O mestre-sala Ruhanan Lucas, que faz sucesso no Anhembi e nos vídeos postados nas redes sociais, é mais um sortudo que estará no Carnaval Wall. O sambista desfila desde os sete anos de idade, por isso acha que o programa vai preencher um pouco da tristeza de não ter carnaval em 2021, mas aponta que nada é igual a estar numa quadra de escola de samba ou ouvir uma bateria. Na telinha ele promete muita diversão e alegria. O site CARNAVALESCO conversou com o mestre-sala.

O que representa participar do primeiro reality show do carnaval?

“Nem pensei muito ainda o que representa participar do primeiro reality show do carnaval, estou vivendo um dia de cada vez porque ainda é muito novo tanto pra quem está organizando quanto pra gente. Acho que vai ser motivo de orgulho. Imagina se esse programa pega mesmo, ganha outras edições, lá no futuro vou poder dizer ‘olha, fui pioneiro’ (risos). Quando nem sabiam direito como fazer eu participei. A gente vai ficar marcado na história se der certo e se não der. Quem nunca conversando com um amigo já falou; imagina se tivesse um reality só com gente do samba? Se tivesse um BBB do samba, uma A Fazenda do samba”.

O que o público pode esperar da sua participação no programa?

“O público pode esperar muita alegria, descontração, engajamento, entretenimento. Muita dança, fuleragem… Acho que é isso, não esperem muita intelectualidade porque não sei se vai rolar isso. Vou ser assim, do jeito que sou e é isso”.

Sem desfile em fevereiro e os ensaios o programa pode amenizar essa saudade dos sambistas?

“Vou ser bem sincero, acho que vai entreter, mas amenizar a saudade, acho que não. Eu, particularmente, acho que não tem nada que consiga suprir a falta enorme de estar num ensaio técnico, num desfile, de abraçar meu povo, de estar numa quadra de escola de samba, de ouvir uma bateria, abraçar o pessoal da minha escola. Pode ser que amenize, mas acho que nada supre o que a gente realmente gosta de fazer, ama fazer”.

Conte sua história com o carnaval? Seu primeiro desfile e o que já fez.

“Sou filho de sambista, minha mãe foi rainha de bateria do Mocidade Alegre na década de 1970 e desde muito pequeno gosto de carnaval, desde quatro anos de idade já tenho lembranças de assistir aos desfiles em casa. Quando fiz sete anos comecei a pedir pra desfilar, então minha mãe me levou na comunidade Sapopemba, que é a escola de samba do meu bairro, onde sou nascido e criado. Na época era difícil pra ela me levar na Mocidade porque era muito longe. Desfilei o primeiro ano na ala das crianças no ano seguinte já comecei a ir sozinho. Desfilo na comunidade Sapopemba até hoje. O presidente de lá, hoje presidente de honra, Bel Calado, levou o curso de mestre-sala e porta-bandeira pra lá, fiz o curso quando tinha uns 12 anos, e virei mestre-sala mirim. Depois virei terceiro, segundo até chegar a ser o primeiro mestre-sala e estou lá até hoje como mestre-sala oficial. Paralelo a isso, desfilei em algumas escolas de samba de São Paulo como o Peruche, X-9, até chegar ao Colorado do Brás, onde estou até hoje. Trabalho com carnaval o ano inteiro. Faço shows, trabalho com o mestre Adamastor fazendo dinâmicas pelo Brasil e pelo mundo. Já viajei para o exterior levando o show brasileiro pra Nigéria, Rússia”.

O que pretende fazer com o prêmio de R$ 5 mil caso vença o reality?

“Vou pegar R$ 2 mil e deixar quatro aluguéis pagos, da minha parte, lá em casa. Quero fazer uma festa também pros meus amigos mais chegados, porque se eu ganhar tem que ter uma comemoraçãozinha e o que sobrar vou guardar, vou investir porque estamos tentando ter casa própria. É pouco mas vou investir porque de grão em grão a galinha enche o papo”.

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