Por Juliana Cardoso

A Estação Primeira de Mangueira levou para a Avenida o enredo “História para Ninar Gente Grande”. A escola mostrou um outro lado do passado brasileiro, trazendo uma narração que não foi contada nos livros. As matriarcas da verde e rosa representaram mulheres negras que utilizavam seu dinheiro como escravas de ganho para comprar cartas de alforrias.

Intitulada como “Irmandades negras”, a ala das baianas vestiu uma fantasia de tons marcantes. A saia negra foi adornada com faixas e cinturões de estampas africanas na cor laranja. No pescoço, búzios, terços e figas, ornamentos que remetem a religiosidade. Na cabeça, um chapéu em forma de bandeja, uma clara simbologia destas personagens, que usavam o pouco que ganhavam para ajudar outros negros da época.

“Muitos se esqueceram dos 338 anos de escravidão, de que quatro milhões de pessoas foram retiradas de suas terras e trazidas para esse país em condições desumanas. Foram obrigadas a aceitar uma vida medíocre e aprender a fazer muito com pouco. Para mim, como mulher negra, desfilar com essa fantasia é resgatar as nossas raízes e valorizar o que a história escondeu”, disse a médica Maria Nazaré Ramos, componente da ala.

A irmã dela, Maria Inês Ramos, completou:

“É emocionante representar a história escondida dos meus antepassados na Avenida, ainda mais em um traje tão bonito e representativo como o das baianas”, disse.

A verde e rosa foi a sexta agremiação a entrar na Marquês na segunda noite de desfiles do Grupo Especial.

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