Por Vinicius Vasconcelos

Dez desfiles separam a Jucutuquara do lugar mais alto do pódio do carnaval de Vitória. Para uma escola que já foi tetracampeã (2006, 2007, 2008 e 2009), isso é quase uma eternidade. Na intenção de voltar a conquistar boas colocações a agremiação contratou Jorge Mayko e Vanderson César. A dupla caiu nas graças do público nos últimos quatro carnavais, isso devido so bom gosto e a facilidade que tem de transformar o pouco em muito, tendo em vista que estavam numa escola de pouco poder aquisitivo e no grupo de acesso.

Com o título de “Griot”, o enredo da escola propõe uma reflexão sobre uma África do passado, do presente e do futuro. Como conta Vanderson César.

“O enredo surgiu de duas necessidades. Uma que eu e o Jorge tínhamos a vontade fazer uma temática africana, mas que primasse pela questão artística e estética africana. A escola também tinha esse desejo, com isso juntamos as duas ideias que existiam e assim surgiu o Griot. Algumas figuras que permeiam todos os setores estão diretamente ligados a questão da representatividade africana. É justamente uma das principais mensagens desse tema. Onde o negro é o protagonista e conta sua própria história. Essas figuras são centrais e são pinceladas em todos os momentos, nós não abrimos mão disto”.

Estreante no grupo especial ao lado de Jorge, Vanderson afirma que as mudanças favorecem a dupla. Porém, as responsabilidades também são muito maiores.

“É um mundo totalmente avesso. Uma escola muito maior, com responsabilidades maiores, comunidade maior que nos cobra desde o primeiro dia que chegamos. Talvez seja uma das comunidades que esteja mais ativa no carnaval e sentimos isso na pele. A recepção foi incrível e está sendo muito gratificante”, explicou.

Segundo o carnavalesco, os anos no grupo de acesso serviram de estrutura para aprender a criar o “plano A”, mas ter sempre o “B” e “C” guardado para hora da necessidade.

“Nós temos o costume de quando projetamos o carnaval já pensamos em algo realizável, que vá sair do papel. Quando setorizamos ala a ala já temos os pontos que podem ser modificados. Levaremos para a avenida 90% do projeto inicial. A estrutura que a Unidos de Jucutuquara nos fornece é muito maior. Isso para o trabalho do carnavalesco é muito importante. Temos barracão de alegorias só nosso. Claro que existe a crise, mas damos o nosso jeito. A oferta de material que temos aqui é muito grande, mas a demanda também é muito maior”, explicou.

Ao ser questionado sobre uma possível renovação, Vanderson contou que os contratos só serão revistos após a eleição da Jucutuquara que acontece depois o desfile.

“Eu e Jorge temos uma conexão muito legal, nossa amizade vem de fora do carnaval. Isso agrega muito na nossa sintonia e maneira de pensar desfile. Quanto a renovação dependemos das eleições futuras, mas nós planejamos ficar aqui se a escola estiver satisfeita com nosso trabalho”, finalizou.

Setor 1

Griot na África e toda a importância para o continente. A preservação de saberes, costumes e memórias, com a importância da ancestralidade.

Setor 2

O Griot é tem novo significado após o momento da diáspora. Será passado, presente e futuro. Griot com produção artística voltada a relembrar o passado com uma memória de África. Homenagens a personagens como Mercedes Baptista, que mistura a dança do Orixá com ballet clássico, ao Ile Aiyê, bloco que resgata toda ancestralidade negra.

Setor 3

Griot do cotidiano apresenta o presente. Setor é encerrado pela produção artística da juventude negra nas favelas, o movimento hip-hop, samba e grafite.

Setor 4

Os Griots que sonharam com o futuro. Toda produção artística voltada a projetar um futuro melhor. O desfile é finalizado com uma metáfora a Wakanda, nação africana que nunca foi colonizada por isso é extremamente desenvolvida. Fecharemos o ciclo. Projetando o futuro com o olhar para o passado.

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