Por Vinicius Vasconcelos

A mais antiga escola de samba de Vitória tem sua sede localizada entre algumas comunidades com índice de violência altíssimo. E não é de hoje que o morro e samba precisam ficar no meio do fogo cruzado de brigas entre facções. Na intenção de trazer um pouco de conforto e alegria para seu folião, a Unidos da Piedade vai levar para a passarela um tema que pede paz acima de tudo. Com o título “Franciscos” o enredo defenderá a tese de que Deus envia um Francisco para fazer a diferença, como conta o diretor de carnaval Pedro Sacramento.

“O morro da Piedade tem passado por muitas dificuldades. Perdemos passistas e ritmistas para o confronto que acontece na nossa comunidade. Pensando nisso, queríamos fazer algo religioso. O enredo traz que Deus nos manda a cada época da humanidade um Francisco para servir de instrumento dEle. Começamos com São Francisco de Assis, passamos por Chico Mendes, Chico Cesar, Chico Xavier e etc. Nossa última ala virá de branco pedindo paz, com grupos voluntários de todo Espírito Santo. A figura do Papa Francisco fecha o desfile por ser o último que surgiu. A escola quer passar emoção e o ato de fazer o bem. Nosso samba é quase uma oração. Focamos no momento da comunidade e do Brasil. Queremos mostrar que somos contra violência e intolerância”, explicou o diretor.

Unindo a necessidade de fazer um carnaval mais enxuto e que retrate a vida humilde dos Franciscos, com a falta de poder financeiro da escola, a Piedade se despiu do luxo e vai priorizar o trabalho feito artesanalmente em seus carros e fantasias.

“O nosso enredo calhou com as dificuldades que estamos tendo. Não queremos colocar tanto luxo porque seria destoante dos votos de pobreza de alguns Franciscos. Nosso abre-alas é todo em estopa, feito na mão e sem placas. A escola tem dificuldades financeiras como qualquer outra, mas em 8 anos que estou aqui nunca vi dessa maneira. Estamos tendo problemas para vender fantasias, comprar materiais e também com a falta deles. Apesar de tudo, iremos surpreender e acreditamos na vitória”.

Pensando não só nos quesitos plásticos mas na escola como um todo, o diretor confidenciou que houveram diversas reuniões com os diretores da escola para que todos pensassem na agremiação em conjunto, não apenas no quesito que lhe cabe.

“Fizemos uma reestruturação na harmonia em diversas reuniões. Porque não adianta apenas um segmento tirar 10 e a escola em não ganhar carnaval. Nada muda se tivermos apenas a melhor bateria. Trabalhamos para que a escola viesse mais enxuta porem forte em todos quesitos. Posso não ter carros grandiosos como outras escolas ricas mas se tem leitura o jurado não pode me tirar ponto. Porque tamanho não é quesito”, desabafou.

Setor 1: Espiritualidade

Setor 2: Luta dos Franciscos

Setor 3: As artes dos Franciscos

Setor 4: Espiritual

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