Por Vinicius Vasconcelos

Nos últimos anos as escolas de samba tem observado que carnavais com tons críticos são cada vez mais necessários. Não a toa, a Mangueira sagrou-se campeã no Rio de Janeiro em 2019 e Beija-Flor em 2018.

Terceira colocada no último desfile capixaba, a Novo Império mais uma vez resolve dar luz um tema social. Se em 2019 as vozes femininas ecoaram pelo sambão do povo, pra 2020 a escola opta por mostrar os direitos das crianças. Em “O bê-a-bá dos guris” o fio condutor será o Estatuto da Criança e do Adolescente que completa 30 anos. Em conversa com o site CARNAVALESCO, o artista Petterson Alves, que assina pelo segundo ano o carnaval da escola, confidenciou que mais uma vez o enredo não foi idealizado por ele. E sim, desenvolvido a partir de uma ideia que partiu dos gestores da escola.

“O enredo foi proposto pela diretoria. É meu porque desenvolvi, mas não foi idealizado por mim. Veio de indicação dos diretores a partir de uma ideia da nossa porta-bandeira mirim, filha do presidente. Ela queira ver um dia as crianças sendo homenageadas. Será uma grande festa multicolorida, apesar de ser um enredo politicamente social. Vamos levar um universo infantil bem colorido. Claro que tem a parte sombria, do mundo sem direitos e sem sonhos. Começamos na década de 80 com a chacina na Candelária. O ponto de partida é o ECA, que ja existia, mas passou a entrar mais em vigor a partir daí. A gente começa a desfolhar o Estatuto mostrando direitos mais básicos para não confundir a cabeça do folião. As pessoas vão entender porque se tornou um enredo didático, você olha, compreende, aplaude e o 10 é garantido”, explica Petterson.

Sobre enredos com pegada mais crítica, Petterson exalta a coragem dos dirigentes da escola em mostrar as mazelas vividas pela sociedade, mas ressalta que é preciso ter tato para que a agremiação nao seja prejudicada.

“Tem que ter cuidado para fazer enredo social no carnaval capixaba. Porque ainda é movido e sustentado pelos políticos. É necessário ter cautela para o carnaval não ser retalhado. As escolas de Vitória não são autosustentáveis para fazer enredo com essa pegada e não atingir ninguém, existe um receio de minha parte, com medo de respingar na instituição depois. O carnaval ainda não tem essa preparação para usar da vitrine do desfile um meio de questionamento”.

De contrato renovado e com próximo enredo já em desenvolvimento, o carnavalesco afirma que se sente em casa na escola mesmo com apenas dois anos de convivência.

“Ainda não cheguei onde quero na Novo Império. Que é levar uma escola pomposa e luxuosa. Renovei com a diretoria independente do resultado, acredito que todos estejam felizes. Foi um desejo da própria gestão. Aceitei o convite e acredito que para 2021 vou chegar onde pretendo, com máxima suntuosidade e glamour, até porque o enredo é meu e não proposto pela diretoria”, ressalta.

Pouco tempo depois do período eleitoral, com as agressões dominando as redes sociais, Petterson chegou a ser chamado de “esquerdista” por algumas pessoas que o seguem. Mas, ele garante que sua posição nessa história é uma só.

“Não sou político. Algumas pessoas podem ouvir isso e não acreditar. Me chamam de esquerdista, respondo dizendo que não sou direita nem esquerda, sou pra frente. O poder público deixa educação para último lugar, sendo que é o pilar de um futuro positivo. Isso não pode ser esquecido por um presidente da república”.

A história de Petterson Alves e da azul, branco e rosa de Caratoíra vai muito além desses dois últimos carnavais. A mãe do artista foi porta-bandeira na agremiação no ano do primeiro título, 1978. Ciente da responsabilidade e das coincidências, ele afirma que o campeonato é consequência de um trabalho bem feito e que a Novo Império irá surpreender.

“Já passou da hora da Novo Império ganhar carnaval. Acertamos na trave em 2019, vamos ver se o gol sai esse ano. O carnaval precisa acontecer no dia. Trabalhamos exaustivamente para que tudo passe na Avenida de forma correta. A escola pode estar banhada a ouro, mas estática é uma coisa, em movimento é outra. Só existe a chance de título quando o ultimo componente passa da linha amarela”, finalizou.

Setor 1

Caos infantil, um apocalipse urbano. Mundo sombrio e sem sonhos. Onde as crianças abandonam suas famílias e ganham a rua. Lá, começam a construir o suposto sonho dentro de um submundo de escuridão, fome, abandono, miséria, falta de educação.

Setor 2

O princípio básico: a saúde. O alicerce para toda criança. Vacinação, banho, alimentação. O direito a vida.

Setor 3 e 4

O direito de brincar.

Setor 5

Passaporte para o futuro: A educação o caminho para o mundo.

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