Baianas do Salgueiro reviverão Iemanjá de 1969 na avenida e Maria Augusta relembra momento histórico

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Fotos: Thiago Cardoso

Rio de Janeiro, domingo de carnaval, no dia 17 de fevereiro de 1969. O Salgueiro sofre com um longo atraso em seu desfile (na época todas as escolas desfilavam em um único dia). Para tentar motivar o exausto componente, antes mesmo de desfilar, o carnavalesco Arlindo Rodrigues movimenta uma alegoria para a frente da escola. A imagem que entraria para a história eterna do carnaval, a Iemanjá de ‘Bahia de Todos os deuses’, será revivida pela ancestral ala de baianas da escola em 2019, no enredo ‘Xangô’.

Testemunha ocular da história, Maria Augusta, contou ao CARNAVALESCO detalhes daquele momento e como a simples decisão de movimentar a alegoria antes do desfile causou comoção nos componentes e foi decisiva para aquele campeonato.

“Naquela época os atrasos eram bastante comuns, pois não havia transmissão como hoje. Aquele desfile aconteceu na Candelária. O cansaço era muito grande e o salgueiro não era nem a última. Foi então que o Arlindo decidiu movimentar a Iemanjá para a frente da escola. Naquela época as alegorias eram pequenas, hoje isso seria impossível. Aquele movimento do carro que era todo espelhado e refletiu os raios do sol foi fazendo com que os componentes acreditassem na vitória pois a imagem era impactante demais. A escola desfilou como poucas vezes se viu”, recorda a ex-carnavalesca.

A famosa alegoria da Iemanjá de 1969 será representada pelas baianas salgueirenses 50 anos depois. A fantasia virá no quarto setor do desfile, dedicado ao histórico carnaval, onde o Salgueiro levantara seu quarto campeonato, como explica o carnavalesco Alex de Souza.

“É um setor em que mostraremos o Xangô como sendo o orixá do Salgueiro, o nosso grande padroeiro. O setor é todo dedicado ao histórico desfile campeão de 1969, ‘Bahia de todos os desuses’. É um setor muito branco com toques de vermelho. Bastante salgueirense”, revela o carnavalesco.

Maria Augusta, que foi carnavalesca do Salgueiro nos títulos de 1971 e 1974, conta a repercussão após o desfile e explica o motivo de não existir uma única imagem daquela alegoria histórica em nenhum arquivo.

“O refletir dos raios de sol naquele carro totalmente espelhado impedia registros fotográficos, pois os equipamentos da época não possuíam lentes capazes de fazer o registro. Depois do desfile a Iemanjá foi jogada no mar de Copacabana, como oferenda. Eu me lembro como se fosse hoje: ao ser jogada, ela flutuou, deu um giro completo, virou-se para a praia e finalmente emergiu”, recorda Augusta.

O Salgueiro será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval de 2019 pelo Grupo Especial. O enredo ‘Xangô’ está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Alex de Souza. Líder do ranking da Liesa, a academia do samba foi a 3ª colocada no desfile de 2018.

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