Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

A Beija-Flor de Nilópolis foi a quinta agremiação a desfilar na primeira noite do Grupo Especial 2019. A azul e branca ainda sonha com o bicampeonato, depois de conquistar o título no ano passado. Entretanto a chance de uma nova conquista é remota, principalmente, devido ao projeto plástico apresentado na avenida. A estratégia de defender os 70 anos da escola na avenida não deu certo e a temática não passou clareza através de alas e carros. Burocrática no canto, a escola viu as apresentações do casal Claudinho e Selminha e da comissão de frente serem os momentos de maior interação com o público no desfile.

Comissão de Frente

Era dia de Natal quando foi fundado há 70 anos atrás, o que viria a se tornar a Beija-Flor de Nilópolis. Surgia naquela tarde, um bloco que ainda não possuía nome, até que Dona Eulália, mãe dos ritmistas fundadores, ao ver que se aproximavam beija-flores de uma árvore, sugeriu dar o nome de “Beija-Flor” ao bloco.

A partir da fundação da Beija-Flor, nasceu a inspiração temática da Comissão de Frente, levando em consideração que toda narrativa feita por um animal ou ser da natureza que ganhe características psicológicas ou comportamentais humanas narra uma fábula, o coreógrafo Marcelo Misailidis utilizou a fábula ‘O carnaval dos animais’ para criar a concepção da comissão. A apresentação teve seu ponto alto na reunião bichos com direito a instrumentos. O elemento alegórico que virava uma árvore de Natal possuía engrenagens à mostra e também exibia a troca de roupas dos componentes.

Mestre- Sala e Porta-Bandeira

O casal de beija-flores encantados – ele, o narrador-personagem, ela, a ave consagrada soberana – cruzou a pista bailando e rodopiando pelos ares, conduzindo o Pavilhão e apresentando essa viagem fabulosa de exaltação aos 70 anos de história da agremiação nilopolitana. Claudinho e Selminha enfrentaram o vento na primeira cabine, o que causou quase o enrolar da bandeira. Na segunda cabine Claudinho não conseguiu pegar corretamente o pavilhão depois de oferecido pela porta-bandeira. Outro problema foi a pista molhada. Eles optaram por desfilar no lado oposto da cabine, pois estava seco.

Harmonia

Depois do sacode dado no desfile de 2018, a comunidade da Beija-Flor passou burocrática pela avenida esta noite. Técnica, cantou o samba, mas sem o brilho que já conseguira outrora.A situação já havia sido detectada no ensaio técnico. Não significa não houve canto, mas em um comparativo pode perder pontos.

Samba-Enredo

A controversa obra nilopolitana, fruto da junção de duas obras na final, funcionou bem na Sapucaí. Impulsionado como sempre pelo onipresente Neguinho da Beija-Flor o samba passou bem pela pista de desfiles, gerando nas alas um padrão constante e linear de canto.

Evolução

A Beija-Flor parece ter escrito o manual de evolução, tamanha sua competência no quesito. Entretanto no desfile deste ano a escola enfrentou diversos problemas no quesito. A começar por uma correria iniciada no módulo 3 que não se explica pois a escola concluiu sua apresentação três minutos antes do tempo máximo permitido. Um buraco logo antes dos ritmistas entrarem no recuo também pode ser notado, e no campo de visão do jurado. Uma técnica de desfile irregular.

Enredo

Alas bem alinhadas com os setores. Cada setor abordava, através de uma fábula, os enredos da Beija-Flor. Entretanto o fio condutor adotado, as fábulas de Esopo, causaram bastante confusão na proposta da escola. Além disso os carros, onde estavam representadas essas fábulas não tinham qualquer comunicação com as alas e o enredo desta forma teve sua compreensão dificultada.

Fantasias

Conjunto de fantasias superior ao apresentado ano passado. Os figurinos estavam muito bem feitos, volumosos, com a utilização de bastante materiais. A Beija-Flor dividiu os enredos de sua história as alas do desfile. Para tornar a narrativa coerente subdividiu os setores por temas de enredos: brasileiros, afros, críticos e etc. A quarta ala tinha problemas de acabamento com uma maquiagem que se desfazia conforme os componentes suavam. No mesmo setor a ala de baianas e a sexta ala chamaram atenção ao relembrarem os desfiles de 1998 e 1999. Pinah, histórico destaque da escola, passou pelo terceiro módulo de julgamento sem o chapéu da fantasia.

Alegorias

Seguindo o que foi feito em 2018, a Beija-Flor trouxe para a avenida um conceito de alegorias mais interativas, como movimentos que mudavam o formato dos carros. Mais bem acabados que os de 2018, os carros entretanto não ajudaram a contar bem o enredo.Faltou uma maior relação entre carros e fantasias.

Outros Destaques

Claudia Raia veio na segunda alegoria e ora se apresentava no chão, ora subia no carro. Neguinho da Beija-Flor reviveu o desfile de 2018 ao esquentar com o samba campeão do ano passado. O intérprete foi a personalidade mais requisitada para fotos de toda a escola. A homenagem a Laíla aconteceu, mas foi discreta. Uma foto do ex-diretor de carnaval da escola veio na saia do abre-alas, junto com outros indivíduos que ajudaram a construir a história da Beija-Flor.

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