Quarta escola a desfilar no último dia de desfiles do Grupo Especial, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Waranã, a reexistência vermelha”. A reportagem do CARNAVALESCO esteve disposta nos módulos de julgamento do Sambódromo e realizou uma análise da apresentação da agremiação em oito quesitos, exceto bateria.

Foto: Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente
A escola demorou um pouco para começar a se apresentar porque deu uma segurada, já que o abre-alas estava apresentando problemas para entrar. A comissão foi se apresentar com quase 10 minutos de desfile, mas começou muito impactante, sob a direção coreográfica de Sergio Lobato e Patrícia Salgado. Os componentes deram um show de apresentação, com uma encenação sobre o surgimento da etnia Mawé. O final levantou a arquibancada em todos os módulos, quando aparece o Kau’Ê e o povo do guaraná que de
dentro sai uma bandeira escrita “Brasil, Terra Indígena”.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Denadir Garcia, trouxe uma dança bem tradicional, com um bailado simples, porém muito bem executado. Mas sem dúvidas o ponto de destaque da apresentação foi a resistência a ação do vento. Claramente o vento tentou atrapalhar, mas em nenhum momento isso transpareceu na coreografia, com Denadir resistindo forte e bravamente. Resultado: uma apresentação impecável. Phelipe mais uma vez flutuou na avenida.

Harmonia
A Unidos da Tijuca apresentou canto forte, intenso, por todas as partes de seu desfile, em todas as alas. Uma escola que passou alegre, com leveza e muito samba e canto na ponta da língua, se destacando, portanto, com uma boa harmonia. Alas como “Tuxauas” e “A Castanheira Sagrada” cantaram forte na avenida.

Enredo
Desenvolvendo o enredo sobre Waranã: a Reexistência Vermelha”, contando o mito de surgimento da etnia Mawé – os filhos do guaraná, os peles vermelhas do Brasil, a escola foi perfeita. Tudo bem conduzido e encaminhado, com muita cor, um excelente trabalho estético, e uma clareza na contagem do enredo sem perder de forma alguma a grandeza e a profundidade da história.

Evolução
Também seguindo as demais escolas da noite, a Unidos da Tijuca apresentou problemas de evolução desde o começo do desfile. O abre-alas teve problemas lá na concentração, refletindo em lentidão na evolução da escola. A escola foi se encontrando e se acertando aos poucos, tendo, portanto, menos erros nesse ponto que as demais. Dessa forma, a partir da segunda cabine, o problema já estava resolvido.

Samba
O samba-enredo da Unidos da Tijuca foi muito bom no desfile da escola, com um canto forte e contagiante na maior parte do tempo, porém com alguma oscilação em um ou outro momento, mas que, no geral, fez a escola passar bem pela avenida. Conduzido pela dupla de intérpretes Wantuir e Wic Tavares, pai e filha, mostrou um bom entrosamento do carro de som e a bateria Pura Cadência.

Fantasias
As fantasias da Tijuca na avenida foram uma verdadeira obra-prima, com muito colorido, muita beleza na concepção, com grande presença dos elementos da natureza, remetendo ao sol, lua, elementos. Tudo muito bem feito e muito colorido. Uma ou outra ala com componentes segurando adereço de cabeça por serem algumas fantasias bem grandes, mas um excelente desempenho no geral. As alas 16 e 17 “Papagaio falante Mawé” e “Arara-Piranga, Dona das Mais Belas Penas” surpreendeu positivamente ao trazer as cabeças dos brincantes com a representação das aves e cores fiéis aos animais, dando um
belo resultado final. A ala 19 “Wantuirá, O Clã pescador” conseguiu uma boa leitura com peixes nos costeiros em cores cítricas, dando um bom efeito.

Alegorias
Apesar de enorme beleza e imponência, um quesito que deu trabalho para a escola. O “pavão cósmico”; que abriu o desfile na primeira ala não tinha nenhuma iluminação, assim como o tripe de Kahuê que passou com partes apagadas. Na parte estética propriamente dita, porém, um trabalho incrível, de muita beleza. O abre-alas apresentou o paraíso com esculturas de jacaré e tigre e no segundo setor uma grandiosa tartaruga com flores simbolizando uma floresta. Na segunda alegoria um interessante efeito abria e fechava os olhos do guaraná.

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