Apesar de buscar com seu enredo ‘O Salvador da Pátria’ uma temática bem diferente da de 2018, o Paraíso do Tuiuti vai atrás da mesma fórmula de sucesso que deu à escola a sua melhor colocação na sua história. A abertura do desfile da escola é a grande aposta do carnavalesco Jack Vasconcelos, que recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão, e admitiu ter preparado uma abertura suntuosa.

“Eu não tenho um xodó em um projeto. Não é discurso pronto não. Todos os filhos demandam atenção. Mas eu gosto de fazer entrada, é um momento que eu presto muita atenção, pois ali o público decide se vai prestar atenção ou se vai para o banheiro. As nossas esculturas são belíssimas, gosto bastante delas. A grande sacada do enredo em termos visuais é a transformação do bode”, adiantou.

Apostando em um enredo com forte temática política, Jack Vasconcelos revela que recebeu a ideia de desenvolver a história do bode iôiô muito antes da polarização ideológica que se acirrou no país, mas admite que a decisão de desenvolver em 2019 a proposta veio na esteira de ofensas que recebeu após o desfile de 2018.

“Esse enredo na verdade chegou até mim pelas mãos do João Gustavo Mello. Ele é cearense e havia me procurado na época que fiz o Boi Mansinho, em 2016. Achei a ideia incrível. Só tive que esperar um pouco pois era muito bicho né (risos). Logo depois do enredo do ano passado, havia percebido certo alvoroço nessa questão da polarização política, já que tivemos um ano eleitoral. Eu e o destaque que desfilou de vampiro em 2018 recebemos algumas mensagens agressivas e violentas. Pensei comigo quando começou essa intolerância do brasileiro, de não entender uma brincadeira carnavalesca. O bode para mim era uma boa resposta de bom humor a tanto ódio. Nosso enredo ano passado era denso e eu queria esse ano algo mais alegre. Um outro espírito”, disse Jack.

Ao contrário do desfile apresentado em 2018, que era denso, triste e carregado na emoção, o Tuiuti em 2019 vai ser jocoso, divertido e leve. Jack Vasconcelos traz uma temática nordestina e garante que isso foi um fator preponderante em um ano onde a crise de materiais deixou muitas escolas em apuros.

“O que me salvou foi o enredo ser nordestino e ter uma pegada colorida. Pude usar materiais variados e brincar com eles. Posso juntá-los, e isso cria um efeito muito bacana. Os fornecedores deixam de comprar determinados materiais devido à forte crise econômica mesmo, não é só no carnaval. Vindo do acesso temos um certo know-how do não ter. Nesse campo eu sofro menos que outros colegas”, adianta.

Conheça o desfile

Setor 1: A seca de 1915. Dizem que o bode iôiô veio para Fortaleza com os retirantes oriundos dessa seca.

Setor 2: A cidade de Fortaleza. A Avenida Dragão do Mar, vendedores da praia, o primeiro ambiente onde o iôiô vai viver e é comprado pela Companhia Dragão de Peles. Vira mascote e vai vier na avenida Beira-Mar.

Setor 3: O bode passeando pelas ruas à noite. Bares, mafuás, poetas e boêmios da época.

Setor 4: A Bella Époque. O aformoseamento da cidade de Fortaleza. Algo parecido com o que tivemos no Rio. Essa higienização da cidade, jogando os mais pobres para áreas periféricas

Setor 5: O jogo de poder dos políticos em cima dos mais pobres. A elite se junta à política. O uso dos mais pobres pela classe política. A eleição do iôiô é uma consequência dessa situação. A insatisfação das pessoas em cima disso.

Setor 6: O iôiô como representante da resistência. Aqueles que precisam ter voz. O grande exemplo do bode no decorrer do enredo é para continuarmos a ser o que somos. Ele frequentava os lugares chiques, mas era um representante da pobreza, que aquela elite não queria nem ver. Ele se tornou um ícone de resistência popular.

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