A Estação Primeira de Mangueira está com a bola toda neste pré-carnaval. O enredo “História para ninar gente grande” recebeu muitos elogios. O samba-enredo dos compositores Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino conquistou os corações dos sambistas e já é o mais ouvido no site CARNAVALESCO. Para o compositor Deivid Domênico, o carnavalesco Leandro Vieira é uma das figuras mais importantes para vitória da parceria no concurso mangueirense e todo esse sucesso da Verde e Rosa.

“Passei por muitas dificuldades para chegar até aqui. E duas pessoas foram muito importantes nesse processo. A primeira delas é o carnavalesco Leandro Vieira, ele me perguntou se eu faria samba, eu disse que não teria dinheiro, mas ele me encorajou dizendo que nunca havia visto na escola um resultado que não fosse a vitória do melhor. E o outro foi Lequinho. No dia que peguei a sinopse voltei com ele de carona e ele me disse que se eu fizesse um bom samba que seria escolhido pela escola. Posso ganhar dez sambas que esse é impar”, revelou o compositor.

Perguntado como foi surgiu a ideia de colocar na letra do samba a ex-vereadora Marielle Franco, que foi assassinada esse ano, Domênico ressaltou a força da mulher.

“A grande questão é que não é a Marielle. São todas as mulheres que lutam e são caladas. Ela foi uma mulher que lutava pelas comunidades e teve a vida tirada de uma forma brutal. A história não é só o passado, ela se faz no presente. Não fomos oportunistas, fomos oportunas. Ela era uma mulher negra, que foi calada pelo sistema”, disse.

Domênico apontou que sua parceria conseguiu quebrar o sistema de disputa de samba. Ele ainda comentou a importância do gênero para o carnaval.

“Foi uma disputa dura. Havia um projeto e fomos pragmáticos em fazer desse samba vencedor, para quebrar esse sistema de disputa caríssimo. O samba sempre vai vencer. O que está no samba faz parte da nossa luta diária. Nasceu com muita naturalidade essa obra. Eu acho que a função do compositor é quebrar paradigma e não apenas vencer. Nosso prospecto era xerox e nós não tínhamos bandeira. O povo veio junto e era isso que a gente queria. Foi a vitória do samba sobre a estrutura”.

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