Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes. Vídeo: Vinicius Vasconcelos

O fim de ano marca a Ação de Natal do site CARNAVALESCO e do projeto SAC. Um gesto de amor e esperança aos moradores de rua que ficam na região central do Rio de Janeiro. Sambistas das escolas de samba do Grupo Especial e Série A estiveram reunidos para a distribuição de comida, bebidas e roupas. O projeto, idealizado pela rainha de bateria da Mangueira Evelyn Bastos e pelo rei momo Milton, acontece sempre no último domingo de cada mês ao longo de todo o ano, e em dezembro conta com a participação de sambistas a convite do site CARNAVALESCO.

Mais uma vez, os sambistas de várias escolas demonstraram a união e solidariedade que marca o mundo do samba, contrariando as preconceituosas teses que taxam o carnaval de uma festa mundana e sem seriedade. Além da enorme geração de empregos em quadras e barracões, a solidariedade com quem necessita é a marca do samba carioca.

Convidados a doarem o que pudessem e realizar a distribuição pelas ruas, os sambistas se reuniram na quadra da Mangueira. Antes da saída a tradicional roda de conversa e reza. O ex-carnavalesco e comentarista Milton Cunha enalteceu o caráter solidário do samba.

“É o quarto ano que participo e é sempre muito gratificante. Estamos todos aqui reunidos com muita alegria e amor no coração. O sambista é muito solidário. Não somos vagabundos, nem libertinos. Somos alegres, solidários. Que o nosso grande pai (e aí é o que você acredita) possa nos dar um grande Natal e um ano de 2019 cheio de prosperidade”, declarou o carnavalesco.

Evelyn Bastos agradeceu a parceria com o CARNAVALESCO que está completando o quarto ano, lembrou do início do projeto e disse que quem ajuda os mais necessitados recebe mais.

“Quando iniciamos o projeto tínhamos no máximo dez quentinhas para distribuir e nós assim fizemos. Demos de comer a dez pessoas. E depois a 100. Nessa edição estamos saindo com 600, além de roupas, panetones, kits de higiene pessoal. Mas o principal é carinho, é amor. Encontramos nas ruas pessoas das mais diversas personalidades, até aquelas com uma casca tão grossa deixada pela vida dura, que nem agradecem. Outras choram, nos abraçam. Essas pessoas acham que estamos ajudando a elas. Não, são elas quem nos ajudam”, declara.

Reis no meio de uma gente tão modesta

Um clássico samba da União da Ilha deixa uma importante mensagem: “será que eu serei o dono dessa festa? Um rei no meio de uma gente tão modesta?”. Durante a distribuição de quentinhas, cantores, casais de mestre-sala e porta-bandeira, e outras estrelas do carnaval calçam a sandália da solidariedade. Alguns são reconhecidos, mas todos defendem o mesmo pavilhão ali naquelas horas, o da caridade.

“Parabenizo ao SAC e o CARNAVALESCO. É difícil descrever o que a gente vê. A gente passa por eles todos os dias e não percebe nada. A Renascer é muito grata de poder participar e com certeza é o primeiro de muitos que participarei”, afirma o intérprete Diego Nicolau, que enviou 100 quentinhas em nome da Renascer de Jacarepaguá.

“É muito legal poder fazer isso, eu costuma fazer ao longo do ano. Dá uma sensação de orgulho poder ajudar alguém. As pessoas nos reconhecem. É preciso dar valor a um gesto de aperto de mão, de bom dia. Estou muito feliz de ter podido estar aqui”, destaca Dudu Azevedo, diretor de carnaval da União da Ilha.

“Eu me arrepio e fico lutando para não deixar as lágrimas escorrer. Essas pessoas estão do nosso lado o tempo todo. Não podemos mais fingir que elas não existem. Eu já passei por uma situação financeira difícil e posso imaginar o que eles passam”, lembra o mestre-sala da Imperatriz, Thiago Mendonça.

“Essa é uma ação que nos gratifica muito. Fazer o bem a quem de fato necessita é muito bom. O Paraíso do Tuiuti estará sempre representado na corrente do bem e que ela seja perpetuada entre nós sambistas”, destaca Bruno, diretor de marketing do Tuiuti.

“Eu me seguro para não chorar, pois fico muito emocionada. Se cada um fizer um pouquinho a vida de tanta gente melhora. Minha mãe é enfermeira e eu já trabalhei em abrigo de idosos. Agradeço a vocês por me deixarem fazer parte disso. Doamos mais que alimento, mas um pouco de energia boa, de afeto. A gente chega estão todos sentados, esperando. É muito poder sentir isso”, desabafa Bianca, rainha de bateria da Portela.

“Na verdade é hora de contribuir com quem é tão abandonado, esquecido. Damos um pouco de dignidade a essas pessoas, que é um prato de comida que seja. Pararmos um pouco nossa rotina e estender a mão para o outro. Eu pretendo participar sempre”, conclui o compositor salgueirense Dudu Botelho.

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