Representando Santo Antônio, o santo na qual irmã Dulce era devota, a bateria da Unidos da Ponte trouxe uma fantasia predominantemente marrom, com um adereço na cabeça que remete ao ‘corte’ de cabelo do Santo, sandálias rasteiras em outro tom de marrom e componentes de diversas religiões convivendo em harmonia e alegria.

Componentes como Vinicius, ritmista que desfila na escola desde sua infância, pois é morador de São João de Meriti, tem a família dentro da escola e se identifica enquanto umbandista. Para Vinicius, é importante a Ponte trazer a diversidade religiosa num momento em que o Brasil está registrando o aumento de denuncias de casos de intolerância religiosa e racismo.

“Estar com um enredo que aborda a religiosidade em um momento de muita intolerância religiosa no mundo, é importante para mostrar ao mundo todo o como é possível o combate a intolerância”, declarou Vinicius ao site CARNAVALESCO.

“Eu sair vestido de Santo Antônio é maior barato também, porque enquanto umbandista, eu acredito que eu estar com essa fantasia é um símbolo de que é possível se amar e se respeitar. O amor vem antes de qualquer coisa”, completou Vinicius.

Depois de dois anos sem carnaval, o enredo religioso e a fantasia de Santo Antônio desperta lágrimas de uma colega de bateria de Vinicius, a tocadora de cuíca Maristane. No entanto, ela faz questão de frisar que é um choro de alegria e não de dor.

“Quando eu coloquei a fantasia e me dei conta do enredo e que o carnaval ia voltar, eu fiquei com vontade de chorar, mas não chorar de dor, chorar de alegria, né? Isso é diferente de chorar de tristeza”, contou a ritmista ao CARNAVALESCO.

Para a ritmista, representar o santo no qual irmã Dulce era devota, é levar para avenida a importância e a beleza da fé.

“Eu acredito que a mensagem do enredo é a importância da fé. Acima de tudo temos que ter fé, porque ela é importante demais para nosso bem-estar, sabe? Eu penso que para esse carnaval de 2022, não importa quem vai ganhar ou quem vai perder, ou não sei, o que ta valendo e nosso enredo traz isso é estarmos bem e estarmos uns com os outros”, disse Maristane.

O carnaval voltou com alegria, com a expectativa de ser o carnaval do século e essa harmonia e conforto dos ritmistas da Ponte com o seu enredo, são fundamentais para o sucesso de uma escola de samba que pretende desfilar na Avenida.
Conversando com os componentes da escola, fica claro o quanto diversidade é a cultura do carnaval e como o carnaval de 2022 é símbolo da união.

“Eu não tenho religião, mas vejo muita intolerância no Brasil, então fica evidente como nosso enredo é válido e necessário”, disse Vitor de Oliveira, tocador de surdo que desfila a 3 anos na escola.

“Sou católico, mas não sou muito religioso. Vejo que no Brasil tem muita intolerância sim, principalmente as religiões de matrizes africanas. Penso que a população precisa repensar suas relações e fico feliz de estar num enredo que busca trazer isso para o público”, afirmou Luan.

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