de casos da Covid-19, há de ser pesado na balança os aspectos financeiros, que envolvem o sustento de milhares de famílias que vivem direta ou indiretamente do Carnaval; como também a situação dos cofres do estado e da cidade do Rio, que tem nos desfiles das escolas de samba uma importante fonte de receita.

Há poucas horas da plenária que irá decidir o futuro do maior espetáculo da Terra, o site CARNAVALESCO ouviu alguns sambistas, de diferentes segmentos e escolas, para saber as expectativas e a opinião deles acerca dos cenários que despontam para o Carnaval 2021.

Para Rute Alves, porta-bandeira da Viradouro, a manutenção da realização dos desfiles para o mês de fevereiro é algo completamente fora de cogitação. “Ter um Carnaval no início de 2021 é inviável. Primeiro, por causa do vírus, porque mesmo que tenha uma vacina ao decorrer ainda desse ano, em fevereiro, a população não estaria 100% vacinada, imunizada. Segundo, a questão logística, do tempo que cada escola precisa para se preparar, para fazer um grande espetáculo. Até porque chega também de a cada ano ter de diminuir alguma coisa. Nosso espetáculo não permite que diminua mais nada. Ele tem de crescer e não diminuir”, avaliou.

Na opinião de Rute, o ideal seria o adiamento da folia. “Torço muito para que decidam fazer o Carnaval mais para o meio do ano, em julho por exemplo, para que em agosto e setembro já se iniciem os trabalhos para o próximo. E espero que com os dirigentes chegando em um acordo sobre a data, seja elaborada uma equipe capaz de estudar estratégias e algumas normas para que, mesmo em julho, caso ainda não tenha sido toda a população vacinada, adotem-se protocolos para que quem esteja desfilando, trabalhando e assistindo não corra nenhum risco”, defendeu.

Quem também segue esta mesma linha de pensamento é Júnior Escafura, um dos integrantes da comissão de carnaval da Portela. “Minha expectativa é para que as escolas entrem em um consenso e, junto da Liesa e do poder público, haja um entendimento pensando em todas as pessoas, tanto na saúde delas perante a pandemia, quanto na segurança financeira daqueles que vivem do carnaval e dependem desse trabalho para sobreviver”, pontuou.

“Hoje, acho que o Carnaval precisa ser ser adiado. Talvez para o mês de maio, que aí de repente a gente já tem um cenário melhor dessa pandemia, uma expectativa maior pela vacina. Mas é claro, se chegar em janeiro e fevereiro com o cenário da pandemia do jeito que está agora ou pior, não vai ter como e aí sim vai ser preciso cancelar. No entanto, neste momento, eu acho que a melhor solução é adiar o Carnaval e a gente continuar criando ideias, para que possamos nos adequar, e se consiga ter a realização do Carnaval em alguma data que o cenário esteja um pouco melhor”, prosseguiu.

Escafura ainda alerta que mesmo que haja os desfiles em 2021, são grandes as possibilidades de serem em um formato ou proporção menores ao espetáculo que estamos acostumados. “Diante do cenário em que a gente se encontra, é preciso buscar soluções. Talvez seja necessária uma mudança de regulamento, uma diminuição de alegorias, porque a gente sabe que a questão financeira vai pesar bastante para as escolas”, destacou.

Na visão do mestre de bateria Fafá, da Grande Rio, mesmo em meio ao cenário adverso, a folia carioca não pode passar em branco em 2021. “Não consigo imaginar ou visualizar o Rio de Janeiro sem ter de alguma forma o Carnaval. Acho que as escolas de samba, juntamente com a Liesa e com os órgãos públicos cabíveis, com certeza vão chegar a um denominador comum. De alguma forma ou de outra nós vamos realizar o Carnaval, nem que seja algo mais simples ou que não tenha disputa”, assegurou.

“O povo precisa disso. O carnaval traz alegria, gera emprego, não só para as pessoas que trabalham no barracão, mas para várias pessoas que trabalham no entorno também”, complementou Fafá.

Já o diretor de carnaval do Paraíso do Tuiuti, Junior Schall, preferiu adotar um discurso ponderando sobre a realização ou não da festa no ano que vem. “Que tenhamos, dentro de uma condição real de proteção, a realização dos desfiles das escolas de samba. Porém, essa situação é pautada por inúmeros fatores que compõe um grande e intrincado cenário ao redor, que não dependem somente da ação da Liesa. A Liga sempre teve o olhar apurado e toda a preocupação para a melhor realização do espetáculo, que não é nada simples. Deste modo, entendo que mesmo num formato e num tempo de calendário diferente, a Liesa, junto das agremiações, e com a segurança em primeiro plano irá encontrar o caminho para termos um evento que represente a festa popular do Carnaval com os desfiles das escolas de samba”, frisou Schall.

“As agremiações tem buscado apoiar as suas comunidades. O desejo e a ação de todos é em relação a saúde, a preservação da vida”, concluiu o diretor de carnaval

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